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Entrevista com Matta e Silva
Entrevista com Matta e Silva

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Perfil de Matta e Silva

Sábio e erudito pesquisador da Umbanda 

Seu nome completo é Woodrow WiIson da Matta e Silva, que lhe foi dado em homenagem a um dos presidentes dos Estados Unidos (l9l5). Nasceu no dia 28 de junho de 1916, numa cidadezinha do estado de Pernambuco: Catende. O mesmo que Katendê¹ (Orixá do Tempo dos Nagôs), e de lá saiu para o Rio de Janeiro. Onde residiu.

Desde menino se dedicou às letras, tendo colaborado em revistas, jornais etc. Porém. somente em 1954 foi que começou a escrever sobre a Umbanda, tendo lançado em 1956 o livro "Umbanda de Todos Nós", cumprindo uma ordem de seu mentor espiritual, Caboclo Velho Pajé. Praticou e estudou a mediunidade por mais de 40 anos como um iniciado. defendendo uma religião, uma doutrina. uma filosofia que é a Umbanda do Brasil.

Livros: Umbanda de Todos Nós; Sua Eterna Doutrina; Lições de Umbanda e Quimbanda na palavra de um Preto-Velho; Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda; Segredos da Magia de Umbanda e Quimbanda; Umbanda e o Poder da Mediunidade; Umbanda do Brasil; Doutrina Secreta da Umbanda; Macumbas e Candomblés na Umbanda.”

Entrevistar Matta e Silva é um privilégio raríssimo. Considerado um dos primeiros divulgadores de nossa doutrina no Brasil. Grande estudioso dos cultos afro, Matta e Silva é respeitado como intelectual e sério pesquisador das origens e mistérios da Umbanda.

Aqui estão respostas que consideramos de alto valor para elucidação dos leitores, podendo provocar aprovação e aplausos, como também causar polêmica e discordância. Mas, de qualquer forma, partindo de quem as produziu, deverão, não só fixar uma posição definida da filosofia do entrevistado, como também contribuir para o maior conhecimento de nossa religião.

 

Qual a origem da Umbanda?

A Umbanda tem dois lados: o esotérico e o exotérico, ou seja. o interno (esse que guarda o valor de seus fundamentos dos ritos secretos e que estuda e ensina sua ancestralidade através das raças etc.) e o externo, que é o lado que chamamos de "Umbanda Popular", cheia de crenças, crendices, superstições e mitos onde misturam tudo, menos a mediunidade de fato.

A origem da Umbanda popular está aqui mesmo no Brasil, e surgiu no grito do Caboclo Curuguçu e no advento do Caboclo das Sete Encruzilhadas e de outras Entidades Espirituais que, simultaneamente, surgiram em varios terreiros, revelando o termo Umbanda como bandeira de um novo movimento, em face da poluição espiritual, moral e da magia negra. Temos uma obra no prelo. que sairá em fins de julho - "Umbanda e o Poder da Mediunidade", ampliadíssima, que define tudo isso, ponto por ponto.

Qual o valor do sincretismo entre os santos da igreja católica e os Orixás?

No sentido real. nenhum. Na vivência da Umbanda popular, serve como valor místico, sugestivo e relativo.

Como se explica a evolução da Umbanda no Brasil?

O povo tem conflitos. angústias e um sem número de problemas. Nenhuma religião vinha respondendo a seus apelos mais diretos e concretos. Como pagar a psiquiatras. psicanalistas etc.? Como pedir, desabafar, chorar? Só nos terreiros mesmo. É só encontrar Caboclo e Preto-Velho de verdade, que será consolado, compreendido, ajudado e curado. Daí é que tudo foi crescendo; os adeptos e os terreiros, já na base dos 150 mil, por esses Brasis afora.

A Umbanda é Espiritismo somente ou é também Doutrina Espírita? Qual a diferença?

A Umbanda não é e não incorporou nada. diretamente, dessa Doutrina dita Kardecista. Reencamações, reajustamentos (a Lei de Conseqüência, o mesmo Carma dos Orientais) pela dor, pela vivência humana, são pontos de doutrina tão antigos quanto os livros sagrados de todos os povos ou raças do mundo. Até entre nossos antiqüíssimos pajés. tudo isso era conhecido pela sabedoria dos Velhos. O TUJABAE-CAÁ. A diferença? Da água para o vinho. A Umbanda tem Iniciação, Ciência dos Ritos Sagrados, Magia, Metafísica e Filosofia inéditas (vide Doutrina Secreta da Umbanda).

Os rituais de Umbanda podem ser chamados de Magia Primitiva?

Os ritos da maior parte dos terreiros de Umbanda popular são ainda muito primitivos e fazem "coisas" que pensam ser magia.

A que se deve a discrepância de conceitos e ensinamentos encontrados na literatura de Umbanda?

Livros e mais livros têm surgido como literatura Umbandista. aos borbotões. Porém na sua maioria, são de narradores e aproveitadores e não de autênticos escritores-pesquisadores, sobretudo de escritores iniciados de gabarito, para ensinar a Doutrina de Umbanda do Brasil. Esses citados narradores e aproveitadores vêm com esse tipo de literatura, alijando a fé e o psiquismo dos que tem se apoiado nela. "Serão chicoteados nos 'Tribunais do Astral"... Não perdem por esperar...

Sabendo que os Orixás são forças divinizadas da Natureza e que o sincretismo religioso foi o responsável pela sobrevivência do culto africano em nosso meio, como, hoje, poderemos nós estabelecer relação verdadeira entre os santos católicos e os Orixás, sabedores que somos da falta de contemporaneidade entre eles?

Os Orixás nunca foram considerados "forças divinizadas da Natureza" entre os Nagôs. Forças ou elementos da natureza são os íons. os elétrons, os prótons, os átomos, as correntes eletromagnéticas e, por extensão, os raios. os trovões, os ventos, as tempestades etc. Mas isso tudo não são os Orixás e nem forças no sentido de divinizadas, são elementos da Natureza, já ouvimos um Pai-de-Santo dizer na televisão que o Orixá Xangô era a pedra...

Orixás (ori - cabeça: xá ou sá - dono. senhor) sempre foram venerados entre os Nagôs como divindades (habitantes do Orun, isto é, do além, do astral superior), como Potências Espirituais; inteligências que comandam forças ou os elementos da Natureza. Esses ditos escritores "fajutos" vêm complicando tudo. Não há relação direta entre os santos católicos e os Orixás, pelo menos entre os principais Orixás, a não ser a título de ilustração esotérica: Yemanjá poderia ser O “Ànjo-de-Guarda" de Maria ou Myriam de Nazaré, a mãe carnal de Jesus.

Yemanjá seria seu 'Ânjo-de-Guarda". no sentido de ser uma mentora cármica superior: como a mãe do Eterno Feminino.

Como a Umbanda deve ver Exu?

Exu na Umbanda popular é tudo: diabo chifrudo, bicho-papão e outras coisas assim.

Em verdade, é um Espírito em função cármica disciplinar. Serve como agente intermediário, da Direita para a Esquerda, da Luz para a Sombra. Os Exus são uma espécie de Polícia de Choque no astral inferior; todos já passaram pela vida carnal.

A Umbanda seria uma religião milenar?

Sim. A Umbanda é uma religião milenar, sua raiz, ou seja. seu verdadeiro sistema está em todos os templos iniciáticos do mundo. desde os da Ásia Oriental, Índia, Egito etc. O sistema religioso e iniciático da Umbanda Esotérica é a mesma Ciência dos Magos de todos os tempos, quer fossem dos santuários da Lhassa. do Agharta e quer fosse praticado pelos Essênios do Mar Morto, quer o mesmo Tujabaé-Caá de nossos antiqüíssimos pajés, quer fosse ainda aquele praticado e ensinado pelos antigos Babalaôs.

Existe alguma semelhança entre os deuses da Mitologia e os Orixás?

Não.

Qual o verdadeiro significado do Orixá Omolu e por que a Umbanda o considera chefe de uma das Legiões de Exus?

Omolu, Xapanã ou Obaluaiê é um Orixá Divino. Tinha culto e sacerdócio próprios entre os nagôs. Era o único Orixá que tinha. exclusivamente, o jogo de Búzios. Os outros Orixás não falavam por jogo de Búzios. Era considerado uma espécie de disciplinador cármico, referente às epidemias, às pestes ou às doenças de tipo coletivo. já dissemos que na Umbanda popular misturam tudo; esse Omolu não é chefe de nenhuma falange de Exu ou de Legião deles.

Qual a diferença entre o médium consciente e o inconsciente?

Vide nossa obra "Umbanda de Todos Nós". Ela explica e deline essa questão.

O que é a Magia? Como ela é vista na Umbanda?

Magia mesmo, não se deve explicar para os leigos e nem para o umbandista não-iniciado. Na Umbanda Esotérica, Magia é um de seus principais vértices.

Qual a ligação da Umbanda com o Candomblé?

Muito pouco. Somente considerou alguns de seus orixás por serem termos sagrados desde suas origens, pelas Leis ou Ciência do Verbo, da Cabala original - ário-egípcia, onde os primitivos sacerdotes de alto grau da raça africana aprenderam quando estiveram radicados às margens do Alto Nilo, no Egito.

Como o indianismo passou a fazer parte e influenciar a Umbanda?

O chamado indianismo também contém verdades esotéricas, que não são privilégio dele. A Umbanda Esotérica repele 80% do que os livros orientalistas vem ensinando para o Ocidente.

Caboclos e Pretos-Velhos são Espíritos de luz que para facilitar a aproximação cultural se identificam como tal?

E claro, são de alta sabedoria. O lema deles é saber se comunicar com o povo. Ou seja. com os de menor ou de baixa cultura - os mais necessitados. jesus praticava entre a plebe.

A Umbanda pode ser intitulada uma religião genericamente nacional? Seria então a de tão almejada cultura brasileira ou a cultura é uma só?

Sim. Ressurgiu aqui com um sistema e um propósito. Preservadora da antiga cultura religiosa e esotérica dos antigos mistérios.

Por que existem tantos rituais de Umbanda praticados em tantos lugares? A Umbanda é uma só ou existe mais de uma Umbanda?

A Umbanda verdadeira é uma só. A diversificação de conceitos e rituais vão por conta da ignorância de seus crentes, e muito mais dos falsos médiuns, mentores, dirigentes e exploradores dela.

Há teorias novas de vários autores, sociólogos e pesquisadores do culto, que diferem muito das suas, gerando "confusão". O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Cremos que certos autores e pesquisadores estão decalcando suas teorias das coisas que foram ver e observar nessa vivência atrofiada de terreiros sem base, por meio de um animismo desenfreado, difuso e confuso. Eles não são iniciados e nem revelaram ter cultura esotérica.

Não enxergam o trigo no meio do joio. Existe uma grande diferença entre o narrar fantasias, lendas e místicas doentias e o levantar e sustentar a filosofia de uma Doutrina, enfim, de um sistema religioso, espíritico, mágico. mediúnico e esotérico...

Essa é que é a verdade.

Fonte: JORNAL ARUANDA - Agosto de 1978