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27- CONSCIÊNCIA: A PÉROLA QUE NÃO SE DEVE ATIRAR
27- CONSCIÊNCIA: A PÉROLA QUE NÃO SE DEVE ATIRAR

CONSCIÊNCIA: A PÉROLA QUE NÃO SE DEVE ATIRAR AOS PORCOS 

 
 Os meios de dominação patrocinados pelos egos com ´´adicção pelo poder´´ se expressam em praticamente todos os setores da sociedade. Adicção, se refere ao padrão de comportamento de consumo de drogas compulsivo e destrutivo. Assim, colocamos este termo entre aspas ligado ao poder, porque de fato, o poder causa uma esmagadora dependência do indivíduo, que ao buscá-lo de forma imponderada, imoderada e compulsiva, termina por ser escravizado por ele, na ânsia incontida por mais e mais poder, de modo que não há fim para isso.

 Falamos aqui do poder nas esferas material e espiritual do trabalho, buscando propiciar um substrato consistente para uma reflexão crítica sobre a Umbanda na atualidade e, como o indivíduo inconsciente de sua realidade espiritual ao manejar o poder, pode se transformar em um verdadeiro agente do caos, terminando por arruinar às relações de equilíbrio, muitas vezes de delicada textura, que são necessárias para a evolução da coletividade umbandista.

 Portanto, a Sociologia do Trabalho nos mostra que embora as ferramentas do trabalho possam ter mudado profundamente, continua a vigorar o cenário  de um sistema em que o trabalhador, ao trocar sua força de trabalho por um salário, não sendo mais dono dos meios de produção, fazem com que esses meios, passem para o domínio da classe burguesa que, ao vender suas mercadorias produzidas pelos trabalhadores, atribuem um sobrevalor ao produzido, obtendo uma mais-valia ou lucro as custas de uma profunda desigualdade e injustiça na sociedade. 

 No meio religioso, tendo por base uma reflexão especialmente feita dentro da Umbanda, encontramos certas estruturas de relações, algo similares com o cenário trabalhista na questão ´´dominador versus dominado´´. Por conseguinte, temos o umbandista com sua força potencial inteligente inata, que, através da consciência é capaz de produzir transformação na matéria e, portanto, de realizar trabalho independente (por via de seu livre arbítrio) neste mundo, para produzir sua evolução espiritual.

 As Entidades de Umbanda nos ensinam  que no pleno exercício de nosso livre arbítrio, somos em nossa razão de ser, impelidos para o ´´conhece-te a ti mesmo´´, o qual inexoravelmente, envolve um processo sistemático de conscientização de nossa parte das realidades Divinas em suas eternas leis. 


Contudo, vieses vários surgem incessantemente nesse processo de tomada de consciência em relação a questão: Quem eu sou aqui e agora?   

 
Integrando essa questão dentro do campo da Umbanda, com os seus elementos 
relativos:

  • - Aos dirigentes espirituais encarnados;
  • A natureza do terreiro que é estabelecida;
  • - Ao entendimento que se tem sobre a mediunidade e a iniciação,

 

O filho de fé  tem nesse cenário, à sua força de trabalho espiritual executada para melhor ou para pior. Ou seja,  ele detém a capacidade de empreender todo um movimento para transformar peguntas em respostas por meio da sua busca ativa, norteada  pelos Supremos Ensinamentos do Cristo, que também revelam que cada qual deve carregar a sua cruz. Isto é, o suporte dos Mentores Astrais e de todos os irmãos carnados e desencarnados  é indispensável, todavia, eles somente ajudam-nos a encontrar o portal; a responsabilidade de atravessa-lo? Cabe a nós. 

 
 Lembremos sobre o trabalhador que ao trocar sua força trabalho por um salário não é mais dono dos meios de produção, e transportemos isso, para a realidade umbandista. Nesse caso, poderemos ver o filho de fé que desloca sua responsabilidade pela busca de si, para outro, que se arvora como sendo um superior seu, de tal modo, que a  força de trabalho espiritual deste filho de fé no mundo, passa a ficar inteiramente submetida à vontade e ao imaginário deste outro, que não pode dizer quem ele é, especialmente quando o ele próprio ainda não é possuidor de tal prerrogativa, e ainda que fosse, também não teria como conferir diretamente este tipo de resposta.

E a razão deste não poder responder a essa pergunta talvez se deva, ao fenômeno existencial de ambos serem individualidades com naturezas distintas e incriadas, ao mesmo tempo em que por outro lado, são semelhantes na medida em que resgatam seus carmas dentro de uma mesma situação cármica causal, desencadeada pela ruptura do Carma Original no Reino Virginal, terminando por caírem juntos nessa Via de Evolução dependente de matéria. Ambos caminham na penumbra da forma...  

 
 Eis o quadro patológico comum de muitos terreiros de Umbanda, onde o  filho de fé passa a ser necessariamente dominado pelo  dito Pai-de-Santo, Mago e Mestre Tântrico Curador de Iniciação Coroado no 7°grau do 3°, 4°,5°.. ciclo ( ou como queiram),  que assim, tal e qual os burgueses, passam a atribuir um valor sobredeterminado por sua vaidade, aos valores que de fato e de direito deveriam eclodir da consciência do filho de fé, através da sua busca incessante pela verdade, sendo portanto, um tesouro de  valor inestimável que ladrão nenhum poderia lhe furtar.

 
  Em suma, toda a ordem dos valores espirituais que junto ao suporte e assistência das Entidades Astrais deveriam ser um legado original ou genuíno do filho de fé, passam agora pelo crivo do dito Pai-de-santo-Sacerdote-Babalawô, que assim estabelece e estigmatiza a sua dominação na alma do dominado.

 Infelizmente, em muitos e muitos casos, o filho de fé não deve ser totalmente vitimizado, pois que o galardão da vaidade é configurado aos olhos do mundo, como elevados postos de iniciação prometidos por esse ditos ´´Mestres de Iniciação de Elevados Ciclos´´, que em verdade, passa a ser o salário que muitos buscaram e ainda buscam, mas que no final,  conduz ao fatal reencontro com suas próprias consciências. 

 
 Muito se fala de iniciação, pouco se tem estudado ou compreendido sobre a consciência, que ainda segue quase que insondável na sua relação com o processo iniciático. Acreditamos que a razão de ser da iniciação é a conscientização  e, que dessa maneira, a consciência  é mais importante do que qualquer iniciação, pois sem consciência não existe iniciação ou em outras palavras, a iniciação é o produto final da realização do processo de tomada de consciência nos seus variados graus de compreensão da verdade.  

 
 Entendemos que dentre outras concepções, a iniciação também  se traduz por um processo de evolução espiritual de natureza holística e interdependente com toda a existência,  a partir da crescente conscientização do sujeito em seu microssistema com o  universo multidimensional perfeitamente integrado e coordenado pela Lei  em seu macrossistema, tanto por dentro, como por fora do cronossistema padronizado ou regulamentado pelo homem, cujos métodos iniciáticos, atuam tão somente como facilitadores ou catalisadores deste processo essencialmente Espiritual, estabelecendo a partir da expansão progressiva da consciência o caminho iniciático -´´o Religare Original´´. 

 
 Assim, na ´´mais-valia´´ do pai-de-santo sobre o filho de fé, o que em parte tinha sido dado ao último de graça pelo Astral Superior e, em parte, tinha sido uma aquisição deste filho de fé, como produto de sua evolução, às custas de lágrimas e sofrimentos vários  pelos patamares do resgate cármico nas  suas sucessivas reencarnações, é colocado ´´de bandeja´´ nas mãos deste ´´líder´´, que  passa então a ter o domínio sobre o que é de fato e de direito do dito filho de fé: A sua Consciência. 

 
 

Santa Paz 

Tarso Bastos