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33- Umbanda Esotérica: Matta e S. era elitista?
33- Umbanda Esotérica: Matta e S. era elitista?

Umbanda Esotérica: Matta e Silva era elitista?

Rio de Janeiro, 6 de Maio de 2016

 

Quem responde é o Sr. Francisco Rivas Neto:

“Após 4 obras, Matta e Silva tornou-se por demais conhecido, sendo procurado por simpatizantes de todo o Brasil. Embora atendesse a milhares de casos, como em geral são atendidos em tantos e tantos terreiros por esse Brasil afora, havia em seu atendimento uma diferença fundamental: as dores e mazelas que as humanas criaturas carregam eram retiradas, seus dramas equacionados à luz da razão e da caridade, fazendo com que a choupana do velho Guiné quase todos os dias estivesse lotada... Atendia também aos oriundos de Itacurussá – na ocasião, uma cidade sem recursos - que ao necessitarem de médico, e não havendo nenhum na cidade, recorriam ao velho Matta. Este, com sua bondade e caridade, a todos ministrava medicamentos da flora local, e mesmo alopatias simples, que ele mesmo comprava quando ia à cidade do Rio de Janeiro. Ficou conhecido como curandeiro, e sua fama ultrapassou os limites citadinos, chegando às ilhas próximas, de onde acorriam centenas de sofredores de vários matizes. Durante exatos 10 anos Matta e Silva cumpriu essa tarefa, que transcendia a suas funções sacerdotais. Como se vê, é total iniquidade e falta de conhecimento atribuir a Matta e Silva a pecha de elitista.”(NETO, F Rivas, O Arcano dos Sete Orixás. p.14, 3°ed – São Paulo: Ícone,1999).

 

Já pontuamos por diversas vezes a total inconsistência de situar a postura e o trabalho de Matta e Silva como sendo elitista e etnocentrista. E assim o fizemos, não tão somente com base em um encaminhamento meramente opiniático de nossa parte, mas, especialmente, pelo conhecimento de várias pessoas que de fato conheceram Matta e Silva e foram filhos de seu santé. Dentre essas pessoas, nossos próprios familiares – avó, mãe, madrinha e outros mais- com quem ainda mantemos contato direto, e que foram diretamente iniciados por Matta e Silva e, naturalmente desempenharam suas funções mediúnicas na antiga Tenda Umbandista Oriental.

Os relatos de todos esses irmãos citados – ainda vivos- que de alguma forma, conviveram com Matta e Silva, estão plenamente coadunados com o trecho destacado acima, segundo relatado por Rivas Neto em uma de suas obras. Portanto, é interessante que o próprio Rivas Neto venha desconstruir a sua própria experiência, narrada por ele mesmo, e que assim passou a afirmar por diversas vezes que o velho Matta era elitista e etnocentrista. A contradição mais uma vez neste caso é patente, digo, mais uma vez, porque outras mais ainda se fazem presentes, mas, neste caso, se fossemos discorrer sobre todas elas, teríamos que editar um livro para relatá-las, o que não vem ao caso.

Muitos que moram em São Paulo se acostumaram a ter o Sr. Rivas Neto como a principal referência, no que tange ao conhecimento da Umbanda Esotérica, e isto, culminou em um quadro configurado por parte daqueles que de algum modo o seguem, de limites estreitos de opinião sobre o real legado deixado pelo velho Matta sobre o esoterismo de Umbanda. Para nós, daqui do Rio de Janeiro, por outro lado, a perspectiva é outra: pois a oportunidade de dispor de uma diversidade de pessoas que estiveram “in vivo” com Matta e Silva, as quais apresentam opiniões que revelam convergências nítidas sobre a simplicidade e a humildade dele, quer seja enquanto chefe de terreiro, quer seja como ser humano, nos possibilitam discordar com certa facilidade e segurança dessa tese pueril e incipiente em termos de evidências, exposta por Rivas Neto, especialmente, em razão de certos encaminhamentos  patenteados por ele na linha do tempo- conforme vem sendo acompanhado por muitos - que mostram certa incongruência e contradições sucessivas em seu discurso anêmico, que em vão insiste em estabelecer com um ilusório senso de hegemonia, uma “Umbanda Esotérica refundida” com plena adesão de grande contingente de adeptos a essa “visão”, o que sempre se mostrou e ainda mostra na prática, uma utopia...

O site umbandadobrasil, através da direção de Rogério Corrêa, meu irmão de fé, juntamente com a colaboração de outros irmãos de lei, de fato, abre um espaço para discutir com qualquer um, sobre o que estamos falando, pois o fato, é que; essas pessoas que acima citamos, são reais, e podemos provar o que estamos falando sem esforço. Assim, chamamos atenção para a seguinte questão: entre o que se fala e aquilo que é, pode existir um abismo. Logo, mais uma vez convidamos o Sr. Rivas a provar sobre a tese que versa sobre Matta e Silva como sendo elitista e etnocentrista, porque até o momento seu encaminhamento tem sido simploriamente opinativo, nada mais que isso, de maneira que se assim não o fizer, apenas nos limitaremos a simplesmente vos dizer: “quem tem boca fala o que quer”. Todavia, na relação de causalidade inerente a certa coordenação cármica que é estabelecida nesse “reino” pelas Sete Esferas Girantes, para quem fala o que quer vai um recado: “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”, e quando o semeador sai a semear, outro já está preparando o seu lugar certo para a tal colheita...

Quanto às ratificações propostas pelo Sr. Rivas Neto, as mesmas somente possuem validade para quem “caiu de paraquedas” na Umbanda e não está situado sobre suas leis. Para certos novatos é até admissível errar pelo desconhecimento, mas, para quem já caminha há algum tempo na Umbanda Esotérica, este discurso de “ratificação” ou de uma “Raiz de Guiné refundida” é frágil e se dissolve como açúcar na água...pois é clara a falta de substância iniciática e conhecimento concreto da Lei de Umbanda frente a esse encaminhamento falacioso.

 

Comecemos então com a questão da suposta ratificação da Umbanda Esotérica

Primeiramente, ela não existe; isto é uma falácia, por quê?

O próprio Matta e Silva em Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda, página 198 – 4°edição – assim afirmou:

“ A Umbanda, meus irmãos, já está codificada há muito tempo e eles sabem disso... Agora, o que um tal grupinho de cima quer é bitolar a Umbanda segundo seus entendimentos, segundo seus interesses, segundo suas vaidades..."

Reafirmamos que: não se verifica de modo algum a existência de qualquer tipo de respaldo por parte da narrativa de Matta e Silva, que sustente o discurso do Sr. Francisco Rivas Neto em relação a uma “nova Umbanda Esotérica”. Diga-se de passagem, a dita narrativa do velho Matta está claramente exposta em suas nove obras, com visibilidade por demais consistente quanto a isto e nos diversos materiais audiovisuais, com coerência e congruência incontestáveis nesse sentido para qualquer um verificar. E muito principalmente: o que está patente em suas 9 obras foi incontestavelmente colocado em prática por parte de Matta e Silva no seu encaminhamento ritualístico e magístico, sob todos os seu matizes respectivamente patenteados na antiga T.U.O em Itacuruçá. Isto, não é meramente uma retórica de nossa parte. Isto, são relatos vivos, não de uma só pessoa, mas, de várias que moravam na época citada aqui no Rio de Janeiro, dentro da realidade supracitada, a qual é, por sua vez, muito diferente daquela de morar em São Paulo e ir para Itacuruçá de 6 em 6 meses ou mais....- tais materiais estão disponibilizados pelo site umbandadobrasil;

Quando Matta e Silva nos fala que a Umbanda já foi codificada ou ratificada há muito tempo, pode-se compreender claramente, tanto no plano teórico quanto na prática mediúnica no contexto da Umbanda Esotérica, que o velho Matta, ao contrário de ter inventado uma Umbanda para as elites, simplesmente repassou o que fora revelado pelo Astral Superior, sobre as bases essenciais da Umbanda, fundamentadas pela Lei do Verbo em sua ancestralidade, primordialmente assentada no TUYABAÉ-CUAÁ e nas demais Tradições que subsequentemente Dele derivaram. Ora, assim como existiu uma unidade geológica onde se assentava uma unidade biológica superior, expressa pela Raça Vermelha, existiu também um conhecimento uno, indiferenciado, no que concerne as adaptações necessárias para contrabalançar todo um quadro de deturpações, portanto, puro na acepção da palavra, dito como; “A Sabedoria dos Velhos Payés” ou  TUYABAÉ-CUAÁ; o qual dava conta de todas as necessidades voltadas para a ascenção daquela coletividade primeva.

 

Subsequentemente, com a diferenciação da Raça Vermelha em outras raças-raízes com suas diversas sub-raças – que deram origem a toda uma diversidade de povos- juntamente com o mal deflagrado pelas hostes malignas que foram reencarnando, esse conhecimento foi sendo naturalmente adaptado, mas, sem alterar sua essência. Assim sendo, mais tarde como sabemos esses conhecimentos que estavam espalhados e desarticulados do Plano Espiritual no plano humano ordinário, foram novamente reorganizados por Saint-Yves de D’Alveydre em um planisfério, dentro de uma estrutura matematicamente situada e coerente, totalizada assim por um modus operandi autológico unificado, tendo as suas chaves sintetizadas no que ficou conhecido como; o Arqueômetro. Por conseguinte, reabriu-se de certa forma a possibilidade – para quem de fato conhece – de movimentar a Lei do Verbo dentro de certa acessibilidade com o Plano Astral.

 

Posteriormente, Matta e Silva, muito mais do que adaptar a composição arqueométrica para a Umbanda Esotérica, revelou o que já era muito mais velho do que o Arqueômetro: A PROTO-SÍNTESE RELÍGIO-CIENTÍFICA DA ANCESTRALIDADE DA UMBANDA, a qual, outrora conhecida e firmada pela Raça Vermelha como O TUYABAÉ-CUAÁ, foi quem de fato propiciou a substância essencial para a gênese do Arqueômetro.

Em contiguidade com nossa linha de raciocínio, diz Pai Guiné, em Lições de Umbanda e Quimbanda na palavra de um Preto-velho, p.19, 5°ed, Freitas Bastos, 1984:

“Preto-velho:- A palavra Umbanda representa ou simboliza a ”chave” das antiquíssimas iniciações ou ordens. É a única chave, atualmente, que abre portas aos verdadeiros conhecimentos da perdida Lei do verbo. Isso, bem entendido, pelo caminho da Sabedoria oculta, interna. Não confundi-la com o aspecto externo, esse que alimenta o grosso da massa humana, pela senda religiosa, na doutrina ou na evangelização simples. (...) o termo UM-BAN-DA, contendo em si um sentido tríplice oculto, traduz, de acordo com a Lei do Verbo, o seguinte: - Conjunto das Leis de Deus...Em linhas gerais, portanto, Umbanda representa as Leis Eternas que atuam na coletividade umbandista, a fim de regular e impulsionar sua ascenção, tudo sob a guarda direta dos espíritos escolhidos para esse mister: os chamados caboclos, pretos-velhos e crianças (...)”

 

   Ora, sob a luz do sol não existe nada de desconhecido, de modo que a Umbanda aqui foi, na verdade, relembrada no que diz respeito ao seu cerne, o mesmo vivido pela Raça Vermelha e por todas as outras raças que foram surgindo. Logo, o que deve ficar claro é o seguinte: as adaptações se fazem necessárias sim, mas, na periferia do conhecimento esotérico, pois este, diz respeito ao plano superficial no qual situam-se nossos evolutivos em relação ao conhecimento ainda frágil das Leis Divinas.

Este plano periférico diz respeito aos veículos por onde se externam as Forças essenciais da magia ou do fluído-matriz magnético. Por conseguinte, quando se fala que outrora às chaves da magia foram retiradas, canceladas ou bloqueadas, terminando por caírem inúteis, se entende que esses veículos de conexão foram usurpados aqui embaixo, com repercussão negativa no astral, terminando por serem desconfigurados como fragmentos popularizados pelo prisma do senso comum, através do mecanismo da cultura de massa.

Pois, dentre outros motivos, ao contrário da afirmativa de Rivas Neto, é justamente pelo uso das elites dominantes de todos os tempos, a fim de patrocinar os seus interesses pelo poder, que essas chaves foram perdidas. Talvez o Sr. Rivas Neto esteja projetando algo de sua própria natureza e comportamento, sobre o tal elitismo e etnocentrismo atribuído por ele a Matta e Silva. 

Todavia, quando a forma enquanto chave veiculadora das Potências Espirituais perdem a conexão com a sua razão de ser, mediante a traição dos desígnios, que justificam a expressão da essência por intermédio dessa forma, o Astral Superior naturalmente desloca essa essência para novas roupagens, com novos veículos e expressões, longe do que foi corrompido. Assim, portanto, após longa solução de continuidade, foi novamente revelado um Sistema multidimensional macroorientado pelo Cristo de nossa Raça-raiz, sendo o mesmo operante em sua superestrutura astral com onisciência e onipresença estabelecida através de suas Entidades de Lei, em todos os seus planos de atuação, por onde essas Entidades operam com ordens e direitos de trabalho, nos seus respectivos espaços vitais astrais e/ou físico. Assim, é procedido desde o astral superior até os subplanos sombrios da crosta terrestre, de modo que esse monumental Sistema potencializado pelas Sete Vibrações Originais foi chamado de: Umbanda.

 

O que queremos dizer com isso? Primeiramente, para qualificar Matta e Silva como elitista, deve-se primeiramente rotular Pai Guiné D’Angola como o "elitista-mor" e "etnocentrista-mestre" de tudo isso, pois foi Ele mesmo quem repassou, a priori, as concepções que a posteriori, foram estabelecidas por Matta e Silva enquanto seu cavalo direto em seu incontestável mediunismo. Assim, esclarece Pai Guiné, o porquê da Umbanda ter feito ressurgir a Tradição Esotérica em Lições de Umbanda e Quimbanda na palavra de um Preto-Velho, 5°ed, Freitas Bastos, 1984, temos o seguinte:

(...) “Ora, isso compreendido, você pode ver que a coletividade chamada umbandista, vem, de há muito, dentro de sua cor, que é a sua faixa-afim. No entanto, a tonalidade real dessa cor não se revelou ainda em toda a sua beleza, porque vinha e vem se ajustando lentamente, devido à citada variação de entendimentos ou graus de alcance entre grupos e indivíduos, dando margem a que explorações várias dificultem mais ainda a questão”

“Cícero: - Um momento, meu bom Preto-velho! Pode então explicar-me a origem ou a causa dessa confusão de rituais que persiste até hoje? Ou melhor, dessa mistura de concepções, fazendo com que se tenha dificuldade em se distinguir a cor certa, verdadeira, tal a variação de suas tonalidades?

Preto-velho: - Sim. A causa ou as causas são complexas, exigiriam um estudo amplo, mas vou fazer o possível.

Nessas conversas, tentarei deixar bem definida, pelo menos, uma questão que foi e é o marco que separa a Umbanda propriamente dita, das consideradas como suas ramificações históricas, religiosas e místicas.

Ora, meu filho, você bem sabe que uma das principais confusões se prende ao fato de os “filhos-da-terra", quererem ligá-la, indefinidamente, aos cultos africanos, trazidos pelos primitivos escravos aportados ao Brasil. É necessário que entenda bem essa questão. Há que situá-la em suas linhas simples, porque esse movimento de Umbanda surgiu, exatamente, para sanar, corrigir as danosas consequências provenientes da mistura desses cultos, com certas práticas religiosas ou melhor, mágicas, dos índios, ditas como “adjunto da jurema”, que foram, posteriormente, denominadas pelos brancos, como pajelança (...)”.

“Preto-velho: - (...) Há séculos que não existem mais no Brasil cultos africanos puros. Neles, a razão de ser ou a força de seus rituais se firmava na invocação de Orixás – que é o aspecto fenomenológico, o contato com o sobrenatural – que eram considerados como Espíritos Superiores, “deuses”, Senhores dos Elementos da Natureza, etc, e que nunca passaram pela condição humana(...)”.

“(...)Preto-velho: - Ora, acha você meu filho que esse rebanho que vinha e vem dentro dessa faixa de afinidades complexas, se arrastando dentro dessas práticas, desses ritos, dessas oferendas, dessa mistura de concepções que envolvem misticismo, feitichismo, espiritismo, catolicismo, etc., sujeito a influências do “baixo mundo astral” que o cerca vorazmente, vampirizando-o, por via das ditas práticas que envolvem certas oferendas , “despachos”, etc., podia repito eu, esse rebanho, essa coletividade, vir rolando assim, às cegas, em meio a este mar de confusões, sem ouvir os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo na adaptação a seus ensinamentos? Por certo que não, zi-cerô! A Sabedoria Divina achou por bem, processar um movimento novo, dentro desses cultos, desses agrupamentos, no sentido de canalizá-los para essa nova corrente que veio a se denominar de Umbanda”.  

 

O que fica claro especialmente a partir desse último trecho reportado por Pai Guiné é que a Umbanda ressurge por dentro dos candomblés, das encantarias e do que era entendido como Umbanda, justamente pelo cenário de confusão que vigorava naquela época e que ainda se faz presente nos Candomblés, nas Encantarias, nas Umbandas e agora, através do Sr. Rivas Neto, esta confusão ganhou força máxima na própria Umbanda Esotérica. Todavia, a questão é que esse processamento da Umbanda feito pela Sabedoria Divina por dentro desses movimentos foi verticalizado, isto é, executado com uma coordenação de cima para baixo, do Astral Superior para o plano humano, de modo que, ele não diz respeito, de maneira alguma, ao estabelecimento de uma hegemonia elitista de grupos encarnados de umbandistas ditando as regras para os adeptos dos candomblés ou das encantarias e outros. Isto, não foi de modo algum conceituado desse jeito por Matta e Silva.

O que Matta e Silva discutiu foi o papel da Umbanda no contexto de toda essa confusão descrita por Pai Guiné, enquanto uma Corrente do Astral Superior formada pelos Espíritos dos antigos Babalawos, dos primitivos Sacerdotes da Ordem Dórica e dos primitivos Payés e Caciques dos Tupy-nambá e dos Tupy-guarany - que formam as raízes esotéricas da Umbanda- todos, com encarnações situadas na era pré-cabralina, quando essas antiquíssimas Entidades fizeram parte de coletividades que estavam no apogeu dos seus ciclos evolutivos. Logo, falar de um processo dialógico, falar de "porosidades" ou canais de interconexão da Umbanda Esotérica, da maneira como se tem sido colocado por Rivas Neto, na prática é; mesclar a Umbanda com todo esse caos, bem observado e descrito com segurança por Preto-velho ao “zi-cerô”. Nesse sentido foi que Pai Guiné afirmou acima: "Nessas conversas, tentarei deixar bem definida, pelo menos, uma questão que foi e é o marco que separa a Umbanda propriamente dita, das consideradas como suas ramificações históricas, religiosas e místicas."

 

Destacamos que na medida em que Matta e Silva revelou a Umbanda em sua estrutura interna ou esotérica, dentro do encaminhamento supracitado por Pai Guiné, foi que ele passou a selecionar valores, guiados por essa Entidade de Lei, para a Umbanda Esotérica, a partir de uma gama de conhecimentos especializados, estando, portanto, articulados com a dita Proto-Síntese Relígio-Científica - aqui sim, pode-se falar que a Umbanda foi refundida, retificada e ratificada através de Matta e Silva , pois:

  1. fala-se nesse momento de certa adaptação da Tradição Esotérica com o contexto histórico-social do Brasil, a fim de propiciar um maior grau de interacionismo psicológico das coletividades com a Umbanda em seus aspectos mais internos (pela iniciação);
  2. estabelecendo com isso, um portal para que esta coletividade pudesse acessar a Espiritualidade; já que obviamente, o homem não deixa de ser em parte, dentro de sua complexidade subjetiva multideterminada, um agregado de relações sociais dinamicamente concretizadas no indivíduo, como um produto da história que vem se desenrolando até o seu presente momento, cabendo à iniciação conjugar harmonicamente o sociológico variável com o Espiritual imutável e, este último, por sua vez, ressignificando o plano social a partir da consciência de sua imutabilidade;
  3. eis, o processo dialógico que é de fato e de direito estabelecido pela Iniciação na Lei de Umbanda;
  4. eis o processo de circularidade que na verdade faz a consciência decolar do plano social para o patamar Espiritual de pura consciência, sem qualquer tipo de mediação sociocultural interposta entre o ser e a realidade; 
  5. eis o que fora dito pelos nossos mais velhos:“e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” :EIS A REAL VIA DE INICIAÇÃO QUE NA LEI DE UMBANDA, É ESTABELECIDA PELA SUA CORRENTE ASTRAL ANCESTRAL NO PLANO DO ESPÍRITO VIRGINAL.

Ora, a questão que surge no meio social, contudo, é que ele apresenta mediadores - com os seus significados e os seus significantes- que interferem profundamente com a conexão espiritual do indivíduo enquanto ser consciente, dotado do livre arbítrio, os quais apresentam, com efeito, contrapartidas monolíticas, que se revelam como poderosas barreiras atávicas à evolução espiritual de toda  coletividade, como foi e ainda é o caso das coletividades que são afins com a Umbanda. Portanto, grande parte da missão de Matta e Silva foi aquela de separar o joio do trigo nessa questão. Isto é, quando Matta e Silva fala que a Umbanda Esotérica seleciona valores, não é de modo algum no sentido de elitizar a mesma, e sim o de apontar para todo um conjunto de fatores, de aspectos, de concepções e práticas afins, que a Tradição da Umbanda apresenta, as quais de fato poderão pavimentar o caminho de uma real iniciação na sua Lei, a partir do Plano do Espírito em sua virginalidade.

Foi, portanto, dentro dessa concepção que escrevemos vários textos que questionam o encaminhamento de Rivas Neto, com sua suposta “Umbanda Esotérica renovada”, pois o mesmo é postulado a partir de premissas das quais quando analisadas mais de perto, deixam patente a seguinte fragilidade: a dita “Umbanda Esotérica ratificada” é apresentada a partir de teses que tem uma circularidade circunscrita ao patamar sociológico, de modo que elas decolam e recaem sempre sobre os mesmos aspectos limitantes e confusos, que de forma alguma, deflagram uma positiva iniciação na Lei de Umbanda. Pois se prendem unilateralmente a laços de ligação culturais e sociológicos entre as diversas práticas religiosas dos Candomblés e das Encantarias com a Umbanda Esotérica, mas que, todavia, não dão conta de explicar como este tipo de conexão é processada e sistematizada no Plano Relígio-Científico da Umbanda em sua Ancestralidade.

Quando falamos de perspectiva iniciática ou do Plano Relígio-Científico da Umbanda em sua Ancestralidade, falamos da Lei do Verbo, expressa por Pai Guiné D’Angola como; representada por sinais cabalísticos, com energia magística potencial e cinética capaz de realizar trabalho astral e físico propriamente dito, a fim de processar ações que promovam e sustentem o equilíbrio cármico, dando conta de toda a sua sua dinâmica multidimensional, sendo estas ações equilibrantes produzidas e efetivadas pelas paralelas ativa e passiva em ação coordenadora pela Lei de Umbanda (a qual se contrapõem ao caos), as quais assim, ratificam à instrumentalização e operacionalização da dita Lei de Umbanda, na pluralidade de seus diversos planos de atuação, executando a partir desse modus operandi, os respectivos reajustes cármicos nas diversas instâncias - desde a esfera planetária até a individual-, através das suas Entidades militantes, que assim, portam ordens e direitos de trabalho para tal militância e intermediação de forças, para a efetiva promoção da execução da Lei. Estes sinais por força da Lei do Verbo são tradutores de sons divinos, os quais são profundamente inseridos e utilizados como parte da instrumentalização das Entidades na execução de suas ordens e direitos de trabalho, dentro do contexto citado atrás. Portanto, esses sinais organizados por uma TOTALIDADE VIVA NA LEI, são capazes de operar diretamente ou de reagir sobre o Plano Astral, sobre os ditos Espíritos da Natureza em toda a sua hierarquia e sobre todas as qualidades de formas-pensamento individuais e coletivas. Assim, é dito que as Entidades da Lei de Umbanda operam sobre esses sinais cabalísticos – ditos como Lei de Pemba- usando-os na forma real de seus movimentos, de forma que: assim foi operacionalizada e firmada aqui no mundo físico, a Umbanda em seu aspecto esotérico ou interno.

Portanto, só existe uma forma do Sr. Rivas Neto provar a tese de uma “Umbanda ratificada”, com plena aquiescência das Entidades Superiores da Corrente Astral de Umbanda: através da própria Lei do Verbo. Pois se segundo Pai Guiné D’Angla a palavra Umbanda representa a única “chave” das antiquíssimas Tradições Esotéricas, que atualmente abre as “portas” aos verdadeiros conhecimentos da perdida Lei do Verbo, somente Ela poderá atestar ou comprovar que o que o Sr. Rivas Neto está falando é uma verdade.

Portanto:

a- prove-se como através da Lei do Verbo a Umbanda Esotérica revelada por Pai Guiné e outros Mentores é de fato "ratificada" através do Sr. Rivas Neto;

b- prove-se na Lei do Verbo como a Umbanda Esotérica, ESOTERICAMENTE FALANDO - e não no plano sociológico somente -, se articula por meio das ditas "porosidades", com as outras unidades religiosas ditas como Afro-Brasileiras e Encantarias dentro do tal processo de convergência;

 

c- prove-se pela Lei do Verbo como todo o encaminhamento dessa dita "ratificação da Umbanda Esotérica" positivamente age e reage sobre o plano Astral superior e inferior, com suas unidades de consciências elementais da natureza e elementares nos ciclos evolutivos de reajuste cármico-disciplinar;

d- prove-se como essa "ratificação se insere no planisfério Relígio-Científico da Ancestralidade da Umbanda ratificado através de Matta e Silva;

e- prove-se enfim, o porquê dessa ratificação ainda não ter sido mencionada pelas verdadeiras Entidades militantes na Corrente Astral de Umbanda.

Como até o momento ele não conseguiu fazer isso, tudo o que ele tem afirmado permanece insubstancial e arbitrário, do ponto de vista da narrativa, que foi estabelecida pelo próprio Matta e Silva, sobre a perspectiva relígio-científica. 

Em outras palavras, Rivas Neto fala que as Tradições são preservadas nos candomblés, nas encantarias e nas umbandas e que embora elas sejam entendidas como unidades, existiria certo intercâmbio ativo e interativo entre elas. Pontuamos nesse momento, contudo, a seguinte ressalva: este processo dialógico, qualificado como uma conversa interativa tem sido mais uma vez apresentado por Rivas Neto de modo pouco claro e genérico.

 Já o dissemos; a narrativa de Rivas Neto tem sido aquela de justificar uma "Umbanda Esotérica renovada", dentro de um modelo de convergência com as Religiões Afro-Brasileiras, tão somente a partir da grande elasticidade que o olhar sociológico permite, pois de fato, sem o amparo da iniciação ou da perspectiva relígio-científica qualificada por Matta e Silva, pode-se aglutinar ou mesclar  uma série de fenômenos sociológicos, culturais, linguísticos e outros mais, das religiões de matrizes africana e indígena com a Umbanda Esotérica. Todavia, do ponto de vista preconizado por Matta e Silva, esse encaminhamento levantado por Rivas Neto revela-se, repetimos; insubstancial e arbitrário.

Assim, voltamos a dizer: o que temos constatado, portanto, na era pós Matta e Silva, é que essas teorias que qualificam uma Umbanda Esotérica no atual momento como "retificada", "ratificada" e "refundida" por um "legítimo sucessor" do próprio Matta e Silva, estando à dita Umbanda, dentro de um processo de convergência com outras Religiões supracitadas, mostram tão somente um discurso preso ao campo sociológico e, justificado tão somente, pelas ciências sociais do nosso tempo.

O que isto significa do ponto de vista da iniciação na Lei de Umbanda?

Significa que esse tipo de discurso quando ponderado dentro de um contexto iniciático, concretamente suportado pelo Astral Superior da Corrente Astral de Umbanda, no processo sistemático e sistêmico de conscientização espiritual que ela propicia do Plano Virginal, acima qualificado, mostra-se tão somente situado no plano dos epifenômenos, os quais são incapazes de atuar nos aspectos causais de uma real iniciação na Lei de Umbanda.

A questão que surge aqui, portanto, é que; o modelo de Umbanda Esotérica concebido por Rivas Neto está calcado unicamente em epifenômenos, limitados ao plano sociológico, que por consequência, faz com que essa “Umbanda Esotérica ratificada” torne-se seguramente, incapaz de realmente mediar um caminho iniciático

Deve-se ficar claro que a iniciação na Lei de Umbanda, deve ser entendida como uma consequência direta da conexão positiva com o Plano Espiritual. Por conseguinte, o dito caminho iniciático teve as suas bases reveladas por Matta e Silva em suas obras, através de orientações que ele deixou como apontamentos que servem como uma espécie de bússola, para orientar, com indicadores seguros aqueles que se disponibilizam a seguir a Umbanda Esotérica.

Como sabemos disso?

Coloque em prática, dentro daquilo que lhe é possível, dentro do que está ao seu alcance, o que Matta e Silva deixou como orientação; com o tempo, as respostas seguramente surgirão na sua devida hora, saiba que acima de qualquer "mestre", você possui o seu mestre interior, que nunca dorme e sopra onde quer... Mas, todo cuidado é pouco, pois os preconceitos do ego obscurecido, ainda que este esteja se utilizando de um discurso a priori espiritual, irão gerar subprodutos na forma de teorias e práticas, que distorcem os ensinamentos espirituais, e estes, por seu lado, ainda que tenham validade no campo sociológico e se distribuam em uma diversidade de concepções e formas de expressão aceitas pela sociedade, não necessariamente possuirão força causal para estabelecer um caminho iniciático positivamente assistido pelo Astral Superior.

O que ocorre mediante a este processo é que temos constatado que os ensinamentos sobre a Umbanda Esotérica deixados por Matta e Silva, tiveram uma diversidade de desdobramentos, que foram contextualizados com outras práticas religiosas descritas acima, gerando novos fenômenos ou subprodutos de ordem cultural, religiosa, social, emocional, econômica e outros mais, mas que, todavia; não estabeleceram de modo algum, às condições necessárias para uma real iniciação na Lei de Umbanda. Tal é o caso, portanto, dessa “ratificação” postulada para a Umbanda Esotérica tão somente situada no plano dos epifenômenos.

 

 Assim Rivas Neto fala que as Tradições são preservadas nos candomblés, nas encantarias e nas umbandas e que embora elas sejam entendidas como unidades, existiria certo intercâmbio ativo e interativo entre elas. Pontuamos nesse momento, contudo a seguinte ressalva: este processo dialógico, qualificado como uma conversa interativa tem sido mais uma vez apresentado por Rivas Neto de modo pouco claro e genérico, sendo tão somente uma tese epifenômenica no que tange à Iniciação na Lei de Umbanda, alicerçada pelo Plano do Espírito.

 

Santa Paz

 

Tarso Bastos