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1-Reflexões sobre a Raiz de Guiné
1-Reflexões sobre a Raiz de Guiné

REFLEXÕES SOBRE A RAIZ DE GUINÉ E O PAPEL DO SITE UMBANDA DO BRASIL 

 

Para quem ainda não conhece o legado deixado através de W. W. da Matta e Silva, o site Umbanda do Brasil, estruturado por um iniciado e trabalhador dessa Raiz, apresenta importantes amostras dessa estrutura de conhecimento, que ficou conhecida como: Raiz de Guiné.

 

Matta e Siva publicou uma série de 9 obras, que revelam fundamentos e práticas, com conceitos devidamente respaldados por uma autorizada bibliografia, constituída por autores abalizados e de renome em suas respectivas áreas de conhecimento.

 

E tal fundamentação é de suma importância, pois não se trata apenas de alguém que surgiu ´´do nada´´ e simplesmente se conceituou como fundador de um novo paradigma, de uma nova visão e norteamento, através de sua mediunidade. Certamente não foi este o desenrolar de Matta e Silva em sua estrada mediúnica. 

 

Pois em suas obras verifica-se, sobretudo, nos pilares fundamentais, que sustentam todo esse sistema dito Religío-científico, a comprovação de estudos históricos, antropológicos, etnográficos entre outros. E esta bibliografia ainda que possa ser categorizada como antiga e ultrapassada, ainda se faz respeitada, e serve de base para trabalhos que são produzidos na atualidade.

 

Evidentemente, que muito do que é apresentado e conceituado nas suas obras, choca-se frontalmente com o que a realidade apresenta nos terreiros, cujos adeptos afirmam ser de Umbanda. E este é um dos pontos mais críticos que merecem atenção, pois grande parte do que é discutido na obras de W. W. Matta e Silva é justamente, o porque da existência de tanta confusão, deturpação e inversão de valores dentro da Umbanda, especialmente nos aspectos da mediunidade e da concepção humana estereotipada que se tem de suas Entidades Militantes.

 

Por conseguinte, Matta e Siva faz uma ampla e profunda análise, desde a era pré-cabralina com às civilizações indígenas do Tronco Tupy, e a Sabedoria dos Velhos Payes no Tuyabaé Cuaá, entrando nos aspectos da antiga África com a perda do conhecimento, outrora passado oralmente, de Babalawô para Babalawô. Entra também no ocultamento das chaves do Conhecimento-Uno, especialmente ocorrida na Índia através do Cisma de Irshú, o qual resultou na falsificação da Cabala e na deturpação dos conhecimentos, que nos chegam fragmentados e alterados.

 

Matta e Silva integra e correlaciona, dentro de uma perspectiva iniciática ("de dentro para fora" no aprofundamento do saber), todos estes fatos históricos relacionados ao meio umbandista, analisando o seu desdobramento, evolução e impacto dentro desta coletividade. Onde elementos ritualísticos e litúrgicos já degenerados dos povos africanos e indígenas, passaram a se misturar frente ao natural intercâmbio dessas duas raças, juntamente com os elementos do catolicismo romano, estigmatizados na raça branca e posteriormente mesclados ao Kardecismo vindo da França, além de outros.

 

O produto de toda essa imensa e complexa interação racial, apresentou-se como uma fusão de usos e costumes, de concepções religiosas e místicas, desdobrando-se por sua vez, em aspectos multidimensionais e multifatoriais, que escapam à nossa compreensão humana ainda muito limitada. Por conseguinte, essas crenças sobremaneira atávicas, passaram a impulsionar toda uma massa crescente de adeptos, e inevitavelmente muita confusão surgiu e evoluiu a partir de todo este processo.

 

Matta e Silva enfim, discute e promove amplas reflexões, sobre como toda essa inversão de valores e a perda de determinadas chaves de conhecimento, redundaram em uma tremenda confusão no meio umbandista, e contextualiza isso tudo, com os parâmetros religiosos e científicos mais adequados e pertinentes para a Umbanda, dentro do seu atual ciclo, segundo os ensinamentos de suas Entidades Astrais, de fato e de direito.

 

Fazemos, todavia uma advertência, quando embarcarmos na rota de construção do saber contido na Umbanda Esotérica. É fundamental a correta compreensão a respeito da iniciativa assumida por Matta e Silva, de em parte, aliar sua obra com toda uma estrutura bibliográfica de suporte. A tese que afirma que Matta e Silva apresentou suas obras dentro de um formato cientificista, isto é, relativo à aplicação pejorativa de uma ciência livresca no campo dos estudos da Umbanda, no sentido de ´´agradar a elite branca´´, é inacurada, e reflete a ingenuidade e superficialidade de crenças e pressupostos equivocados, que externam essa concepção. 

 

É necessário refletir que o estudo da Umbanda é por demais sobredeterminado, existindo uma multiplicidade de variáveis, causas e fatores que naturalmente justificam a ciência como um necessário apoio. Apoio esse indispensável para de certa forma, organizar esses dados em uma estrutura de conhecimento coerente e assim, poder comunicar e tornar tangível determinados aspectos do fenômeno espiritual consubstanciado na natureza, facilitando, portanto uma correta compreensão e acesso a determinadas chaves de conhecimento transcendental. 

 

Tal posicionamento crítico que desqualifica a obra de Matta e Silva existe simplesmente por um único motivo: Quem assim pensa e propaga essas ideias, de fato não viveu a partir de uma perspectiva interna a iniciação na Raiz de Guiné, e a partir do substrato espiritual que essa vivência iniciática proporciona na subjetividade do indivíduo, não teve condições de integrar este processo com a realidade externa em seus aspectos empíricos e científicos, de modo a transcodificar o Espiritual no campo material e assim por sua vez, conjugar harmonicamente o sociológico variável com Espiritual Imutável.

 

Se este processo iniciático, de mão de via dupla, descrito não ocorre, tudo mais o que é conceituado em relação à Umbanda Esotérica, particularmente no sentido da mesma encontrar-se dentro de um ´´movimento de convergência´´ com outras manifestações religiosas, especialmente das ditas Religiões Afro-Brasileiras é falacioso.

 

O objetivo da Umbanda Esotérica não é estabelecer uma política de dominação e muito menos um aparelhamento sociopolítico voltado para a colonização do saber, seja ele qual for.

 

"A Umbanda Esotérica não é uma sub-divisão da Umbanda Popular; fruto da vivência Iniciática, ela é o eixo direcional da metamorfose religiosa nacional, que vai elevar a Umbanda à sua forma mais estável." (Livro: Pemba a grafia Sagrada dos Orixas Autor Ivan H. Costa - Itaoman)

 

Santa Paz

Tarso Bastos