Totalidade na Lei de Umbanda

 

 

Nesse caldeirão fervente da Umbanda, muitos são os chamados e poucos são os escolhidos.

Poucos são os escolhidos, não a título de querer se formar uma elite, que ostenta exclusividade e diferenciação, selecionando os contemplados e privilegiados perante a lei e, por seu turno, destacando e execrando os demais.

Muitos são chamados e não são escolhidos, porque suas próprias mentes não suportam e não querem ver, que vieram para a Umbanda para servir, e não para serem servidos.

Suas Entidades de Umbanda dão os nomes iniciáticos ao invés de seus velhos e conhecidos ´´nomes de guerra´´ e você sai por ai ostentando-os, dando ´´carteiradas iniciáticas´´ nos seus irmãos de fé?

Não meu irmão, você não é distinto por isso...

Você é comum, você é só mais um...

A questão não é, por si só, a revelação espiritual de nomes iniciáticos de Entidades Astrais e/ou do próprio iniciado, mas, essencialmente a maneira como essa questão tem sido encaminhada e propagada, de modo que, este tipo de comportamento tem revelado-se suspeito demais na grande maioria dos casos, onde nomes iniciáticos de Entidades Astrais de Lei sobrepujam nomes de guerra da real tradição da Umbanda. Isto, vêm soando muito mal, vai um imitando o outro, para não ficar ´´por baixo´´, de modo a acompanhar assim as ´´últimas tendências iniciáticas´´.

São concepções ordinárias e corriqueiras. São convicções que servem somente a um ´´eu´´ infantil e falido. Quem tem realmente sede e fome, não é atendido por elas.

Entre na fila dos que assim pensam como ti, e saiba que ela já se encontra bem grande.

Sua coroa mediúnica é formada por entidades no grau de Guias e, daí para cima, sendo os velhos protetores dispensados pelo seu psiquismo, porque são obsoletos e incapazes de dar conta do seu extraordinário potencial magístico e mediúnico?

Entre na fila meu irmão, você é só mais um neste quesito também e, este, comporta muitos e muitos que assim procedem dessa mesma forma que você.

Sabe por que não faz a menor diferença você receber um Protetor ou um Guia da Lei de Umbanda? Você já parou para realmente pensar sobre isso?

Sim, Matta e Silva em Doutrina Secreta da Umbanda especificou diferenças hierárquicas e funcionais, atribuindo aos Guias uma maior soma de conhecimentos e experiências, enquanto militantes da Corrente Astral de Umbanda. Não há que negar a diferença hierárquica entre os dois.

Todavia, em relação a você enquanto médium, isso não faz diferença alguma nesse sentido. Mas, por um outro lado, noutro contexto, isto pode fazer toda diferença. Só depende da sua humildade junto a um olhar mais profundo, pois à diferença está precisamente no que você percebe e em como você percebe à realidade em sua totalidade.

Pois, se você recebe um protetor, o mesmo é necessariamente como você sabe, ordenado por um Guia, Chefe de Grupamento, que por sua vez, cumpre ordens de um Orixá-Menor que é chefe de Sub-falange e assim, sucessivamente, até se chegar ao topo da hierarquia.

Sabemos que o sistema hierárquico da Lei de Umbanda é interdependente e perfeitamente coordenado de cima para baixo, conforme os ensinamentos de Matta e Silva. Óbvio, que os Espíritos de Protetores, Guias e Orixás-menores possuem cada qual a sua individualidade, sua consciência e sua experiência.

A GRANDE QUESTÃO AQUI, É QUE, NESTE CASO, NO QUE DIZ RESPEITO ÀS DINÂMICAS DAS INTER-RELAÇÕES DAS ENTIDADES MILITANTES NA CORRENTE ASTRAL DE UMBANDA, ESTAS DIFERENÇAS ENCONTRAM CONVERGÊNCIAS NA LEI, QUE ASSIM POSSIBILITAM UMA ATUAÇÃO EQUILIBRADA, UNIFORME, HOMOGÊNEA E INTEGRADA, SENDO ORA TRANSDISCIPLINAR EM UM CONTEXTO, ORA INTERDISCIPLINAR EM OUTRO, DE MODO QUE AS NECESSIDADES DO SISTEMA HIERÁRQUICO DA LEI DE UMBANDA SÃO SATISFEITAS COMO UM TODO.

O SISTEMA PORTANTO, MOVE-SE E, É DINAMIZADO COMO UM TODO HARMONIOSO E INTEGRADO, ASSIM COMO SE PODE OBSERVAR EM NOSSO CORPO FÍSICO. OU SEJA, CÉLULAS FORMAM TECIDOS, TECIDOS FORMAM ÓRGÃOS E ÓRGÃOS FORMAM SISTEMAS COMPLEXOS. TODAVIA, TODOS SERVEM AO CORPO FÍSICO EM SUAS NECESSIDADES. TODO O MOVIMENTO DA LEI DE UMBANDA É POR CONSEGUINTE, SISTEMATICAMENTE PROCESSADO EM BLOCO, CUJA ´´LÓGICA´´ TRANSCENDENTAL ESCAPA AO NOSSO ORDINÁRIO ENTENDIMENTO.

Assim, ainda que esses Espíritos da Lei de Umbanda tenham experiências, vivências e linhas de trabalhos diversificados, quer sejam em relação as sete variantes vibratórias originais (Os Sete Orixás Maiores), quer sejam por conta de sua posição hierárquica, a união de suas potências é, antes de tudo, um encaminhamento voltado para uma ação integrada, e coordenada pela Lei, que desse modo se expressa através das legiões, falanges, sub-falanges e grupamentos, até chegar aos integrantes de grupamentos.

Portanto, depreende-se que um protetor que foi aceito na Lei de Umbanda, assim o foi, por estar em condições afins, de equilíbrio e de harmonia, necessários para integrar-se plenamente com todo o Movimento Espiritual, expresso através da Lei de Umbanda por intermédio de suas Hierarquias Constituídas.

Assim sendo, um protetor concretiza em seu plano, essas expressões hieraquicas superiores, integradas e interdependentes com todos os planos pertinentes a Lei de Umbanda, que servem perfeitamente a esse sistema, dentro do princípio da totalidade, assim como uma célula de nosso corpo serve ao corpo como um todo integrado, onde o TODO é maior do que a mera soma de suas partes.

Um Protetor da Lei de Umbanda é também, portanto, um médium ou um intermediário entre sua hierarquia superior e seu plano de atuação, sendo por conseguinte, assistido por esse sistema e suportado em suas atividades, com uma maior ou menor "logística astral", de acordo com as demandas que surgem.

Logo, se o médium encarnado passa por situações que demandem uma intervenção maior por parte do Astral Superior, seu Protetor da Lei de Umbanda está de fato e de direito articulado com todo esse sistema espiritual multidimensional superior, para encaminhar às necessárias providências para dar conta do caso , sendo por isso, que se diz que ele é uma Entidade de Lei.

Como sabemos, as quedas ou fracassos dos médiuns, vem por conta de suas próprias decisões, jamais pela falha desse imenso sistema positivamente coordenado e de ordem superior.

Portanto, um médium de Umbanda não ´´recebe´´ ou trabalha somente com "um simples protetor" ou "um simples integrante de grupamento".

Antes de tudo, o médium participa e interage, com toda essa imensa dinâmica existencial e multidimensional, que é processada pela Corrente Astral de Umbanda de plano a plano, até chegar ao nosso, aqui na dimensão física.

A diferença é: o quanto o médium pode perceber o que está acontecendo através da sua mediunidade.

Se ele tiver ´´olhos de ver´´, poderá sentir em seu íntimo, o trabalho de toda uma hierarquia, que jamais abandonou os seus filhos de fé que buscam com sinceridade, vencer a si mesmos.

 

A DIFERENÇA ESTÁ NO GRAU DE CONSCIÊNCIA DO MÉDIUM, E NÃO NO GRAU HIERÁRQUICO DA ENTIDADE.

Inverter essa dinâmica é, em um certo sentido, colocar a carroça na frente dos bois, e mais uma vez, olhar para fora e esquecer o que está dentro de você.

Muitos são chamados e não são escolhidos, porque suas próprias mentes não suportam e não querem ver, que vieram para servir, e não para serem servidos.

 

Santa Paz

 

Tarso Bastos e Rogério Corrêa