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A vida e a obra do mestre W. W. Matta e Silva
A vida e a obra do mestre W. W. Matta e Silva

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Novos Esclarecimentos

 

Estamos dando sequência a esse trabalho o qual continua com o objetivo único de divulgar o grande legado deixado pelo médium W.W. da Matta e Silva, em cumprimento às ordens do Astral que o acobertou em sua última encarnação.

 

Tendo em vista nossa intenção inicial de editar uma pesquisa que já nasceu com a pretensão de ir sofrendo as alterações necessárias, conforme novos dados, documentos e fotografias fossem sendo coletados, é com prazer que apresentamos essa 2ª edição atualizada.

 

O título inicial Yapacani – Vida e Obra foi substituído por A vida e a obra do grande mestre W. W. Matta e Silva pois, segundo os dois mais antigos mestres da Tenda de Umbanda Oriental, Mestre Itaoman (Ivan Horácio Costa) e Mestre Yassuamy (Mário Tomar), Yapacani não era o nome iniciático de Matta e Silva, e sim um de seus Guias Espirituais, desta forma, acreditamos ser mais coerente o título atual. Adiante damos maiores detalhes sobre esse assunto.

 

As demais alterações e novas adições constam em notas ou no próprio corpo de cada tópico dessa pesquisa.

 

O presente trabalho continua sendo dividido da seguinte forma:

Parte I - Introdução

Parte II - Cronologia 

Parte III - As obras

Parte IV - O homem

Parte V - O terreiro

Parte VI - Documentário

Parte VII - Artigos

 

Nossos respeitos e agradecimentos a todos aqueles que, de alguma forma colaboraram com esse trabalho: Jairo Nilton P. Souza (MG), pelos relatos e materiais enviados; Ivan H. Costa (RJ), pelos relatos e algumas correções na pesquisa; Mário Tomar (RJ), pelos relatos e algumas correções na pesquisa; Mauricio Omena*(RJ), pelos relatos e cópia de algumas capas de livros antigos e a Helena Ignez** (RJ) que tão gentilmente nos enviou a cópia do único documentário da qual Matta e Silva participou.
 
(*) Maurício Omena, após o desencarne do Capitão Lauro, fez parte da corrente de Itacuruça, de 1984 até o desencarne de Matta e Silva, tendo como padrinhos Mário Tomar e Salete. Foi ele quem entregou os manuscritos do Capitão Lauro ao mestre Matta, conforme consta na obra Lições de Umbanda e Quimbanda na Palavra de um Preto Velho (5ª edição pag.127)
(**) Helena Ignez é viúva de Rogério Sganzerla, cineasta que produziu o documentário.
 
O resgate à memória desse grande médium se faz necessária àqueles que seguem ou pretendem seguir os fundamentos dessa tão mal compreendida Umbanda Esotérica.
 
Administração
abril/2015

 

 

 PARTE I

Introdução

                           

Em 1988, desencarnava o médium brasileiro, através do qual se manifestou Pai Guiné de Angola, um grande enviado do Astral, que viria revolucionar os conceitos doutrinários da Umbanda. Passadas mais de duas décadas, o autor de Umbanda de Todos Nós continua estimulando estudo e reflexões no seio umbandista.Médium considerado excepcional, crítico, pesquisador, escritor http://images.comunidades.net/umb/umbandadobrasil/image002.pngreconhecido internacionalmente, autor de nove obras importantes que revelam o hermetismo da Umbanda, em 17 de abril de 1988, W.W. da Matta e Silva encerrava sua missão na Umbanda, aqui no Plano Físico.  

 

Durante meio século de incessante trabalho mediúnico, visitou centenas de terreiros para poder relatar, em suas obras o que se passava dentro do Movimento Umbandista, utilizando com maestria a palavra e a escrita como armas fiéis na defesa da verdadeira Umbanda e trazendo à luz seus aspectos esotéricos.

 

Conhecido também por Mestre Yapacani [1] [2], foi fundador da Tenda de Umbanda Oriental, fixada na Terra da Pedra da Cruz – Itacuruçá [3], a qual veio a tornar-se a Primeira Escola Iniciática de Umbanda Esotérica do Brasil.

 

Vinte e sete anos depois, ainda é difícil dar uma definição exata do papel que ele desempenhou na Umbanda do Brasil. A obra do mestre continua sendo lida por muitos, estudada por poucos e assimilada por uma minoria.

 

 [1] Matta e Silva ficou conhecido como Mestre Yapacani, que na verdade era seu mentor espiritual. Essa revelação consta também na obra Pemba a Grafia Sagrada dos Orixás, de mestre Itaoman - Ivan Horácio Costa um dos mais antigos mestres da Tenda de Umbanda Oriental - capítulo II – pag.93: “Na atualidade, coube ao Mestre W.W. da Matta e Silva, através de seu iluminado guia mentor YAPACANI, a obtenção da “chave” da origem do conhecimento...”.

Ele tinha autorização do astral para se escudar com esse nome em suas obras literárias, o que fez na maioria delas, utilizando o nome Yapacani entre parênteses, logo após o seu nome de batismo.

 

[2] Domingos Magarinos, autor citado nas obras de Matta e Silva, em seu livro Muito Antes de 1500, menciona uma ave amazônica de nome yapacani que significa “correio do além”, mas segundo mestre Itaoman, a palavra significa  “o mensageiro das Santas Almas”, ou “o enviado das Santas Almas”.

 

[3] Itacuruçá é uma localidade do município de Mangaratiba, situado no estado do Rio de Janeiro. No século XVII as terras da região eram domínio dos índios Tamoio. Os portugueses trouxeram, oriundos do sul da Bahia, algumas centenas de índios Tupynambá, com o objetivo de conquistar o território. Pacificada a região, os jesuítas fundaram um povoado na área do continente mais próxima da ilha de Piaçavera e ali fincaram uma cruz, utilizando pedras colhidas nos arredores. O ponto em questão passou a ser denominado, pelos indígenas, como Itacuruçá (Ita = pedra + Curuçá = cruz).

 

 PARTE II

Cronologia [4]

 

1916 (28/julho) [5] Nascimento em Garanhuns,  município brasileiro do estado de Pernambuco, distante 228 km da capital pernambucana, Recife. Registrado com nome de Woodrow Wilson da Matta e Silva.

 

1921 Mudança com a família para o Rio de Janeiro, aos cinco anos de idade.

 

1925 Aos nove anos de idade ocorreram as primeiras experiências mediúnicas, através de visões de Entidades, aos quais ele não compreendia. Nenhum ensinamento de cunho religioso havia sido lhe ensinado, até então, já que seus pais não seguiam nenhuma religião.

 

1932 Reside na Rua da Costa nº 75, centro do Rio e trabalha como auxiliar em um jornal no Rio de Janeiro. Começam as primeiras manifestações do Preto Velho Pai Cândido e algum tempo depois inicia sessões mediúnicas nas noites de quinta-feira, atendendo as pessoas, através da incorporação do Preto Velho, na república onde morava. Com a chegada dessa Entidade, aquelas visões desapareceram.

 

1933 Contando com 17 anos inicia sua busca por um local para o desenvolvimento de seu trabalho mediúnico, passando a visitar diversos terreiros de Umbanda. Entretanto, a Entidade Espiritual que lhe assistia lhe avisava que ele teria sua própria casa espiritual.

Matta e Silva relata à página 14 de sua sétima obra "Umbanda e o Poder da Mediunidade":

"Sempre tive uma tendência irrefreável, desde muito jovem, 16, 17 anos de idade, que me impulsionava a ver as chamadas "macumbas cariocas". Claro está que não estava ainda conscientizado do "por que" de semelhantes impulsos (se bem que, desde 9 anos de idade éramos acometidos por fenômenos de ordem espírito-mediúnicos e aos 16 anos já acontecia a manifestação espontânea de nosso "preto-velho", que baixava num quarto onde morávamos, na Rua do Costa, nº 75)..."

 

1937 Passa a residir no bairro da Pavuna, onde montou seu primeiro terreiro, com 21 anos então.  

 

1954 (julho) a 1955 (dezembro) escreve inúmeros artigos, publicados no Jornal de Umbanda, localizado à Rua Acre, 47 – 6º andar – sala 608, Rio de Janeiro. (Vide Anexos)

A LEI DENTRO DA UMBANDA

A MAGIA NA UMBANDA

A PONTA DO VÉU

A YOXANAN

AOS APARELHOS UMBANDISTAS

APARELHOS UMBANDISTAS... ALERTA!

AS SETE LÁGRIMAS... DE PAI-PRETO

INVOCAÇÃO DE UMBANDA

ORIXÁ, QUEM ÉS?

SENHORA DA LUZ-VELADA

UMBANDA, QUEM ÉS?

VOZES DO CONGÁ

VOZES SOBRE UMBANDA

 

1956 lançamento da obra Umbanda de Todos Nós (A LEI REVELADA), pela Gráfica e Editora Esperanto, localizada na época, à Rua General Argolo, 130, Rio de Janeiro. A 1ª edição, com 350 páginas e centenas de gravuras, foi paga com os recursos do próprio autor e lançada com 3.500 exemplares, que rapidamente se esgotaram.

 

1957Publicação da obra Umbanda: Sua Eterna Doutrina pela Gráfica e Editora Esperanto, com 200 páginas, traz diversos mapas explicativos e conceitos esotéricos nunca divulgados.

 

1957 – Encerramento das atividades públicas da Tenda Umbandista Oriental, conforme relato do próprio autor no livro Umbanda de Todos Nós. (vide relato na pag. 12)

 

1958 (02/abril) Pai Guiné de Angola desceu na Gira de Umbanda pela primeira vez para auxiliar o anterior Guia Espiritual, Pai Cândido e assume, a partir daí, a responsabilidade de sua mediunidade.  Na mesma época, risca seu famoso ponto com suas Ordens e Direitos de Trabalho.

Relato no livro Umbanda de Todos Nós (1960, 2ª edição – pag.7)

"Meus irmãos espirituais ... jamais esqueceremos o dia dois de abril de 1958 as 14h15, hein? Como um pito e três fumaçadas trouxe o velho G.... hein Wanda ... lembras? Oh, que sublime intuição e proteção a tua, naquele instante crucial, minha irmã! Como a "coisa" pegou fogo, daí por diante. Assim, dedico-lhes esta página, para que saibam que jamais esqueci um só minuto, a nossa passada e presente amizade, da qual, deram provas em carinho e dedicação, durante o tempo que privamos, testemunhando juntos ... naquela luta de março a junho de 1958 ..."

 

1960 (maio /2ª quinzena) lança a 2ª edição (retificada) de Umbanda de Todos Nós pela Livraria Freitas Bastos, com sede na Rua Sete de Setembro, 111, no Rio de Janeiro, local onde, durante vários anos, mestre Matta compareceu semanalmente, onde atendia inúmeras pessoas que ali acorriam em busca de conforto espiritual. A partir daí, todas as suas obras passam a ser editadas por essa editora.

 

1961 (abril) Lançamento de sua 3ª obra Lições de Umbanda e Quimbanda na Palavra de um PretoVelho, obra mediúnica com 170 páginas e diversos quadros ilustrativos, apresenta um diálogo entre um discípulo, Cícero [6] e um Preto-Velho.

 

1962 Publicou Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda com 210 páginas, obra que aprofunda os conceitos com relação à Mediunidade, Magia e Oferendas, em linguagem simples e acessiva.

 

1964 (junho) Lançou sua 5ª obra Segredos da Magia dE Umbanda e Quimbanda. Obra ilustrada com 158 páginas e diversos desenhos de pontos riscados. Faz uma abordagem de forma prática de alguns rituais da Magia de Umbanda.

 

A confirmação de que se trata da 5ª obra do mestre e que difere da ordem informada nas edições da Ícone, vem das próprias palavras do autor na introdução da obra:

“Portanto, não nos vamos estender nesse livro sobre os assuntos que já constam ou que já estão versados em nossas obras anteriores, em número de quatro, com várias edições e, portanto, de excelente aceitação. (...) Essas quatro obras onde tudo isto está sobejamente provado são: “Umbanda de Todos Nós” – um tratado com 350 págs., e centenas de clichês diversos; “Sua Eterna Doutrina” – com 200 págs.; “Lições de Umbanda e Quimbanda – na palavra de um preto-velho” – com 170 págs.; e “Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda” – com 210 págs.”

 

1964 Lançamento da obra Umbanda e o Poder da Mediunidade onde explica, em suas 160 páginas, a necessidade da restauração da Umbanda no Brasil, mostrando suas verdadeiras origens. Aborda ainda, aspectos importantes da Magia.

 

1966 Através de vários transes mediúnicos inicia a obra que mostrava uma nova visão da Umbanda, sob a orientação de uma corrente astral liderada por uma Entidade que se identificou como Caboclo Velho Payé. Todavia, devido a sua resistência às revelações que recebia do astral, pela profundidade das informações a respeito da doutrina interna da Umbanda, passou mais de um ano recebendo projeções elucidativas de Mentores astrais sobre tais assuntos, através de imagens e quadros explicativos em seu campo mental, além das informações por via intuitiva.

 

1967 (abril) Publica finalmente a Doutrina Secreta da Umbanda.   Com 204 páginas, essa obra veio complementar e ampliar os conceitos tratados em Umbanda Sua Eterna Doutrina.

 

Neste mesmo ano, adquire um terreno [7] baldio contíguo à sua residência, para instalação definitiva da Tenda de Umbanda Oriental que a maior parte dos "filhos-de-fé" posteriores frequentou entre 1967 e 1988 e, sobre o qual, hoje tanto se fala.

 

1969 (janeiro) Lançamento da obra Umbanda do Brasil [8], livro que sintetizava os sete anteriores. Com 368 páginas a obra esgotou seis meses após o lançamento.

 

1970 Publicou sua última obra: Macumbas e Candomblés na Umbanda, com 196 páginas e dezenas de fotografias onde fez o registro das vivências místicas e ritualísticas dos Cultos Afro-Brasileiros.

 

Neste mesmo ano, o mestre passa a residir em Volta Redonda, viajando para o Rio de Janeiro às quintas-feiras, sextas ou aos sábados, conforme seus compromissos.

 

 

1977 Participou de um curta metragem, com o título de Ritos Populares – Umbanda no Brasil, exibido anos depois no Brasil e exterior.

 

1984 Volta a residir em Itacuruçá.

 

1988 (17/abril) Na madrugada, após uma Gira pública, mestre Matta passa mal e é levado para o Hospital Cardoso Fontes em Jacarepaguá, onde após algumas horas, desliga-se definitivamente de seu corpo físico.

Deixa um valioso legado literário para todos os Umbandistas e mesmo após tantos anos de sua viagem para outras dimensões, cojstituem ainda os fundamentos mais avançados da Umbanda.

 

[4] A ordem cronológica do lançamento das obras aqui mencionadas difere das informações constantes no prefácio das obras do autor, intitulada de “W. W. da Matta e Silva – Um arauto do além (1917-1988)” reeditadas pela Editora Ícone. A veracidade das informações aqui prestadas podem ser comprovadas através de antigas edições, aliadas às informações do próprio autor em cada obra lançada.

 

[5] Sobre a data de nascimento de Matta e Silva, ver a Parte IV dessa pesquisa.

 

[6] O médico Cícero Faria de Castro.

 

[7] Segundo mestre Itaoman foi ele, junto com um amigo, quem compra e doa o terreno para mestre Matta, embora em seu site (http://www.aumbhandan.org.br/origem.htm) ele se refira apenas como “um dos rateantes”, dando a impressão de que fizesse referência a várias pessoas: “Assim, talvez apenas porque fosse a hora certa, eu estava presente e fui um dos rateantes da quantia com que se adquiriu o terreno baldio contíguo à sua simples residência...”

 

[8] A organização da obra foi responsabilidade de seu discípulo Ivan Horácio, o mestre Itaoman.

 

PARTE III

As obras

 

As obras de Matta e Silva funcionaram como um divisor de águas dentro do Movimento Umbandista, pois até ali, a Umbanda era tida como folclórica em sua manifestação, confusa em sua doutrina e esdrúxula em seus rituais.

 

Depois do ano de 1956, após a publicação de seu primeiro livro, a Umbanda começou a ser vista com uma nova roupagem, trazendo à luz do entendimento, seus antigos e importantes fundamentos Filosóficos, Científicos e Religiosos.

 

Pela importância de seu trabalho e de suas obras para a Umbanda, Woodrow Wilson da Matta e Silva é considerado o maior expoente da Umbanda de sua época e nada fica a dever aos grandes mestres das ciências herléticas do passado.

 

UMBANDA DE TODOS NÓS (1956)

Obra considerada como a Bíblia da Umbanda, apresenta antigos fundamentos filosóficos, científicos e religiosos e ensinamentos transcendentais e avançados, além de inúmeras ilustrações de mapas, desenhos ritualísticos, clichês na Grafia dos Orixás e dezenas de gravuras diversas. 

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A respeito desta obra, Matta e Silva nos fala, nas primeiras páginas deste livro:

(...) a dissertação deste livro não é sobre os “galhos de uma árvore e suas ramificações”. Outros já o fizeram e muito bem. Escreveremos sobre sua Raiz. Falaremos, não das “águas do rio que correm em seu leito”, mas que, por aqui e por ali, se bifurcaram, gerando canais, lagoas, pântanos, sofrendo a influência da “terra” em que estas águas, através de enormes distâncias, vão penetrando, entre barro, areia, lama, tomando até o gosto e a turvação destes...

 

Dissertaremos a respeito da “água deste rio” em sua Fonte Original, isto é, onde é encontrada naquele estado imediato, em sua pureza, enfim, da água cristalina – ou seja ainda, da água da fonte que não levou preparos químicos, não passou pelos encanamentos, não tomou contato com a “ferrugem”, que não precisa ser filtrada para uso.

 

Nesta obra encontramos a verdadeira definição do que seja Umbanda, em seus mais puros conceitos; aponta quais são as sete Vibrações Espirituais e quem são os verdadeiros Exus. Define o que vêm a ser a mediunidade na Lei de Umbanda e as três formas de apresentação dos espíritos na Umbanda. Explica os fundamentos sobre ritual, banhos de ervas e defumadores, guias, sinais riscados e muitos outros assuntos de relevância para a prática e vivência na Umbanda.

 

O livro agradou a centenas de umbandistas, os quais opinaram através de cartas, telegramas, revistas e contatos pessoais com o autor, mas foi o capitão José Alvares Pessoa, Presidente e Diretor da Tenda São Jerônimo, homem de singular cultura e profundo conhecedor do movimento Umbandista, quem talvez tenha expressado a opinião que mais traduziu e sintetizou as demais sobre a obra. Vamos à ela:

 

“Meu ilustre e prezado confrade Sr. W. W. de Mata e Silva.

A leitura de “Umbanda de Todos Nós” – o magnífico livro que faltava ser escrito – proporcionou-me um grande prazer espiritual e é com a mais viva satisfação que venho trazer-lhe os meus parabéns pela obra, que será como um marco na história de nossa religião. (...)

 

“Umbanda de Todos Nós” não é só um grande livro; é o melhor que até hoje foi escrito sobre o assunto. Em cada uma de suas páginas revelam-se a inteligência, a cultura e a erudição do seu autor, que teve a felicidade, maior entre todas, de fazer falar a “Senhora da Luz Velada”... tão incompreendida até mesmo pelos seus próprios adeptos que certamente se congratularão pela sua atitude de descerrar o véu que a ocultava.

 

Até hoje, quase nada se escreveu sobre a verdadeira Umbanda. Na realidade muito se tem escrito, mas apenas sobre candomblés e macumbas e os próprios antropologistas, constantemente citados, como Nina Rodrigues, Edson Carneiro e outros, que se preocuparam com o assunto, escreveram sobre o que viram na Bahia, isto é, sobre o africanismo importado pelos escravos nos tempos da colônia, que nada tem a ver com a maravilhosa obra espiritual que se realiza nos terreiros de Umbanda do Rio de Janeiro, obra que data de mais ou menos 30 anos, empreendida pelo admirável espírito que dá o nome humilde de Caboclo das Sete Encruzilhadas que reformou os trabalhos da magia que comumente se faziam nos terreiros, purificando-os e transformando a magia negra, que então imperava quase absoluta, nesta magia que os Mestres Divinos classificam como a ciência da vida e da morte.

 

O prezado confrade, com o seu admirável livro, conseguiu realizar uma obra de divulgação como nenhum outro escritor que o precedeu ainda havia feito. “Umbanda de Todos Nós” será como a Bíblia, o livro clássico que todo Umbandista de fé consultará.

 

As minhas palavras são inexpressivas para dar testemunho de uma obra de tão grande valor, que veio preencher uma lacuna, porque realmente um espírito altamente elucidado pode afinal fixar em letra de forma as verdades eternas sobre a mais bela e a mais doce de todas as religiões, porque é a mais humilde e a mais humana. (...)

 

Concluindo, quero congratular-me com todos os Umbandistas pela felicidade que lhes veio bater à porta, trazendo-lhes um verdadeiro livro sobre Umbanda – a sua Bíblia – e com o meu prezado amigo, que teve a rara ventura de ser o escolhido para escrevê-lo.

 

Aproveito a oportunidade para reiterar-lhe os meus protestos da mais alta estima e apreço, com que me subscrevo. (ass.) José Alvares Pessoa.”

 

Embora tenha contentado a milhares de adeptos, encontrou oposição em outros - uns porque não conseguiram alcançar pela pouca cultura ou pelo entendimento viciado e muitos outros por terem encontrado ali tudo que contrariava seus mesquinhos interesses; passando a combatê-la e sabotá-la, proibindo a sua leitura aos médiuns de seus templos. De qualquer forma, acabaram por chamar mais a atenção sobre o livro do que a maior propaganda que pudesse ter sido feita. Assim, é que, a meta visada pelo autor, foi atingida.

                    

     

Umbanda de Todos Nós hoje é editado pela Editora Ícone e já se encontra em sua 16ª edição.

 

UMBANDA: SUA ETERNA DOUTRINA (1957)

Por intermédio da Gráfica e Editora Esperanto publicou Umbanda: Sua Eterna Doutrina, obra exclusivamente de caráper iniciático, que ressalta o aspecto interno – oculto ou esotérico da Lei de Umbanda.

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Reino Virginal, as Causas da chamada “Queda dos Anjos”, Hierarquias Superiores Constituídas, são alguns dos assuntos desenvolvidos, além de apresentar de forma inédita os Postulados da Corrente Astral de Umbanda com seu conceito religioso, filosófico, científico e ainda entrando pelo ângulo da metafísica.

 

A respeito desta obra, Matta e Silva nos fala, na introdução do livro:

 

Ao escrevermos mais esta obra, o fizemos no imperativo daquela mesma “Voz” que nos impulsionou sobre Umbanda de Todos Nós – A Lei Revelada, um compêndio hermético, já bem difundido.

 

Como nosso objetivo sempre foi, é e será o de lançar as sementes no meio umbandista – “o mais agreste de todos os campos”, aqui estamos, portanto, tentando traduzir a Eterna Doutrina da Lei de Umbanda, conforme é ensinada pelas suas reais Entidades, os ditos espíritos de Caboclos e Pretos-Velhos, etc., estes mesmos que vem sendo interpretados tão erroneamente, sob os mais absurdos aspectos.

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Umbanda sua Eterna Doutrina teve sua 4º e última edição pela Freitas Bastos em 1985, sendo relançada 13 anos depois, pela Editora Ícone em 1998.

 

Após a publicação das duas obras, muitos seres encarnados e desencarnados ligados ao astral inferior, iniciaram um incessante ataque sobre o autor, através de magia negra, atacando-os de todas as formas e utilizando meios agressivos e contundentes, no intuito de tirar-lhe a vida.

 

Sua própria família se viu atingida, ainda que de forma leve. Tudo isso somente por ele ter alertado a grande massa popular que frequentava os terreiros na época.

 

Diante dos tremendos impactos que teve de sustentar e de uma série de desilusões, traições e incompreensões, relacionadas ao meio umbandista, o mesmo pediu e obteve licença do astral para se afastar de tudo, interrompendo o seu trabalho e as atividades públicas do terreiro.

 

Vamos ao relato do autor no livro Umbanda de Todos Nós (1960, 2ª edição – pag.11):

 

“Dedico esta página a todos os meus ex-companheiros de ligação espiritual da extinta TENDA UMBANDISTA ORIENTAL.

 

Prezados irmãos: agora (fazem 3 anos), que todos seguem os rumos próprios às suas afinidades (alguns até já dirigindo Tendas ou Grupos, visto que os tinha dispensado dos compromissos espirituais que os ligavam a mim, por ter recebido ordens para isso, de cima) firmo e estendo também para o espírito, a mente e o coração de cada um, a minha saudade e os meus sinceros votos de PAZ, FORÇA E FÉ...

 

Que possam as poderosas falanges dos “caboclos e pretos-velhos” estarem assistindo a todos como sempre os assistiram no meu tempo... Que todos tenham sempre em pensamento que o PAI G..., protegia e protege, guiava e guia, tanto no passado como no presente, a cada um, segundo suas reais necessidades.

 

E se, algum dia, necessitarem de sua palavra para assuntos de alta relevância espiritual, podem procurar esse velho irmão – seu aparelho, que ainda tem o seu “congá” e sua presença...  Apenas, devem compreender: esse aspecto exterior, habitual, ligado a representações fenomênicas ou espiríticas de terreiro, foi e é, uma fase superada, para mim, segundo o meu entendimento, segundo o estado de consciência que alcancei.

 

Tive ordens de não deixar a direção da Tenda com ninguém. Ninguém podia e nem devia... e continuo aguardando ordens, é só. Pois vocês sabem, irmãos, que tinha uma dupla missão a cumprir. Tinha uma meta a alcançar – sofri e trabalhei muito, mas, alcancei e venci. Cumpri o determinado. Assim, me foi dada a isenção quanto a esta parte. Se vierem novos rumos, nova meta – sabem que tenho fibra para assumir ou segui-la. Mas, por enquanto, estou em paz, pois tenho a consciência tranquila de tudo e sobre todos.

 

Que a doce Paz do Divino Mestre, vibre em suas mentes, todas as vezes que pensarem em mim.”

 

Mestre Matta já dava por definitivo o afastamento de toda e qualquer atividade pública, sobre Umbanda e já estava convencido de que sua dura missão, dentro do meio, estava encerrada. Todavia, de repente... lá foram chegando coisas do astral...  Pai Guiné, que tinha assumido toda a responsabilidade pela manutenção e reequilíbrio espiritual de seu filho, queria mais um livro, dizendo que urgia mais esclarecimentos.

 

A esse novo livro deu-lhe o título de “Lições de Umbanda (e Quimbanda) na palavra de um Preto-Velho” o qual viria a ser lançado alguns meses após.

 

LIÇÕES DE UMBANDA E QUIMBANDA NA PALAVRA DE UM PRETO VELHO (1961)

Obra de caráter mediúnico, de mais fácil entendimento, a fim de que os estudiosos pudessem alcançar melhor os ensinamentos contidos nas outras duas obras anteriores, continha revelações inéditas, capacitando o leitor a compreender bem o Movimento de Umbanda, quer pelos seus verdadeiros aspectos, quer pelos aspectos negativos que infiltraram.

 

Essa obra descreve as Sete Linhas de Força Espiritual, os Sete Veículos do Espírito e os Sete Núcleos Vitais.  Revela conceitos sobre mediunidade, selo mediúnico, guias e pontos cantados. Nela encontramos ainda importantes conceitos sobre a Alta Magia na Umbanda, chaves de identificação astrológica oculta, banhos, defumadores, uso de velas e lamparinas, Lei de Pemba, segredos da Quimbanda e dos Exus e muitos outros assuntos de extrema relevância para nossos estudos na Umbanda.

 

Este livro é apresentado em forma de diálogo entre um “filhos-de-fé” identificado como Cícero e um espírito amigo, chamado de “preto-velho”.

 

Para esse “filho-de-fé”, encontramos na 2ª edição do livro "Umbanda de Todos Nós" uma dedicatória de Matta e Silva:

 

A CÍCERO DE FARIA CASTRO ...

Irmão de lei, pelo constante estímulo e nunca desmerecida amizade, o forte “sarava” desse seu amigo, para que sinta, nessa obra, a força viva de meu pensamento, participar em comum, da essência de sua convicção e alcance sobre essa mesma “Umbanda de todos nós”.

 

O autor assegura que esse diálogo, com suas respectivas anotações, realmente ocorreu, apenas sendo feitas as necessárias adaptações, para tomar uma forma literária. Informa também que esse “preto-velho” é o Pai Guiné de Angola, do qual era na ocasião, seu veículo mediúnico.

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Na introdução da obra, o autor descreve o terreiro onde Pai Guiné baixava na ocasião desse diálogo:

 (...)

 Agora, prezados irmãos leitores, os convidamos a criar com o pensamento, o seguinte quadro-mental, porque é através dele que “verão” Cícero abordar, com esse “pai-preto”, as questões que terão sequência neste trabalho.

 

Eis o quadro: um “terreiro” simples, pobre, feito de madeira, na encosta de um morro, quase sem vizinhança. Tudo respira paz. Entremos... Alguns bancos para assistentes e uma separação resguardando a parte destinada às coisas espirituais. De frente, há uma pequena mesa coberta por alvíssima toalha. Na parede, uma estampa de Cristo. Sobre a mesa, uma tábua de 40 x 30 cm, repleta de estranhos sinais feitos a giz e ainda 3 pires para acender velas e 2 jarros com flores. No chão, ao lado da mesa, 2 banquinhos brancos. É só...

Pois era aí que esse “preto-velho” “baixava”, isto é, tinha nesta ocasião o seu “congá”.

 

Robusteçam então esse quadro-mental e sintam: “preto velho” está no “reino” (incorporado), calmo, pitando, e Cícero – o filho-de-fé a quem passou a chamar de “Zi-cerô”, sentado de frente, consultando... e vejam, deu-se uma curiosa metamorfose: “preto-velho” não é mais o mesmo! “Botou de lado” aquele linguajar de guerra, de uso vulgar nos terreiros. Ele agora está falando claro, positivo. Sua palavra é uma partícula do Verbo. Tem sabedoria. Tem compreensão. Tem tolerância. Todavia, ele faz uso, vez por outra, de certos termos da “gíria de terreiro”, para melhor entendimento. “Preto-velho” está dizendo “coisas” a “Zi-cerô”, pois ele pergunta muito...

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Lições de Umbanda e Quimbanda na palavra de um “Preto-Velho” teve sua 5ª edição em 1984 e a 6ª e última edição pela Freitas Bastos em 1995, ou seja, 7 anos após o desencarne do autor. A reedição da obra foi, segundo palavras da própria Livraria: “um dever que cumprimos para com a comunidade Umbandista e uma modesta homenagem ao homem e ao espírito de Luz”. 

 

Em 2006 foi relançada a pela Editora Ícone e hoje se encontra em sua 9ª edição.

 

A obra teve grande receptividade, desta forma, com o espírito bem sossegado por ter cumprido mais essa parte, entrou em novo descanso, enquanto fazia novas observações e meditações sobre o panorama umbandista.

 

MISTÉRIOS E PRÁTICAS DA LEI DE UMBANDA (1962)

Após observar e meditar sobre o cenário do movimento umbandista constatou que ainda imperava, de um lado, muita confusão, ignorância, mistificação e exploração, e de outro, a ingenuidade da massa humana que se precipitava pelos terreiros.  Constatou ainda que na maioria dos “terreiros”, o que mais confundia era, principalmente, o que está relacionado a prática da Mediunidade, Magia e Oferenda.

 

Assim é que, se propondo a elucidar o máximo do que fosse possível e ordenado, nas questões relacionadas com os três citados aspectos, e outros mais, lança mais uma obra, contribuindo com o seu “copo d’água, para apagar a imensa fogueira da ignorância” que havia nas centenas de Terreiros, que se multiplicam de forma desordenada, por esse Brasil.

 

Em Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda, Matta e Silva apresenta a formação das raízes históricas da Umbanda; adentra no âmbito da mediunidade, revelando de forma inédita os sinais reveladores nas mãos; se aprofunda na magia positiva em seus diversos aspectos e trata dos elementos e sinais riscados para as oferendas das verdadeiras Entidades de Umbanda.

 

Indica, ainda, diversos Pontos Cantados que ainda conservam seus valores mágicos, conforme foram passados pelas Entidades (de fato e de direito) da Corrente Astral de Umbanda, em um passado distante.

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Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda teve sua 2ª edição em 1969 e a 3ª em 1981, pela Livraria Freitas Bastos. Em 1999 foi reeditada pela Editora Ícone e atualmente está em sua 2ª edição pela mesma editora.

 

 

SEGREDOS DA MAGIA DE UMBANDA E QUIMBANDA (1964)

Obra de cunho prático, Segredos da Magia de Umbanda e Quimbanda trata de magia e seus aspectos positivos, para defesa de forças antagônicas, abordando conhecimentos ditos como das ciências ocultas.

 

Assuntos com os quais nos deparamos cotidianamente dentro das práticas umbandistas, tais como: mediunidade, magia branca e magia negra; assentamento de conga; cruzamento de terreiro; preparo de amacy; utilização das flores, lamparinas e cores, na magia de Umbanda; uso terapêutico e mágico dos defumadores; imantação das pembas; encruzilhadas de ruas, cemitérios, etc., e muitos outros, são desenvolvidos de uma forma ampla e ao mesmo tempo de fácil entendimento.

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Os ensinamentos encontrados nesta obra fazem parte da tradição mágica, cujos segredos estão na Cabala Nórdica e que são inerentes à Corrente Astral de Umbanda.  Essa Cabala foi ocultada há mais ou menos 5.500 anos, mas a sua duplicidade existe no astral e é de livre acesso às Entidades Espirituais.

 

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Segredos da Magia de Umbanda e Quimbanda teve sua 2ª edição em 1982 e a 3ª em 1994, pela Livraria Freitas Bastos. A partir da 4ª edição, em 2006, passa a ser lançada pela Editora Ícone, estando atualmente em sua 6ª edição.

 

UMBANDA E O PODER DA MEDIUNIDADE  (1964)

Em sua sétima obra Umbanda e o Poder da Mediunidade o mestre aborda aspectos importantes sobre as origens da Umbanda do Brasil. Adentra a parte doutrinária tratando com muita propriedade de assuntos como mediunidade, magia sexual, lei de salva, lei de pemba, elementares, etc.

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Há também explanações importantíssimas sobre o Reino Virginal, Confraria dos Espíritos Ancestrais, Corrente Astral de Umbanda, Governo Oculto do Mundo e Cabala.

 

O livro descreve ainda as zonas inferiores do baixo astral e a atuação dos magos negros e finaliza, ilustrando esses aspectos relacionados com ao astral inferior, contando diversos casos em que o autor participou diretamente e que nos serve para entender melhor certas regras da magia, bem como, a importância da disciplina com relação aos nossos Guias e Protetores Espirituais.

 

Sobre as edições de Umbanda e o Poder da Mediunidade, encontramos um fato curioso: a obra teve sua 2ª edição, pela Livraria Freitas Bastos em 1978 e a 3ª edição (revista e aumentada) em 1987. As capas de ambas as edições eram semelhantes, com exceção do detalhe “3ª edição” do lado direito inferior, conforme foto abaixo.

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Entretanto, em 1997 a Editora Ícone relança a obra, novamente como 2ª edição e em 2011 como 3ª edição. Acreditamos que tenha havido um lapso da editora que deveria ter lançado a 4º e 5ª edição, respectivamente.

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DOUTRINA SECRETA DA UMBANDA (1967)

Segundo Matta e Silva, essa obra foi produto de fatores mediúnicos. A corrente astral que o assistiu na elaboração da obra era liderada por uma Entidade que se apresentava na clarividência sob a forma de um velho índio, paramentado como se fosse um velho pajé da antiguidade e que se identificou como Caboclo Velho Payé.

 

Considerado um tratado filosófico profundo e conciso, o livro Doutrina Secreta da Umbanda, veio definir de forma mais clara e objetiva os Postulados da Corrente Astral de Umbanda, cujos conceitos foram anteriormente apresentados na obra Umbanda Sua Eterna Doutrina. O conhecimento aqui exposto deixou impressões inapagáveis no movimento umbandista.

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A Livraria Freitas Bastos lançou a 2ª e última edição (segundo nossas pesquisas) em 1985. Contudo, em 2002 e 2011 a Editora Ícone lança, respectivamente, a 5ª e 6ª edição. Procuramos, em vão, encontrar a 3ª e 4ª edição e suspeitamos que tenha havido um lapso da referida Editora.

 

UMBANDA DO BRASIL (1969)

Em 1969 o Mestre publicou o livro Umbanda do Brasil, uma síntese das sete obras anteriores que revela aspectos profundos do Movimento Umbandista, resultado dos vários anos de militância em seu meio.

 

Este livro ressalta fundamentos da Umbanda, muito além do que a mentalidade da maioria conseguia alcançar e absorver, descortinando o conceito da chamada “queda dos anjos” e revelando a Cruz Triangulada.

 

Apresenta as raízes históricas, míticas e místicas da Umbanda; as fusões e as misturas ocorridas; a origem real, científica, histórica e pré-histórica da palavra Umbanda; a forma de apresentação dos espíritos em nossos terreiros; a diferença entre o médium umbandista e o médium espírita; define Lei de Salva; ensina rituais de amacy, oferendas, e muitos outros assuntos de interesse aos estudiosos dos verdadeiros fundamentos de Umbanda, com seus mistérios e em sua real pureza.

 

Na introdução desse livro Matta e Silva define a classificação em graus, de cada obra, facilitando o estudo para iniciandos e iniciados: Nessa obra o estudioso encontrará todo fundamento da Umbanda e se quiser maiores detalhes ou ampliar conhecimentos é só recorrer às 7 citadas, que são:

 

1º grau – Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda;

2º grau – Lições de Umbanda (e quimbanda) na palavra de um “preto-velho”;

3º grau – Segredos da Magia de Umbanda e Quimbanda;

4º grau – Umbanda e o Poder da Mediunidade;

5º e 6º grau – Umbanda de Todos Nós;

7º grau – Sua Eterna Doutrina e Doutrina Secreta da Umbanda

 

Considerada uma obra ímpar, atualizada em seus conceitos, figura junto com o primeiro trabalho do autor, como um marco da literatura umbandista.

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Umbanda do Brasil demorou 26 anos para ter sua 2ª edição, lançada pela Ícone Editora em 1995. Atualmente encontra-se em sua 4ª edição, que foi publicada em 2012 pela mesma editora.

 

MACUMBAS E CANDOMBLÉS NA UMBANDA (1970)

Em 1970 Matta e Silva lançou sua última obra: Macumbas e Candomblés na Umbanda, com o objetivo único de documentar o que ficou em matéria de sobrevivência religiosa, mítica e ritualística dos cultos africanos no Brasil, ainda conservado nos terreiros.

Ilustrado com dezenas de fotografias, retrata as raízes históricas e populares da Umbanda e os cultos afro-brasileiros, no Brasil, expondo a diversidade existente na ritualística dos cultos umbandistas. 

Fornece uma análise das origens e aculturação do elemento africano no Brasil, bem como da influência dos ritos ameríndios no estabelecimento de cultos modernos.

A obra teve sua 2ª e última edição em 1977, pela Livraria Freitas Bastos. Embora relatos de alguns que informaram que sua família não permitiu a reedição do livro, na verdade foi o próprio Matta e Silva quem não quis mais reeditar a obra, que atualmente é considerada obra rara e somente encontrada em pouquíssimos sebos no Brasil.

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Nota: Logo após sua publicação, Mestre Itaoman apontou alguns erros de pesquisa nesta obra, um deles é a legenda da foto em que aparece Matta e Silva com um tabuleiro, dando uma consulta em seu terreiro em Itacuruçá. Abaixo da foto aparece a legenda: o autor, manipulando o verdadeiro ”Jogo do Opelê de Ifá”,  na realidade ele está manipulando um Oráculo comum com coquinhos de dendê, pois o Opelê é feito com um colar de coquinhos de dendê e o Jogo de Ifá tem outra forma de apresentação, inclusive na forma geométrica do tabuleiro.

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Matta e Silva escreveu ainda mais duas obras, nunca publicadas. Vide comentário abaixo, retirado do livro Umbanda e Quimbanda na Palavra de um preto velho:

 

(...)

Outrossim, tínhamos prometido sair com duas obras: uma versando sobra a indústria da umbanda e a outra, com o nome de Çakala – a filosofia do Oculto.

 

Praticamente ficaram prontas, isto é, a primeira, nós a destruímos, obedecendo tão-somente às ordens de Cima, do Astral, embora que, por nossa vontade, sairia. A outra vai demorar um pouco, pois a sua oportunidade nos foi aconselhada, tendo em vista a assimilação de “Sua Eterna Doutrina” – que fixa os postulados da Lei de Umbanda, definindo seus aspectos filosóficos, científicos, religioso, e que penetra ainda no âmbito da metafísica – assimilação essa que está ainda se processando lentamente.

 

Nota: Mestre Matta deixou seu discípulo Itaoman encarregado por terminar e lançar esta obra, o que vai ocorrer muito em breve.

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PARTE IV

O homem

 

Há muitas divergências a respeito da data de nascimento de Matta e Silva. Segundo prefácio da Livraria Freitas Bastos em sua 3ª edição de Segredos da magia de Umbanda e Quimbanda e 6ª edição de Lições de Umbanda e Quimbanda na Palavra de um Preto Velho, a data de seu nascimento é 28 de julho de 1916. Já no livro Umbanda Brasileira – Um século de História de Diamantino Fernandes Trindade, consta a data de 28 de julho de 1917 e nas obras do autor Francisco Rivas Neto consta 28 de junho de 1917.

 

Na palestra “As duas faces da moeda”, Matta e Silva afirma:

 

Nós temos a cabeça e o pé (assim num linguajar mais nosso), temos as costas e a frente. As costas é o Anjo de Guarda, é o Orixá que exerce a função kármica de comando geral sobre a nossa vida, é o pai do Espírito, o Ancestral do Espírito. E a frente é aquela Entidade que vem com a gente aqui, para manifestar, para lidar, para proteger, enfim, ele é que está mais ligado, é o que mais interessa no caso da mediunidade. Então pelo meu Anjo de Guarda, pelas minhas costas, o meu Exu de Lei é o Sete Encruzilhadas...”. 

 

Fazendo as ligações correspondentes, chegamos a Vibração de Oxalá e signo de Leão, logo, entre as opções “28 de junho” e “28 de julho”, a segunda nos parece ser a mais correta, portanto, consideramos as datas publicadas pela Freitas Bastos, inclusive no que diz respeito ao ano de seu nascimento.

 

Segundo as pessoas que o conheceram, Matta e Silva era de personalidade forte, muito inteligente, atualizado e de grande cultura em diversas áreas, além de conhecimentos profundos da Umbanda.

 

Sensibilidade aguçada e sentidos apurados era um homem bom, caridoso e muito humano, tendo sempre uma palavra amiga a quem o procurava.

 

Homem de mente aberta era uma figura ilustre que não gostava de ser endeusado. Tinha hábitos simples, era bom pai de família e com um peculiar senso de humor nordestino que só se manifestava entre amigos.

 

Sua primeira esposa foi a Sra. Carolina Correa da Matta e Silva, conhecida também por Dona Loló, a quem o mestre fez uma dedicatória no livro - Umbanda de Todos Nós (1960, 2ª edição – pag.5):

 

"DEDICO ESTA PÁGINA A CAROLINA – esposa, amiga e irmã dentro desta mesma Umbanda.

A ti, esposa amiga, sempre digna e firme nos altos e baixos de nossa vida, principalmente, durante essa prova crucial que se fez necessário testemunhastes comigo, firmo pelas ligações cármicas do passado, no presente, duradoura união para o futuro, seja no astral – desencarnados, seja na próxima encarnação. Assim afirmo, porque tu fostes e és a testemunha silenciosa da luta tremenda que tive de manter, por causa deste livro - e do outro também[9] - com o baixo mundo, encarnado e desencarnado. Portanto, reafirmando nessa página o íntimo de minha alma, para que vejas e sintas sempre nesta obra (caso parta na tua frente) o espelho vivo de meus pensamentos, como um estímulo e como um baluarte a te esperar e a te amparar..."

 

Considerada uma ótima médium, Dona Loló servia como aparelho mediúnico do Caboclo Ogum Yara, Tia Chica de Angola, Damião, Caboclo Ubiratan, Exu Marabô, entre outras Entidades Espirituais.

 

Com a Sra. Carolina teve um casal de filhos: Ubiratan (nascido em 04/04/1945 e falecido em 27/06/2007), e Elua (nascida em 20/11/1952). O nome de seu filho foi em homenagem ao Caboclo que a assistia mediunicamente.

 

Mestre Matta teve mais duas esposas, a segunda Dona Salete, com quem ele casou-se na Igreja Católica Brasileira e após recebeu uma benção especial na Umbanda. Carinhosamente chamada de Mãe Salete, ela foi "Mãe Pequena" para muitos dos posteriores "filhos". Sua terceira esposa foi Terezinha, conhecida também por Dona Nenê.

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[9] Aqui Mestre Matta refere-se a sua segunda obra Umbanda sua Eterna Doutrina, publicada em 1957.

 

PARTE V

O Terreiro

 

Segundo relatos, a Tenda de Umbanda Oriental existiu durante, pelo menos, 40 anos. De 1938 a 1957 na Rua Afonso Terra nº 1191 no Bairro da Pavuna e de 1967 a 1988 em Itacuruçá, no Estado do Rio de Janeiro.

 

O terreiro de Itacuruçá tinha uma construção simples e humilde, em um prédio de 50m2. A área reservada aos rituais tinha o piso de areia e a área reservada aos consulentes tinha alguns poucos bancos.

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Segundo relatos de seu discípulo e iniciado Ivan Horácio da Costa, o mestre Itaoman, o mais antigo Mestre de Iniciação da T.U.O., o terreiro era localizado na Rua Boa vista, 117 no bairro Brasilinha, em Itacuruçá, Rio de Janeiro.

 

Em seu site faz a seguinte descrição:

 

Nessa casa, no último pequeno aposento dos fundos, plantou o Axé da 2ª etapa da T.U.O., firmado numa "Otá" (pedra alongada de cachoeira), fincada à meia altura da parede, sobre a qual repousava a estátua de São Miguel, pois naquela época, ainda se orava a São Miguel e não a Mikael, o Arcanjo e ainda se "batia" um pouquinho de "atabaque", vez por outra, coisa pouca!  Tão pequeno era o espaço físico disponível naquele aposento que se abria para a imensidão do Astral Superior e para a Ancestralidade da Umbanda!

 

O terreiro de Pai Guiné estava sempre lotado. No início era frequentado apenas pelo povo simples e humilde da região, que ele atendia sempre com uma palavra de conforto, com seu conhecimento das profundezas da alma humana e do poder curativo das ervas.

 

Pela ausência de médicos na cidade, para aqueles que recorriam ao Velho Mestre, este ministrava medicamentos da flora local e muitas vezes, comprava com seus próprios recursos, medicamentos alopáticos, doando aos necessitados.

 

Depois de quatro obras, Matta e Silva tornou-se muito conhecido, sendo então procurado por simpatizantes de locais distantes de todo o Brasil e recebidos com a bondade e caridade, características daquele homem que sempre tinha uma palavra de conforto para todos.

 

Além de Pai Guiné de Angola e de seu mentor espiritual Yapacani, Matta e Silva era assistido por outras Entidades Espirituais, como o Caboclo Juremá, Caboclo Pedra Preta, Caboclo Ogum de Lei, Caboclo Guaracy, Pai Chico, Pai Mané Carrero, Zé Pretinho, Zambetinha, Exu Senhor das Sete Encruzilhadas e a Pomba Gira Sialú.

 

Durante a divulgação de seus livros e no decorrer dos anos subsequentes, muitos foram os Umbandistas que para lá se dirigiam, assim como, alguns Chefes de Terreiro de várias partes do Brasil, que iam em busca de ajuda ou de uma filiação espiritual que legitimasse a sua anterior espontânea.

 

Nasceu muitos anos depois, a compreensão de que a Tenda de Umbanda Oriental, embora nunca deixasse de atender aos pobres, aos doentes e aos aflitos, na realidade, foi uma Escola Iniciática que cumpriu sua missão e deu seus frutos na criação, codificação e divulgação dos Ensinamentos da Umbanda Esotérica.

 

Todavia a maioria que ali frequentava, não via a T.U.O. como uma Escola Iniciática e sim como um Pronto-Socorro Espiritual para os aflitos, os desesperançados e os doentes!

 

Depois do passamento de Matta e Silva, seus últimos herdeiros físicos desfizeram-se da propriedade do terreno do Santuário de Umbanda Esotérica.

 

 Surpreende-me o fato de ter sido possível que tanta Luz e Energia Espiritual

fluíssem por tanto tempo, de um lugar tão pequeno e de um homem tão franzino

e que tão pouco de nós as tenhamos bem aproveitado. (Mestre Itaoman)

 

 

 

 

 

 PARTE VI

Documentário – Ritos Populares

 

Matta e Silva participou de um documentário em curta metragem, produzido por Rogério Sganzerla (o mesmo produtor do filme “O Bandido da Luz Vermelha”), com o título de Ritos Populares – Umbanda no Brasil. A produção tem 18minutos de duração e sua consecução durou 9 anos de 1977 a 1986.

         

O documentário registra o depoimento de Matta e Silva, em passeios pelas ruas do Rio de Janeiro, onde narra sua própria trajetória e a criação da Umbanda Esotérica, alternando com cenas de transe e de rituais filmados na mata e na Tenda de Umbanda Oriental, em Itacuruçá. Mostra também o Mestre com suas obras na Livraria Freitas Bastos, no Rio de Janeiro.

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A produção foi exibida no 23º Festival de Cinema de Turim - Tribute to Rogério Sganzerla, na Itália, em 2005 e na Mostra Cinema do Caos CCBB, no Rio de Janeiro, também em 2005. Em junho de 2010 o Itaú Cultural em São Paulo, exibiu o documentário na mostra Ocupação Rogério Sganzerla, com curadoria do cineasta e documentarista Joel Pizzini.

 

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PARTE VII

Artigos Publicados no Jornal de Umbanda de julho/1954 a dezembro/1955

 (Retirado da 2ª edição Umbanda de Todos Nós)

 

A LEI DENTRO DA UMBANDA

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IRMÃO-MÉDIUM, não importa que sejas Ogan, “Babá” ou UM qualquer entre os milhares que trabalham por essas centenas de tendas e cabanas...

 

Quer tuas convicções, conhecimentos ou “milongas” estejam encastelados nos “cascões da vaidade”; QUER sejas UM bem intencionado, ingênuo ou não, mas tenhas de fato e de direito um dom a zelar e estás no momento na dependência de um desses “barões” que nada ensinam, mas tudo sabem e vivem salpicando a Umbanda com Lendas ridículas, originárias desses setores, onde a presença das Entidades da Lei consta apenas... de suas mitologias...

 

É a TI MESMO que cabe essa advertência: PARAI se NÃO ESTIVERES CAPACITADO, com esse riscar de pembas a “torto e a direito”, sem saberes que quanto mais assim o fizeres, estarás sendo, por tua própria mão, ENLINHADO, fixando pela vibração dos negativos daqueles a quem queres beneficiar, as mazelas que entrarão em choque, pelas simples correntes mentais que se formarão entre TU e ELES, deixando, no menor dos efeitos, “larvas” famintas que, penetrando em tua AURA, sugarão os “fluidos-alimento” que lhe são necessários para viverem e te combaterem, surgindo daí, os transtornos tão comuns em inúmeros dos que quiseram ser médiuns sem o serem com as mais variadas psicoses.  Isto, sem falar nos outros efeitos oriundos da chamada Quimbanda (magia negra) que “estouraram na cumbuca de quem não podia botar a mão”...

 

Saibam que pontos riscados, em seu significado VERDADEIRO, não são em absoluto, esses desenhos simbólicos de espadinhas bem feitas, de setinhas de inspetoria, todas iguaizinhas para qualquer “linha” e ainda, sóis radiosos e luas com cara de tristeza, com os quais se ridicularizam não os Mestres espirituais da nossa Umbanda, mas a desses “mediunismos” cujos mentores de curso primário dão aulas de “esboços lineares” sem terem a consciência que os fariam “bem pesar” a responsabilidade do que seja preparar médiuns, que não concebem ainda os perigos de um terra-a-terra, ou o do imiscuir-se[10]nos EFEITOS DO KARMANA POR SUAS “PARALELAS”, QUANDO NA AÇÃO DE UMA COBRANÇA ATIVA...

 

Saibam, então, que a pemba na magia é uma das maiores “armas” da Umbanda, não pelo objeto em si, mas pela força dos seus SINAIS, que como alfanje de dois gumes, corta para o bem e para mal.

 

Pontos riscados são ORDENS escritas de UM A VÁRIOS SETORES, com a identidade de quem pode e está ORDENADO para isso... Setor algum da Quimbanda pode desobedecer às diretrizes encaminhadas por esses veículos.

 

Pelo ponto de Pemba é que as “entidades” se identificam por completo, PRINCIPALMENTE no médium SEMI-INCONSCIENTE, pois seu subconsciente nesses “fundamentos” não INTERFERE, simplesmente porque ele (médium), não conhece o seu valor e ainda porque o significado integral dos pontos, em seu TODO só pode ser revelado a INICIADOS de primeiro grau.

 

Isso, porque a Lei de Pemba é uma lei de Umbanda tão importante, que Entidades (observem como para quase tudo eles a usam) se qualificam por ela com um ponto, no qual caracterizam três fundamentos, que se completam formando um TODO SEU.

 

Exemplifiquemos pela sua Chave Simples:

 

1º) traça um sinal, a que dão o nome de FLECHA, que mostra de qual BANDA ele é;

2º) junta ao primeiro, um outro, que se diz CHAVE, que identifica sua LINHA;

3º) feitos os dois primeiros, a entidade, se julgar necessário, completa com um terceiro, conhecido como RAIZ, que qualifica a SI MESMO, isto é, se é chefe de linha, falange, ou pertencente a essa última, e ainda com outros SINAIS ELE FORMA UM CONJUNTO CONFORME O CASO E FAZ SURGIR UM PONTO, EM SUA TOTALIDADE, PARA DETERMINADO FIM.

 

Outrossim, as “milongas” da LEI DE PEMBA, da RAIZ em diante, são transmitidas a Iniciados de 2º grau, até o marco dos POSITIVOS. Quanto aos NEGATIVOS, somente aos de primeiro grau.

 

Assim sendo, atenção irmão de Fé e coração... ATENÇÃO, senhores doutros em Umbanda, eis aí a pontinha do VÉU que, por enquanto foi permitido levantar...

 

Entender e concordar está em relação ao evolutivo de cada um. Pois apenas o autor dessa série de artigos visa que, por aqui e por ali, algumas sementes hão de encontrar campos mentais que as queiram receber e plantar, esperando assim, no futuro, os frutos que, por enquanto, estão apenas nos espinhos de sua missão.

 

[10] tomar parte de; intrometer-se; misturar-se.

 

 

A MAGIA NA UMBANDA

 

Adeptos e até mesmo expoentes de diferentes setores, religiosos, espiritualistas, filosóficos e do chamado kardecismo, pensam logo, quando ouvem falar de magia na Umbanda... em alguidar, farofa e pano preto.

 

Essas “coisas” que são usadas por aí também não devem ser olhadas com desprezo, porque correspondem ao plano daqueles que ainda não concebem causas e efeitos... e afinal, convenhamos, tudo tem sua razão de ser...

 

Mas daí a julgarem e generalizarem essas práticas elementares como inerentes à Lei de Umbanda fazem com que outros tenham para com os “donos” desses conceitos, um olhar compreensivo e um riso... de ironia.

 

Para uns, a magia que nossos Orixás, Guias e Protetores externam, é essa que eles encontram (e de que se afastam com medo) nas encruzilhadas das ruas...

 

Para outros, a magia se expressa em “colares”, amuletos ou patuás, feitos ao som de infernais batucadas, onde o famoso diabo faz-se em dupla e confunde seu gargalhar com os de Exu.

 

E ainda, para outros mais, não passa de um conjunto de superstições e sugestões que qualificam de “baixo espiritismo”.

 

Ó mal interpretada Umbanda de Todos Nós, agradece isso a certos “escritores” que “te deram à luz” como originária de cultos africanos, cujas lendas coloriram e jogaram no mercado das ilusões.

 

E quando não tiveram mais o que haurir do Panteão dos Deuses Afros, buscaram a inspiração que lhes faltava nos candomblés e “omolocôs” dos últimos tempos, surgindo mais literatura barata, “pescada em águas turvas”.

 

Assim criaram até uma genealogia de tribos e pajés, incutindo nas multidões que os “caboclos” e “pretos velhos” da Umbanda se conservam tal e qual nas priscas eras, isto é, no estado primitivo.

 

E essas ditas multidões passaram a concebê-los em correrias pelas matas, flechando e lutando de tacape em punho... quando não se emocionam, até as lágrimas, com a chegada de um pai-preto que, em suas imaginações, vem sangrando ainda das chicotadas de um “sinhô branco”....

 

Compreendam, portanto, senhores sensatos de todos os setores e os que se dizem e são umbandistas... a maioria desses “ambientes” que se rotulam de Umbanda, nunca o foram, NÃO SÃO, mas poderão vir a sê-los. São evolutivos em fases que caracterizam planos. Estão dentro, porém não traduzem ainda a “Umbanda em si”... são degraus pelos quais UNS sobem e OUTROS subiram para encontra-la em sua plenitude...

 

As Entidades que militam na Umbanda, no imperativo de uma Missão, revestem suas vestes próprias, soma de seus Karmas, com UMA das TRÊS FORMAS que simbolizam três virtudes: HUMILDADE – SIMPLICIDADE e PUREZA, que são correlatas aos PRETOS-VELHOS, CABOCLOS e CRIANÇAS, que os identificam dentro da Lei.

 

Por certo que estas ditas “formas” lhe são afins de encarnações passadas, onde muito sofreram e evoluíram ESPIRITUALMENTE.

 

São espíritos de grande evolução, MAGOS de profundos conhecimentos que podem ser aferidos por qualquer um... se as “máquinas transmissoras” o forem de FATO e em VERDADE, o que, infelizmente, não está acontecendo na atualidade. “Fábricas de aparelhos” os lançam em profusão sem ligarem à qualidade, pois querem é quantidade.

 

Por certo, que já citadas três formas não são mera convenção: obedecem e refletem um princípio Trinitário (da Tríade, Ternário, Triângulo) e do número que regia e rege o mistério das religiões do mundo, o 3 que Zoroastro disse “reinar em toda parte do Universo”.

 

E a Umbanda não copiou seus VERDADEIROS FUNDAMENTOS de nenhuma religião, mormente das ditas africanas, pois, entre os Cabiras, povo de inconcebível antiguidade, ela já era praticada.

 

Saibam todos que os vocábulos Xangô, Ogum, Oxossi, Yemanjá, etc. não são diretamente oriundos das línguas africanas. Vêm de Uma original, daquela que os próprios BRAHMAS DESCONHECIAM A ESSÊNCIA...

 

E traduzem termos LITÚRGICOS, SAGRADOS, VIBRADOS, que pronunciados certos e com CERTAS MODULAÇÕES, imantam e movimentas CERTAS FORÇAS pela MAGIA DO SOM, conhecidas dos INICIADOS da primitivas Academias ou “Colégios de Deus “ do ciclo de RAMA, Melchisedec, Moisés e Jesus.

 

E aqueles nossos irmãos de raça negra, por tradição oral de seus ancestrais, sacerdotes e também Iniciados, ficaram sabendo, apenas as suas CORRESPONDÊNCXAS FONÉTICAS e o sentido mitológico.

 

Agora vou direto ao assunto desse artigo: EXISTE MAGIA NA LEI DE UMBANDA: não essa magia com “marafa e dendê”; NÃO essa de “tuia, menga e galo preto”; nem tampouco tiramos curso, através dos livros do ramo que se vendem nas livrarias; e não fazemos de “Papus” manual de cabeceira.

 

A MAGIA que os Orixás, guias e Protetores praticam na Umbanda, somente compreendida por Iniciados dela, escapa à “visão comum” dos intrometidos que querem se arvorar em seus “mentores”, porque traduz “forças sutis do Mundo Divino dirigidas da Luz para o BEM”.

 

E, convenhamos, mais uma vez, isso foge à compreensão daqueles que pararam de DISCERNIR pela Mente Espiritual e somente “pensam” por “aquilo” que outros limitaram, de acordo com suas próprias concepções, escravizados ao círculo vicioso dos textos e das fórmulas.

 

 

 A PONTA DO VÉU

 

Sonha alma de Umbanda... sonha a transfiguração do Infinito Existente no irrealizável Presente... e desperta na prova Real da “forma”, que os números do Destino SOMOU em Causas e Efeitos...

 

E não permitas, jamais, que teu “duplo em fuga” se transporte ao Grande Templo, situado “naquelas regiões” do Ilimitado Cosmos, onde as sete portas não tem chaves, nem os Sete Véus encobrem as Sete Vibrações Viventes: onde a palavra é SOM, COR e LUZ e que neste pobre linguajar humano não podes traduzir, limitado, como estás, pelas densas roupagens com que te revestiste, para galgar os planos que conduzem a Eternidade Consciente.

 

Porém, voltando a “inconsciência do momento”, recordações de “verdades perdidas” que compõe a Lei, jorram em borbotões, sobre o mental de um pequenino “eu”...

 

E como, Oh! ZAMBI ILUMINADO, como expressá-las no meio ambiente, onde a letra é forma e o raciocínio se aferra ao “frio veículo”, dos textos e das fórmulas, que conferem quilométricas culturas, não divisíveis por um centímetro “daquilo” que somente flui pela Mente Espiritual e que se conhece como Dom da Sabedoria.

 

Mas, é necessário tentar dizer o que para muitos não será difícil entender: Irmão meu, que vives nas brumas ilusórias do exterior, eu conheço teu drama; tu o trazes estampado nos olhos, nas faces e na voz, pelas flexões que tomam, quando interrogas ou respondes, exteriorizadas na ânsia de saber coisas, que viriam acalmar as dúvidas que moram em tua habitação mental, mormente na angústia dos “porquês” refreados, que desejarias gritar a quem de fato os pudesse responder...

 

Assim, irmão-médium, não perguntas a este ou aquele: e sim aos Orixás, Guias e Protetores...

 

Mas, para conseguires realmente que eles falem “em ti”, deves estar com o teu mediúnico afinado e para isso, aceita um conselho amigo: usa “essa chave”, ela abre certo conhecimentos do mecanismo da chamada incorporação, que é a mais usada na Umbanda atual, pela qual, por teu esforço, descobrirás o que está faltando para “teu caso”, ei-la: o corpo físico é um simples boneco, NÃO É NELE que se DÁ o ATO da incorporação; ele apenas externa os EFEITOS como máquina palpável e visível.

 

Busca e identifica esse fenômeno no teu CORPO ASTRAL que tu mesmo, ser pensante mental, empresta para que outra alma afim, REVESTIDA DA MESMA SUBSTÂNCIA ASTRAL, faça fixação ao ENCONTRAR FLUÍDOS SEMELHANTES, e daí, por intermédio do teu “duplo grosseiro” vitalize e dirija sua vontade inteligente sobre essa mesma MÁQUINA FÍSICA que é TUA, mas que estás cedendo, pela força do mediunismo que te é inerente.

 

E esses FLUÍDOS SEMELHANTES terás:

 

1º ) identificando tua VIBRAÇÃO pela Entidade de Guarda;

 

2º) RELACIONANDO-A com elementos da natureza (ÁGUAS, VEGETAIS E MINERAIS), para deles usares os átomos vitalizantes que limpam e fortalecem tua aura física, pois que, quase em maioria, eles estão compondo teu corpo material;

 

3º) que para entrares na “mironga certa”, como por exemplo, os BANHOS E ERVAS PARA DIFERENTES FINALIDADES, terás que rasgar esse atestado de incapacidade ao adquirires os famosos banhos de balcão, de ervas secas sem CONTROLE DE PESO, QUANTIDADE E QUALIDADE e, que não estão em relação com a deficiência de “cada um” quer pela dita vibração original, quer pela influência dos astros em suas composições.

 

Outrossim, para melhor entendimento, não relacione as palavras “influência dos astros”,  somente como expressão na Astrologia e sim como a MAGIA criadora das vibrações Cósmicas, que influíram na gestação do teu humano ser.

 

Enfim, deves compreender que esses banhos de descarga que “abrem caminhos” ou “cortam isso ou aquilo”, comprados feitos, e esses defumadores também nos mesmos moldes, NÃO TRADUZEM, de maneira alguma, as qualidades adequadas aos FLUÍDOS NEGATIVOS OU POSITIVOS que se façam necessários em CADA CASO.

 

E é, sem sombra de dúvidas, que se pode garantir, não ter partido de nenhum Orixá, Guia ou Protetor, SEJA DE QUEM FOR, a afirmativa de que o USO DESSAS DITAS COISAS, sejam de fato e de direito o que Eles TENHAM COMO VERDADEIRAS.

 

Além disso, fica sabendo que os legítimos banhos de ervas SÃO CONTRABALANÇADOS DENTRO DE CERTA MAGIA, portanto, não servem apenas, para CRIAR SUGESTÕES DE FÉ: Jogam com DETERMINADAS FORÇAS, que somente as Entidades estariam capacitadas a COORDENAR.

 

E ainda, se teu Dom está identificado como pertencente ao plano de Umbanda, não “vivas” somente apegado ao Livro dos Médiuns de Kardec. Essa admirável obra te dará uma boa doutrina e excelente moral, mas quanto à maneira prática de desenvolver as diferentes faculdades mediúnicas, naquele livro é abordada muito por “alto”. Não ensina como se processa o mecanismo de “fixação e ligação” e muitos menos na dita incorporativa, que nem citada claramente é.

 

Ora, a Umbanda está interpenetrada por inúmeros e excelentes médiuns, mas que deveriam estar no plano Kardecista, no qual suas “aptidões” estariam assim como que em “terreno próprio” e teimam em querer que nossas Entidades tomem “conta deles”, afastando assim seus Protetores, que não estão INTEGRADOS NEM ORDENADOS, na LINHA, LEGIÃO ou FALANGE, isto é, não podem usar as “três formas” que EXPRESSAM e IDENTIFICAM OS COMPONENTES DA LEI, quais sejam dos CABOCLOS, PRETOS-VELHOS E CRIANÇAS, pois somente os SETE ORIXÁS PRINCIPAIS DE CADA LINHA SÃO SEM FORMAS, porque são NÃO INCORPORANTES.

 

E é por isso que os VIDENTES nas Tendas de Umbanda veem Espíritos de aparências várias, pensando ser os “mesmos nossos”, causando interpretações errôneas, porque desconhecem que aqueles estão por ali, por terem obtido permissão para isso e aguardam, pacientemente que seus aparelhos se encaminhem para o setor que lhes é próprio, porque FORMA PROPRIAMENTE DITA, é a “vestimenta” que o Espírito adquiriu através de encarnações sucessivas: É A SOMA DE UM KARMA. Essa é velada completamente por uma das TRÊS CITADAS quando, por seus conhecimentos, é chamado a cumprir Missão na Grande Lei de Umbanda.

 

 

A YOXANAN

(Transfiguração de Pai Preto)

 

Senhor Dirigente das Almas! Eis-me aqui, diante de TI, humilde, beijando o pó do plano terra...

 

Senhor! Este pequenino “eu”, como bem sabes, deu cumprimento às Tuas Ordens... Outrora, quando em alertas Tua VOZ lancei, de advertência Teus conselhos espalhei, somente o VAZIO de um silêncio tumular foi a resposta que senti, de Tuas almas chegar...

 

Mestre meu! O campo que mandaste semear é o mais agreste de todos os campos...

 

Senhor! Lidei com as ferramentas que deste: Verdade – Lógica – Razão e, quantas vezes, ao vibrá-las sem desfalecimento, senti-as “vergar o gume” nas rochas da vaidade e da premeditada incompreensão...

 

E, muito embora as sementes espalhadas tenham dado seus frutos, pressinto que bem poucos queiram, realmente, provar-lhes o sabor...

 

Senhor!... Eu confesso e TU bem o sabes, tenho minh’alma desiludida e cansada pelo entrechoque dos sub-planos... no entanto, aguardarei contrito as Tuas Ordens.

 

Que determinação o amanhã trará a mais, a um pobre “eu”, que geme na penumbra da forma e muito sabe do que foi e pouco do que possa vir a ser?

 

Senhor – Yoxanan – Mestre meu! Dê-me forças!

 

Sinto “aquelas” mesmas causas do passado, geradoras da razão de ser do meu presente, precipitarem as mesmas circunstâncias... e terrível dilema do “querer e não poder – poder e não querer”, desafiar, tirânico, minhas próprias forças... mas que importa?

 

Senhor! Talvez que visse Jesus martirizado na cruz de sua infinita dor... e haurisse assim, nesta visão, o alento que me sustém numa Missão – ordena, portanto, “aqui estou”.

 

Senhor! Vejo panoramas celestes descortinarem regiões do futuro e, como conter a ansiedade, quando estas coisas fazem sentir a impaciência do presente? Esperar? Sim...

 

Porque esperando vive “quem foi, é e será”...

 

 

AOS APARELHOS UMBANDISTAS

 

Filhos de Orixá! Aparelhos que o forem de fato, desta Umbanda de todos Nós!!!

 

Muito se tem escrito sobre a Lei de Umbanda. Uns, fizeram-na oriunda dos cultos africanos – de cujo Panteão, extraíram lendas que coloriram em “quadrinhos infantis”, semeando, no mercado da ingenuidade, frutos esquecidos da árvore do fetichismo.

 

Outros, criaram uma genealogia de Tribos e Pajés em ritmo de “candomblé” e através dos tambores, atabaques e palmas, revivem pela invocação dos espíritos afins, eras que os séculos deixaram nas noites do passado...<52fp>

 

E ainda outros, conservaram e ampliaram a dita Linha dos Santos e, entre preces do Kardecismo, Ave-Marias e credo em cruz, vão praticando o que dizem ser Umbanda verdadeira.

 

Tudo isto deve estar certo, porque tudo tem sua razão de ser, isto é, a concepção é inerente ao plano de cada um... no entanto, tentarei demonstrar, neste livro, que estas coisas estão dentro, porém não são ainda a Umbanda em SI – em sua plenitude.

 

Então, convido a todos, principalmente a estes que estudam e pesquisam, “pensam raciocinando” e sabem discernir, a acompanhar esse ligeiro retrospecto, às fonte religiosas primitivas.

 

Comecemos pela China, onde vamos encontrar o YI-KING, livro sagrado do mais antigo sábio que a história chinesa constata; FO-HI [11], há 5.500 anos, o qual já se referia a outros sábios, dos quais aprendera as verdades que desejava legar as gerações. Ensina as relações do homem com a criação através de sinais e figuras em forma de Círculos e linhas, horizontais e verticais, deixando o lado esotérico cuidadosamente velado. Porém, em seus Trigramas, definia o vértice de toda ciência iniciática referente ao Cosmos, isto é, a Magia e suas forças que para o vulgo, o povo se traduziam numa espécie de Tarô, como arte adivinhatória.

 

Olhemos rapidamente o Egito, nas páginas de seus livros sagrados e verificamos logo que antiquíssima tradição conservava, por sinais secretos e imagens (desenhos simbólicos), as mesmas verdades eternas somente alcançadas e compreendidas por Iniciados de uma ORDEM.

 

Assim, vemos que adoravam forças e tinham especial respeito ao Sol (RÁ) que, para eles, refletia um Deus único, em sua forma trinitária.

 

Conheciam e praticavam a Magia, faziam invocações às Divindades ou Espíritos Superiores e os fenômenos espíritas eram conhecidos desde as manifestações e comunicações, dentro de certos ritos com cânticos vibrados, dirigidos a determinada Entidade, quando desejavam que sua força se fixasse numa imagem, objeto, etc.

 

Reportemo-nos à Índia, no que consta como mais antigo, os livros sagrados dos Vedas. Compilados por VYASA há 3.400 anos [12] e que segundo Paul Gibier (“Do Faquirismos Ocidental”), tem uma antiguidade impossível de precisar, pois, diz ele, Shouryo-Shiddanto, astrônomo hindu em suas observações sobre o percurso e posição das estrelas que se reportam há 58.000 anos já citava os Vedas como obras veneradas desde um passado longínquo.

 

Que ensinam e revelam essas obras? Vemos ali, as Ciências Ocultas, através da Magia, quando invocavam as divindades, assim como AGNI, o fogo sagrado ou o Deus do fogo; INDRA, vencedor dos inimigos terrestres e suscitador das chuvas; VARUNA, o céu estrelado; MITRA, o céu divino; SURIA, YAMA, YAMI, etc., entre cânticos místicos, pelos quais pediam assistência aos Espíritos Superiores e o faziam obedecendo a um ritual e onde, naturalmente, deviam se dar as manifestações e, logicamente, as comunicações.

 

Ensinam a Lei de Causa e Efeito, da imortalidade e reencarnação, tudo dentro da concepção de um Deus Único (monoteísmo), quando explicam o porquê do Eterno Masculino e do Eterno Feminino...

 

Podemos penetrar mais ainda, há uns 8.600 anos, quando vamos encontrar a fundação do ciclo de RAMA, segundo as provas que nos dão Fabre d’Olivet, Edouard Schuré e o insigne Saint-Yves d’Alveydre.

 

Já então RAMA (o Primeiro Patriarca da Ordem desse nome) tinha também deixado um livro em LÍNGUA HERMÉTICA (esta mesma que contém o alfabeto Ariano ou Adâmico ) com caracteres secretos, com SINAIS e TRIÂNGULOS, representados em uma Esfera ou Círculo, onde os PRINCÍPIOS E AS VERDADES ORIGINAIS estavam definidas...

 

E fiquemos por aqui, pois já é o suficiente para o leitor guiar-se.

 

Que traduziam para o homem estas revelações, conhecimentos, práticas, símbolos, ritos, formas, cânticos, SINAIS SECRETOS, invocações místicas, fenômenos ditos espíritas, DESDE OS DIAS DA ETERNIDADE ? VERDADES que o homem não criou, apenas constatou de sua Existência e estas Verdades vieram ao seu raciocínio, desde o momento em que começou a sondar o DESCONHECIDO pelas forças que sentia viventes em si e na própria Natureza.

 

Qual então o impulso primitivo que o fez pesquisar, descobrir e conceber essas ditas verdades? Cremos que, em primeiro lugar, o Temor vindo da própria ignorância, que por sua vez ativou-lhe o espírito no qual já vinha imantado o Sentimento Religioso, ou seja, a necessidade da relação do seu próprio EGO, com o sobrenatural.

 

E foi então que se provocou, em sua consciência, a Revelação Divina, pela Religião, berço de TODAS AS CIÊNCIAS, pois que é a própria MAGIA DE DEUS.

 

Assim chegamos a uma conclusão: tudo já existia antes mesmo que o Espírito animasse a forma humana; esse Todo Existente não é ACASO, obedece a uma LEI que coordena o movimento evolutivo, dentro da Unidade que é manifestação básica desse mesmo Deus. E essa Lei, essa Religião Original que conjuga Forças de qualquer plano, é o ELO EMPOEIRADO da Raça Vermelha à Negra e destas até nós, que a tradição embaralhou... Basta lembrar que Moisés, grande Iniciado, aprendeu-a de JETRO, seu sogro, sábio negro de pura raça e deixa visível em sua Gênese que “no princípio, era uma só fala e, uma só religião”.

 

No entanto, mais ou menos há 5.200 anos, deu-se o “cisma de Yrschú [13], consequência das ambições, pressões e conveniências políticas que fizeram sentir, principalmente sobre Krisna, que concordou em alterar sólidos princípios que a tradição esotérica vinha conservando ciosamente através das “Academias ou Colégios de Deus”. [14]

 

Dessa época aos nossos dias, esse ELO, não obstante ter sido ocultado por MELCHISEDEC (Millik-Saddai-Ka, que significa “REI DE JUSTIÇA”, último Pontífice da Ordem de Rama), veio à Luz nos tempos presentes, dentro dessa mesma Lei que chamamos de UMBANDA, que se prova pela ciência dos números, com sua própria NUMEROLOGIA.

 

[11] Ver Henri Durville – A Ciência Secreta – 1ª volume

 

[12] Ref. Ext da Obra “Afinal, Quem Somos?“ de Pedro Granja, tirada de “Do Faquirismo Ocidental” de Paul Gibier.

 

[13]Descrito no Livro Védico (Skanda-Purãna), citado por inúmeros autores. O princípio da dissolução da Ordem Espiritual que regia os povos da antiguidade começou com o célebre cisma de Yrschú, filho mais moço do imperador Ugra, da Índia. Este príncipe, não podendo atingir o poder pelos meios legais, porquanto o trono devia pertencer ao seu irmão mais velho chamado Tarak’ya, provocou um cisma, com o fim de apoderar-se do poder. Tal cisma, tinha a finalidade de reformar, ou antes, dividir as opiniões filosóficas, religiosas, políticas e sociais daqueles tempos. Proclamava que se devia antes venerar a Natureza, como princípio feminino, do que Deus, o princípio masculino da Criação. Embora os sábios tivessem declarado que Deus unia em si ambos os princípios, masculino e feminino, Yrschú não se deu por vencido e continuou com sua doutrina de reformismo social. Daí originou-se a doutrina filosófica denominada JONIA ou naturalista, em oposição à filosofia DORIA ou espiritualista. Tendo reunido grande número de adeptos, Yrschú declarou a revolta armada, sendo porém, vencido e expulso do território da Índia. Os remanescentes desse famoso cisma vieram se estabelecer na Ásia Menor, Arábia e Egito, combatendo por toda parte a ordem espiritual estabelecida e implantando o seu sistema de governo, do qual originaram todas as formas de governos absolutos ou tirânicos até hoje conhecidos. Ver “Forças Ocultas, Luz e Caridade” de J.Dias Sobrinho.

 

[14] Estes termos: Academias ou Colégios de Deus são postos em relevo também por inúmeros autores, em várias obras, quando querem fazer referência às antigas Escolas que, de fato, seguiam e ensinavam a verdadeira “tradição esotérica”.

 

 

APARELHOS UMBANDISTAS... ALERTA! 

(texto completo)

 

Aparelhos umbandistas que o forem de fato e em verdade desta UMBANDA DE TODOS NÓS! Companheiros nesta silenciosa batalha de todas as noites, imperativo de uma missão, legado de nossos próprios Karmas.

 

FILHOS DE ORIXÁS, de Fé, alma e coração - ALERTA!

 

ALERTA contra esta onda pululante de "mentores" que, jamais ouvindo as vozes dos verdadeiros Guias e Protetores vivem amoldando, diariamente, dentro de suas conveniências pessoais, uma "umbanda à revelia", convictos de que podem arvorar-se em dirigentes do Meio, não obstante serem sabedores da existência, em seu seio, de veículos reais, que sabem traduzir em Verdade, as expressões desta mesma Lei!

 

ALERTA contra esta proliferação de "babás" e "babalaôs" que, por esquinas e vielas, transformam a nossa Umbanda em cigana corriqueira, enfeitada de colares de louça e vidro, e , ao som de tambores e instrumentos bárbaros, vão predispondo mentes instintivas e excitações, geradoras de certas sensações, que o fetichismo embala das selvas africanas aos salões da nossa metrópole.

 

ALERTA contra essas ridículas histórias da carochinha, assimiladas e "digeridas" em inúmeros "terreiros" que se dizem de Umbanda, as quais podemos "enfeixar" num simples exemplo na crença comum (entre eles), de que Xangô "não se dá" com Ogum, porque este em priscas eras, traiu aquele, raptando sua mulher, e, por consequência, vê-se os que se dizem "cavalos" de Xangô, não recebê-lo, quando "Ogum está no reino", e vice-versa... Até nos setores que se consideram mais elevados, esta vã superstição ainda tem guarida...

 

ALERTA contra este surto de idolatria-fetichista, incentivada pelas incontáveis estátuas de bruxos e bruxas, e, particularmente de umas, que asseveram serem dos Exus tais e tais, de chifres e espetos em forma de tridentes que pretendem assemelhar a mitológica figura do Diabo, mas TODAS, fruto do tino comercial dos "sabidos", IDEALIZADAS NAS FÁBRICAS DO GÊNERO, já compondo ou "firmando" Congás, cultuadas entre "comes e bebes" em perfeita analogia com os antigos adoradores do "bezerro de ouro", que tanto provocou as iras de Moisés.

 

ALERTA irmãos sensatos na Fé pela razão! ALERTA contra esta infindável barafunda oriunda da apelidada "linha de santé", quando identificam, a esmo, Santos e Santas dentro de Umbanda, ao ponto de cada Tenda criar uma "similitude" própria...

 

E não é só isso; quem se dispuser a dar um "giro na umbanda" que certos terreiros apresentam (não nessa minoria de Tendas mais conhecidas, já constituídas em baluartes da Religião), ficará simplesmente desolado. Terá oportunidade de ver indivíduos fantasiados com cocares de penas de espanador, tacapes, arcos e flechas, externarem maneiras esquisitas, em nome do Guia A ou B, consultando, dando passes e quantas mais, santo Deus, que não podemos dizer aqui...

 

Verificará ainda o animismo e a auto-sugestão suprirem uma mediunidade inexistente, quando certos gritinhos identificarem elementos do sexo feminino, que , em "transe", dizem personificar "Oguns, Xangôs e Oxossis..."

 

Continuando, verá outros caracterizados de "Kimbanda Kia Kusaka", tal a profusão de amuletos, colares e patuás que ostentam. Todos eles, se interrogados sobre Umbanda, largam a mesma cantilena dos outros, arrematando sempre com a já famosa frase: "Umbanda tem milonga” ou “milonga de umbanda quem diz é congá"... e, na sequência deste arremate, tomam ares misteriosos, "insondáveis" e fecham com a "chave de mestre" , dizendo: "tem milonga, si sinhô...mas congá num diz..."

 

Aparelhos-Chefes! Presidentes de Tendas! Por que ficarmos indiferentes diante deste "estado de coisas"? Por que silenciarmos, se esta atitude pode dar margem a que qualifiquem todos os umbandistas como de uma só "panelinha"? Por que estarmos passando, em nós mesmos, um suposto atestado de incapacidade, quando deixamos de defender os legítimos Princípios da Lei de Umbanda, pela separação do "joio do trigo", dentro de um mal interpretado espírito de tolerância?

 

Sim, somos e devemos ser TOLERANTES com TODAS as formas de expressão religiosa: - RESPEITAMOS as concepções de cada um em seus respectivos planos, mas, daí a colocarmos dentro DELES, levados por uma tolerância prejudicial, o bom nome da Umbanda que praticamos, é simplesmente tornarmos real este "atestado de incapacidade", se não houver coragem e idealismo para separarmos "os alhos dos bugalhos ".

 

Sim, mormente na atualidade, quando se vê num crescente assustador, charlatães arvorarem-se em “pais-de-santo” e, invariavelmente, usarem o nome da Umbanda como fachada ou isca.

 

Por que, sabedores como somos, destas coisas, não externamos em CONJUNTO uma RESSALVA para que fique patente nossa repulsa? Somos ou não VEÍCULOS dos Orixás, Guias e Protetores de uma SÓ LEI com UMA SÓ coordenação de sistemas e regras, Princípios e Fundamentos?

 

Se o somos, porque temermos situar os esclarecimentos que virão tirar dúvidas dos que anseiam por eles? Que nos impede afirmamos A UMA SÓ VOZ, as verdades que estes mesmos Orixás, Guias e Protetores, fazem questão de esclarecer? Será por excessiva modéstia, humildade? Talvez seja.

 

Todavia, desconfiamos de outra causa, de uma causa mater, que faz todo movimento tendente a este fim, morrer no nascedouro, pelo pavor que incute. Existe uma entidade tremendamente forte, que impera na Umbanda, maior que todos os Exus juntos, que gera a vacilação dos umbandistas, aparelhos ou não, mola real que tolhe consciência nas horas necessárias. Esta “entidade” chama-se “CABOCLO SUBCONSCIENTE”...

 

É ele quem causa o maior embaraço a qualquer união de pontos-de-vista, quando se quer situar diretrizes de “cima para baixo”, porque se faz acompanhar do irmão-gêmeo, que também não lhe fica atrás, conhecido como “CABOCLO VAIDADE”...

 

Mas, é imperioso que nos tempos atuais, haja uma unificação de PONTOS-DE-VISTA e se coordene uma defesa comum aos ideais e aos Princípios da Religião de Umbanda, que não deve continuar sendo chafurdada, sob pena de considerar-se como tibieza o “comodismo” de inúmeros de seus filhos diletos, perfeitamente capacitados a externarem a orientação das Entidades superiores militantes da Lei.

 

Urge que se faça uma “Declaração de Princípios” a todo MEIO Umbandista, firmada pelos expoentes das Tendas e Cabanas interessadas, onde se exponha com clareza e precisão, certas regras e sistemas que venham a servir como “pontos de identificação” a uma verdadeira Casa da Lei de Umbanda.

 

É necessário que se processem estes esclarecimentos aos de boa-fé, simpatizantes, adeptos, enfim a todos, para que se fique sabendo que todas essas coisas podem continuar “acontecendo ou não”, nada temos pessoalmente com elas, desde que o façam em seus nomes próprios, inerentes aos sub-planos em que estão atuantes, porém,*JAMAIS DEVEM SER CONFUNDIDAS COM AS REAIS EXPRESSÕES DA LEI DE UMBANDA.

 

 

AS SETE LÁGRIMAS... DE PAI-PRETO

 

Foi uma noite estranha aquela noite queda; estranhas vibrações afins penetravam meu Ser Mental e me faziam ansiado por algo, que pouco a pouco se fazia definir...

 

Era um quê desconhecido, mas sentia-o, como se estivesse em comunhão com minha alma e externava a sensação de um silencioso pranto...

 

Quem do mundo Astral emocionava assim um pobre “eu”? Não o soube, até adormecer... e “sonhar”...

 

Vi meu “duplo” transportar-se, atraído por cânticos que falavam de Aruanda, Estrela Guia e Zambi; eram as vozes da SENHORA DA LUZ-VELADA, dessa UMBANDA DE TODOS NÓS que chamavam seus filhos de fé...

 

E fui visitando Cabanas e Tendas, onde multidões desfilavam, mas, surpreso ficava, com aquela “visão” que em cada uma eu “via”; invariavelmente, num canto, pitando, um triste Pai-preto, chorava.

 

De seus “olhos” molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces e não sei por que, contei-as... foram sete. Na incontida vontade de saber, aproximei-me e interroguei-o: fala Pai-preto, diz a teu filho, por que externas assim uma tão visível dor?

 

E Ele, suave, respondeu: estás vendo essa multidão que entra e sai? As lágrimas contadas, distribuídas estão, a cada uma delas.

 

A primeira eu a dei a esses indiferentes que aqui vêm em busca de distração, na curiosidade de ver, bisbilhotar, para saírem ironizando daquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber...

 

Outra, a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um “milagre” que os façam “alcançar” aquilo que seus próprios merecimentos negam.

 

E mais outra foi para esses que creem, porém, numa crença cega, escrava de seus interesses estreitos. São os que vivem eternamente tratando de “casos” nascentes uns após outros...

 

E outra mais que distribui aos maus, aqueles que somente procuram a Umbanda em busca de vingança, desejam sempre prejudicar a um seu semelhante – eles pensam que nós, os Guias, somos veículos de suas mazelas, paixões, e temos obrigação de fazer o que pedem... pobres almas, que das brumas ainda não saíram.

 

Assim, vai lembrando bem, a quinta lágrima foi diretamente aos frios e calculistas – não creem, nem descreem; sabem que existe uma força e procuram se beneficiar dela de qualquer forma. Cuida-se deles, não conhecem a palavra gratidão, negarão amanhã até que conheceram uma casa da Umbanda...

 

Chegam suaves, têm o riso e o elogio à flor dos lábios, são fáceis, muito fáceis; mas se olhares bem seus semblantes, verás escrito em letras claras: creio na tua Umbanda, nos teus Caboclos e no teu Zambi, mas somente se vencerem o “meu caso”, ou me curarem “disso ou daquilo”...

 

A sexta lágrima eu a dei aos fúteis que andam de Tenda em Tenda, não acreditam em nada, buscam apenas aconchegos e conchavos; seus olhos revelam um interesse diferente, sei bem o que eles buscam.

 

E a sétima, filho, notaste como foi grande e como deslizou pesada? Foi a ÚLTIMA LÁGRIMA, aquela que “vive” nos “olhos” de todos os “pretos-velhos”; fiz doação dessa, aos vaidosos, cheios de empáfia, para que lavem suas máscaras e todos possam vê-los como realmente são...

 

“Cegos, guias de cegos”, andam se exibindo com a Banda, tal e qual mariposas em torno da luz; essa mesma LUZ que eles não conseguem VER, porque só visam a exteriorização de seus próprios “egos”...

 

“Olhai-os” bem, vede como suas fisionomias são turvas e desconfiadas; observai-os quando falam “doutrinando”; suas vozes são ocas, dizem tudo de “cor e salteado”, numa linguagem sem calor, cantando loas aos nossos Guias e Protetores, em conselhos e conceitos de caridade, essa mesma caridade que não fazem, aferrados ao conforto da matéria e a gula do vil metal. Eles não têm convicção.

 

Assim, filho meu, foi para esses todos que viste cair, uma a uma, AS SETE LÁGRIMAS DE PAI-PRETO! Então, com minha alma*em pranto, tornei a perguntar: não tens mais nada a dizer, Pai-Preto?

E, daquela “forma velha”, vi um véu caindo e num clarão intenso que ofuscava tanto, ouvi mais uma vez...

 

“Mando a luz da minha transfiguração para aqueles que esquecidos pensam que estão... ELES FORMAM A MAIOR DESSAS MULTIDÕES”...

 

São os humildes, os simples; estão na Umbanda pela Umbanda, na confiança pela razão... SÃO OS SEUS FILHOS DE FÉ.

 

São também os “aparelhos”, trabalhadores, silenciosos, cujas ferramentas chamam-se DOM e FÉ, e cujos “salários” de cada noite... são pagos quase sempre com uma só moeda, que traduz o seu valor numa única palavra – a INGRATIDÃO...

 

 INVOCAÇÃO DE UMBANDA

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Oh! Senhora da Luz Velada - Umbanda de Todos Nós...

 

Oh! Mãe Geradora da Eterna Magia, que acolhes em teu seio as lágrimas e gemidos de todos os desesperados e aflitos de todos os planos...

 

Oh! TU, que revelas em Tua Própria Luz a dor nascente das Causas e dos Efeitos... em súplica vibramos nossos pensamentos através de Tua Grande Lei...

 

E pedimos a Teus Orixás, Guias e Protetores, irmãos que não mais resgatam na penumbra da forma,  interceder por nós aos pés da Cruz do meigo Oxalá...

 

Imploramos ainda, por intermédio deles, aos Sete Espíritos de DEUS, derramarem sobre todas as dores o conforto de suas Vibrações Originais.

 

E dê-nos sempre essa mesma Luz-força que pedimos e sentimos, quando na simplicidade de nossos Congás, um humilde Pai-preto nos fala de Zamby, Estrela Guia, Amor e Perdão...

 

Recebe portanto, Oh! Senhora da Banda, a soma de nossas ações que pesam na balança de nossos renascimentos desde as noites da Eternidade.

 

 

ORIXÁ, QUEM ÉS? 

 

Eis que mandei dar um Grito de Alerta a todos os Filhos da Lei; eis que mandei "pedaços" do GRANDE VÉU serem rasgados...

 

Eis que ordenei a toda Banda despertar seus filhos diletos... Eis ainda, de YOXANAN, escolhidos então...

 

Eis que agora, dou um segundo BRADO. TREMEI, tremei e sacudi os "cascões" que vos cobrem o "Ego". Rasgai as máscaras da vaidade que vos cegam, ofuscando a "visão” interior.

 

AFASTAI-VOS do "nevoeiro", que "faz morada" nos  lugares onde seu NOME é usado envolto em um manto escuro, onde placas de lama o tornam tão negro, que os olhos dos bons, dos sinceros na Fé, ficam obscurecidos, por tantas "camadas" que não mais conseguem dividir a cor LIRIAL do*seu VERDADEIRO MANTO existente em sua FLOR, "que não fia e não tece"...

 

Assim, mais uma vez, na inspiração de algo que está em mim e NÃO é meu, escutei aquela mesma "VOZ" que não estava súplice... mas, vibrante, como se os canglores de mil trombetas paralisassem tudo o que era "vida"; e nesse momento, um pobre "eu", esfacelado, beijando o "pó do plano terra" ainda que teve forças para interrogar: ORIXÁ, QUEM ÉS?

 

Tornei a ouvir: Eu não o SOU... SOU aquele que a SENHORA DA LUZ VELADA, essa UMBANDA de todos nós, mandou, ordenando RELIGAR as diferentes concepções a uma só mística, em sua "única causa", e posso SER também qualquer Espírito, guia ou protetor, que, por merecimento, afinidade e conhecimento, no imperativo do KARMA, é chamado a colocar-se sob as VIBRAÇÕES ORIGINAIS de uma Entidade Superior, que assim me ordena e capacita como "ORIXÁ", ainda em Missão, através do mediunismo, inerente ao Plano da Lei de Umbanda, e , ainda, de acordo com minhas aptidões e inclinações, tomar a "forma" que dentro do meu Grau, seja ordenado usar.

 

EIS ENTÃO, na linguagem fria dos números que “FALAM, REVELAM e NÃO MENTEM”, as provas que vão “pesar” nos vossos evolutivos.

 

Comecemos pelo 1 de UMA LINHA, que fixa as vibrações em mais 7. Desdobremos Esses, 7 vezes mais 7, encontramo-los “vivendo” em mais 49 coordenadas. Somemos estes 3 totais e a soma, 57, multipliquemo-la por 7 e verificamos que sua “expansão” gerou um TOTAL de 399 “ORIXÁS”, componentes da dita LINHA; “centralizemos” esse total, em seu significado, no DIVINO. A soma dos números 3, 9, 9, é igual a 21, que dividida ainda pelo 3, gera um 7, ou por este, gera um 3, isto é, as LINHAS, as LEGIÕES e as FALANGES, ou, o primeiro 3 que se compondo de 3 partes, forma UM TRIÂNGULO; o segundo número 9, que é composto de 3 partes 3 vezes, forma TRÊS TRIÂNGULOS; e o terceiro número 9, é igual a mais TRÊS TRIÂNGULOS que, somados, DÃO SETE TRIÂNGULOS das SETE VIBRAÇÕES ORIGINAIS, que, se “condensando” em seus PONTOS INICIAIS, “formam-se” em CÍRCULOS, que SÃO AS SETE ESFERAS$2C girantes em torno de UM.

 

Este total de UMA LINHA em expansão de SETE, gerou o TOTAL DA LEI e SUAS LINHAS, com 2.793 ORIXÁS. A soma de cada um destes dois números TOTAIS, gera UM só, o 21, que se divide em SETE, TRÊS, e este, no UM ORIGINAL, pois somente os 7 Orixás PRINCIPAIS de cada Linha, são não-incorporantes, mas, excepcionalmente, conferem suas vibrações diretas sobre um aparelho.

 

Observem ainda, que todos os números Primos que traduzem “força” entraram nesta “operação” inclusive o 5 primeiro de uma soma...

 

Ainda poderia dar-vos mais SEIS CHAVES PELO CÍRCULO INICIAL do TRIÂNGULO em “expansão e centralização” da UNIDADE A TOTALIDADE, provando que os “ORIXÁS” DE UMBANDA, “sabem, falam e revelam”... e este “pequenino “eu”, na ânsia incontida de um raciocínio subjugado a um “limite mental”, na sede devoradora de um saber, cambaleante chegou aos “pés” daquele que traz nas “costas” o peso da experiência acumulada através das idades e disse: Pai- preto, fala diz como fazê-los “entender” o que NÃO está arraigado neles, pois, parece-me estou só... e os seus “espinhos” dilaceram tanto... porque escolhido fui entre AQUELES que vão INICIAR?...

 

Pai-preto, manso, tão suave como o cântico que fala de uma saudade...falou:

 

- Dize aquilo que É, SERÁ e sempre FOI. Que importa se inúmeros não aceitam? Muitos, entre esses, surgirão que, compreendendo, ajudarão, afirmando hoje e talvez por amanhãs sem fim, a LEI conforme tem que SER.

 

As Entidades Siderais que irradiam suas vibrações dos diferentes Planos até chegar ao circunscrito ao Planeta Terra, ESCOLHEM Espíritos, - guias ou protetores – que, envolvidos e ordenados por essas FÔRÇAS ORIGINAIS, ficam assim qualificados como trabalhadores da Grande Lei de Umbanda, os quais são elevados a uma CHEFIA que seu evoluir lhes confere.

 

Certas palavras são usadas e transmitidas ao mediúnico dos nossos irmãos cativos na matéria que, desconhecendo ou “esquecendo” seu verdadeiro significado, por NÓS são lembrados, quando em Missão assistimos a qualquer povo de acordo com as concepções imperantes em seus componentes na Época.

 

E nunca oriundas de raças primitivas, que fundiram superstição e fetichismo no atavismo, dando-lhe o valor que seus “entendimentos” podiam aquilatar, porque as vibrações, nos seus efeitos das Leis da Natureza, QUER pela arte de seus “Elementos Astrais”, QUER pela influência dos mesmos em seus psiquismos, FOI-LHES INTUÍDO OU ENSINADO QUE ERAM, de acordo com os fenômenos dos quais eles tinham VAGOS conhecimentos, FORÇAS enviadas, de UM ASTRO, que, nos prazos conhecidos, também se repetiam.

 

Como não é um só planeta que faz sentir sua influência na Terra, essas ditas MANIFESTAÇÕES DE CADA UM, pensavam partirem também dos “ORIXÁS”, benéficos ou maléficos e apelavam nos seus “trabalhos” de invocações, a proteção DAQUELE que desejavam ou temiam no momento, e, assim, imploravam a UM ORIXALÁ que mandasse favorecê-los ou perdoá-los “por seus Orixás”.

 

Particularmente ao SOL, acreditavam ser o maior, e por onde um poder superior que eles não definiam bem, OLHAVA diretamente para TUDO!

 

Para isso, por ANALOGIA, podeis aferir, nas multidões atuais, o pouco que melhoraram quanto ao “sentido exato” dessas mesmas palavras, inclusive os Livros que ainda as traduzem pelas concepções daqueles tempos...

 

E, na quietude final de uma madrugada, os galos anunciavam o dia, parecendo nos seus cantares dizer: ORI-XÁ, ORIXA-LÁ... como se com isso, dissessem: LUZ DONA DO CÉU, vem che-gan-do...

 

 SENHORA DA LUZ-VELADA

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OH! SENHORA DA LEI, este humilde caminheiro sente-se cansado... tem o desânimo a medir-lhe os passos... e mal começou a trilhar tua Grande Estrada...

 

O sono da tristeza envolve-lhe a Alma que se agita presa aos grilhões da matéria... deixa então que adormeça e na visão de um querer, veja teu Lirial Manto abrindo-se em pétalas de luz, cobrir os diletos filhos teus...

 

Pois que, de alguns, já divisei a tímida presença, quando em defesa de tuas mais simples verdades, afrontavam ainda vacilantes os “espinhos mentais”, frutos de um arraigado fetichismo que, em turbilhões, saracoteiam e atacam de todo parte ...

 

Por certo vi um ou outro fugir da liça, apavorado com o entrechocar das “armas”, mas, bem o sei, não ficarei eternamente só... Quando surgirão eles, os outros, para tua Lei confirmar? Porque, NÃO somente a mim coube iniciar...

 

Assim, no imperativo de certa VOZ, que vibra e ordena dos espaços siderais a interpretação de “uma Ciência do Verbo”, desejaria que Ela “falasse” também a inúmeros que são Chefes de Terreiro e perguntasse a cada um, baixinho, suave em seus ouvidos:

Oh! Tu que dizes incorporar uma Entidade, enfeitado de cor berrante, com um, três ou mais colares de LOUÇA e VIDRO pendurados no pescoço, iguaizinhos a esses que se usam nas fantasias de baianas, balangandãs que são próprios aos folguedos do “cara suja”, comprados nos balcões da descrença, feitos por mãos impuras, copiado, de livro que nenhum Orixá garantiu que fosse “mironga” de sua Lei e, te pões em frente ao Congá, mandando bater os tambores, com palmas e pontos gritados... Dize, irmão meu, em que realidade, o que irás “receber”?...  Reflete, serena teu mental...  Será um protetor da Vibração de Ogum, Xangô ou um Pai Preto?

 

Poderias então responder, cheio de brios, que é um desses, que teu “pai-de-santo” foi ou é o tal, e ninguém duvidou dessa Entidade...

 

Sim... mas como estás enganado, oh! FILHO DE ORIXÁ! Ninguém duvida de sua existência, mas, “dela em ti”, DESSA MANEIRA, inclusive tu mesmo, que vives num dilema, isto é, no Ser Real, onde fala aquela voz que se chama consciência, ela te diz não estares “interpretando” bem esse Guia... e está certo.

 

Tudo isso que praticas NÃO FOI DIRETAMENTE ENSINADO POR TEU PROTETOR ATRAVÉS DE TEU MEDIÚNICO. Aprendeste copiando de outros... senão vejamos:

 

Essas guias coloridas que ostentas no peito e que adquiriste como se fosse da linha A ou B, e que não expressam nem relacionam as vibrações das Entidades, de acordo com a Natureza, pois não são “objetos virgens”, oriundos das matas, dos rios ou do mar e não têm nenhuma fixação de força ordenada, não sendo preparadas com os valores dos sinais da Lei de Pemba, foi ele mesmo, teu desenvolvedor “de verdade” que determinou usares?

 

Ainda dentro de tua concepção, ou com a dita imperante no momento, analisa isso: Caboclos e Pretos Velhos, que tem suas mirongas nas favas, folhas e raízes (ervas) e nas estrelas do mar, conchas, búzios e semelhantes, todas originárias desses mesmos elementos da natureza, possuIam MÁQUINAS APROPRIADAS para fabricar louça e vidro e manipularem disso, lindas e multiformes continhas de cores variadas?... sabes que não.

 

Esses pontos riscados, cópias simbólicas comercializadas por terceiros, tipo standard, é “ele mesmo em ti” que traça?... sabes que não!  Essa quase maioria que samba em teu redor, exibindo uma mediunidade que tu não acreditas real, foi escolhida como médium por ter esse DOM de fato e de direito, por teu Chefe Espiritual?... sabes que não!

 

Então filho, medita. Não mais exponhas ao ridículo a nossa Umbanda, equiparando-a a uma festa africana; não interprete nossas Entidades pensando serem “realmente” os tais pretos escravos e os caboclos ferozes das selvas, de mentes atrasadas, que ainda são engabelados com as tais MIÇANGAS INFANTIS...

 

Os componentes da Lei tomam essas “formas” para expressarem a HUMILDADE, a simplicidade, o sacrifício... Em realidade, os Orixás-Intermediários”, isto é, esses que têm chefia de Linha e Falange, são Espíritos altamente evoluídos, verdadeiros Magos, senhores de conhecimentos profundos e, mesmo os demais integrantes desses setores são também de luz e grande saber.

 

Por isso, deves começar desde já, a te amoldares nessa sublime missão, qual seja a de praticares a Religião como deve ser, quer pela sua Magia, quer pela filosofia, como Eles mesmos ensinaram, pois que Umbanda não é criação recente, nem de poucos séculos...

 

É a religião primitiva, QUE SE FEZ DIFUNDIR EM RAMA, por MOISÉS seguida e por JESUS confirmada, cujos ensinamentos ficaram esparsos e interpelados pelos cisões através dos tempos... Portanto sempre existiu, desde quando “esse mundo” começou a ter “vida consciente”.

 

 UMBANDA, QUEM ÉS?

 

Oh! Senhora do Karmana... eis-me aqui, pobre "eu" que geme na penumbra da forma e exausto, se arrastando chega ao pé da Tua Porta... abafa esse grito ansiado que vibra dentro de minha alma. Ele afere como se instrumentos invisíveis tivessem estacionado seus "NÚMEROS musicais de SONS COLORIDOS", num lamentoso só... e escuta então.

 

Contas venho prestar; de YOXANAN, ordens cumpridas, dei; em ALERTAS, sua Voz lancei...; de ADVERTÊNCIA seus conselhos espalhei; de CÓLERA, seu "brado" vibrei, e na lousa fria da razão, suas VERDADES REVELEI... e somente o "eco" de um silêncio tumular foi a resposta que senti de "tuas almas" chegar.

 

Agora, genuflexo ao pó do "plano terra", torno a implorar: Oh! Senhora da Banda, sopra chamas de Luz em teus diletos filhos, pois parece, continuam na silenciosa expectativa do ser ou não ser, do duvidar ou crer. Dize por que hei de ver tua Lei na interpretação obscurecida de umas "tantas quantidades", como se de papiros poluídos fossem os fundamentos teus...

 

Serás, por acaso, essa cigana corriqueira, enfeitada de colares de louça e vidro, que, em requebros lascivos, danças e cantas, despertando o atavismo, essa herança discutível, e estendes as mãos onde as castanholas se chocam, mostrando no multicolor das "gangas', paisagens convidativas, que envolvem aconchegos e conchavos?

 

Seria talvez, essa dama coberta de seda e veludo, que habita nesses templos brilhantes de mármores furta-cores, onde se espalha a Vaidade de seus "donos", ou serás esse Vestal, de roupagens brancas, que no balouçar das cortinas, deixa apenas aos míseros mortais, entrever um mundo de sonhos orientais, não se podendo distinguir que espécie de Umbanda és?...

 

Serás ainda essa umbanda que alguns plantaram e outros querem semear, cujas raízes foram transformadas em galhos de Lendas e folhas de Mitologias, gerando frutos exóticos, cujo sabor está em relação com a gula que "cada um tem" de ser seu único e exclusivo possuidor?

E será. Oh! porque será que teus Orixás estão em tão prolongado silêncio?...

Será que por "verem" tantos e tantos aparelhos se construírem em veículos próprios e, em consequência, "dispensarem os serviços" desses mesmos guias e protetores, passando a fazer de tuas mais simples verdades, um fascinante baralho de "mirongas", procurando impingir a Gregos e Troianos, o A, B, C, que eles ainda não sabem nem por onde começar?

 

E assim, como sempre, na inspiração de algo que está em mim e NÃO é meu, a YOXANAN clamei: Mestre meu e de mais seis, mas que "fixado" em mim és como tu mesmo o disseste: Traduz, Senhor, essas vozes constantes que agora ouço...

 

Ele então, na transfiguração impressionante de sua LUZ ofuscante, VEICULOU:

 

EU SOU A SENHORA DA LUZ VELADA, essa UMBANDA DE TODOS VÓS, Mãe geradora de todas as Ciências, pois que SOU a própria MAGIA, "veículo básico" do SUPREMO ILUMINADO...

 

É por mim que SEUS "pensamentos-ordens" fazem as vibrações se conjugarem, da Unidade à Totalidade, do Marco Inicial ao Ponto Final da Única Verdade, RELIGANDO todas as místicas a uma só causa-original...

 

Eu ONTEM fui Aquela que conheci a tudo e a todos e SOU essa que desperta em toda alma, a concepção da EXISTÊNCIA DÊLE; em RAMA firmei seu VERBO REVELADOR, e DAÍ "meu manto ser sempre visto de várias formas"; no entanto, EU SOU O PRÓPRIO  MANTO DO INCRIADO...

 

...mas, HOJE eu sou ONTEM e minha "IDADE" é revelada por uns "quantos na forma" e por outros "tantos no espaço", ORIXÁS que são em cima ou embaixo...

 

E ainda vos digo: minhas manifestações são "ordenadas por UM", dirigidas por VÁRIOS e executadas por MUITOS, pois que tudo "é movimento de SUA VONTADE", antes mesmo que ELE desse "vida-ativa" aos INCRIADOS espíritos, CRIANDO-LHES "almas de Si", pelo sopro do Livre Arbítrio, desde quando começaram a GERAR SEUS PRÓPRIOS KARMAS...

 

E assim velando, de YOXANAN, "ISSO" escutei: e por quanto tempo ainda?... isso eu não sei...  

 

 

VOZES SOBRE UMBANDA

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Silencioso, na humildade do Congá, trabalhava, carregando a Missão da noite escura das Dívidas, a alvorada do Resgate, quando vi seus clarões iluminarem mais um "caminho" por onde minha alma extenuada tinha que passar, mas, antevendo os desenganos, vacilava...

 

Porém... o chamado era imperioso e dizia: anda, vai, escuta, observa e cumpra a tua parte...

 

E assim sendo, fui e cheguei. Pus-me a escutar as "Vozes" que falavam de Umbanda. De umas, as palavras fluíam eloquentes, empolgavam pelo conhecimento, buscando origens e explicações... era a "cultura da doutrina". De outras, o Verbo se espraiava vibrante, mostrando causas e coisas, citavam exemplos e interrogavam... era a ânsia de Saber.

 

De outras mais, que refletiam inteligências de mentes ágeis explanando teorias belas, em cujas "imagens" se podia identificar o reflexo...dos Livros. E ainda outras se fizeram ouvir, veementes na imposição do "Eu Sei" emissora de vagas concepções... E todas pareciam penetradas pela Fé.

 

Entretanto, a tristeza, filha da decepção, apoderou-se de mim e fez com que descobrisse o porquê. Então elevando o pensamento ao Astral, fi-lo clamar angustiado:

 

...OH! Senhora da Luz Velada, Umbanda de Todos Nós... faltam aqui as "Vozes" daqueles que são teus filhos diletos... Poderias Tu levar aos "quatro ventos", pelo som dos clarins da Falange de Jorge, uma pequenina e humilde "voz" com essa mensagem?... Ogans, "Babas", Pais-pequenos, Mães-pequenas, médiuns que o forem de fato e direito, meus desconhecidos Confrades: Onde Estais?...

 

Desçam de suas "Tendas" de sonho e perfume e venham "ver" e ouvir a Realidade... Por acaso não chegaram a seus ouvidos as notícias do que "está se passando"? Se não, ouçam e "entendam" o que quero dizer: Nós, que somos os trabalhadores de todas as noites, veículos desses "Orixás" que nos ensinam a existência dessa mesma Umbanda; nós, primeiros a ser esclarecidos em seus fundamentos, que amassamos seu "pão de cada dia" e nos sentimos ferir em seus "espinhos"... nós é que somos os mais indicados a distribuir suas Pétalas... pois, sabemos, ELA existe no Jardim da Luz e do Merecimento, aspergindo sua essência aos sequiosos e aflitos que buscam seu Seio como guarida.

 

Assim, devemos reconhecer essas Verdades e "despertar" do ridículo em que ficamos quando certas interrogações nos são feitas do porquê - "em cada canto, a coisa é diferente"?

 

Unifiquemos "pontos-de-vista", para não darmos o triste espetáculo, visto e revisto do "cada um por si" com uma banda própria...

 

Sim... porque APENAS numa coisa somos unos, é na FÉ... e fortalecido nela, com a vontade irmanada a um ideal, na inspiração de algo que está em mim e não é meu, ouço sempre uma "VOZ", súplice, dizer...Oh! Senhora da Luz Velada, Tu, que acalentas nos braços os sofrimentos de todos os Planos, desvelando e dando a cada um, segundo seu grau, as verdades que estão em Ti... olha e vigia "ESSES" que vão ser encarregados de colher Teus ensinamentos... não permitas que, nessa hora, Teus Congás permaneçam mudos, pois, BEM O SABES, quase todos estão "quedos", testemunhas silenciosas de "panoramas e cenários"... ai, quão doloroso é senti-los assim... e por quanto tempo ainda... Oh! Umbanda! Teus "Congás" ficarão "em funeral"? 

 

 

 VOZES DO CONGÁ

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 OH! SENHORA DA LUZ-VELADA, UMBANDA DE TODOS NÓS: olhai a silenciosa tristeza dos teus quedos Congás.... Eles continuam na dolorosa expectativa dos mesmos panoramas e cenários...

 

Senhora! dai-lhes “vida” e fazei-os entrar em comunhão com os vossos diletos filhos...

 

Se ordenardes, as vozes de todos os “congás” sairão frementes e, como chamas de fogo, marcarão consciências, pondo um marco limitando tanta vaidade e tanta encenação...

 

Fala triste Congá!...  se tua voz pudesse aferir no mediúnico desses que se “vestem de aparelhos” de tua Umbanda por certo que o faria assim:

 

Oh! Tu que diriges a tantos, como médium-Chefe, eu não sou pura e simplesmente essas imagens. Reflete: ISTO É APENAS MEU EXTERIOR. SOU o “oculto fixado e existente” pela presença dos ORIXÁS, Guias e Protetores... Das centenas e centenas de pensamentos de respeito que meu lugar impõe, é que nasce a FÉ, que os fazem entrar em harmonia com as vibrações dessas mesmas Entidades...

 

Portanto, eu tenho mil olhos: vejo o “eu visível e invisível, a erva daninha e as pétalas em flor”,  que por ventura, plantadas em tua alma, estejam...

 

Porque, então, usas essas cores berrantes, esses colares de LOUÇA e VIDRO, missangas que são inerentes aos folguedos do Carnaval, comprados no balcão da descrença, quase sempre acompanhadas pelo aflorar de um sorriso irônico?

 

Oh! tu, que no alarido dos tambores e dos pontos gritados, verdadeiras batucadas que não traduzem a divina prece cantada de nossos Orixás, na imantação das forças originais da nossa Umbanda: - fica sabendo que com isso, tu “desenvolves” apenas aquela espécie de psiquismo, que, na MENTE INSTINTIVA, jaz semiadormecida, herança de um primitivismo que o transcorrer dos séculos deixou nas noites do Passado...

 

FILHOS DE ORIXÁ, clareia tua visão interior, interroga, na silenciosa paz da alma, a teu Guia Espiritual, se ele de fato e de direito aceita essas coisas todas que usas e ostentas.

 

Confessa, então, à própria consciência, pela resposta que na certa irás receber, que tudo isso NÃO PARTE de “sua vontade”, pelo teu mediunismo...

 

FICA SABENDO da grande responsabilidade que assumes perante a LEI DO KARMA, se, ao estenderes as mãos sobre um médium ou qualquer outro que necessitar, NÃO o fizeres com a “mente limpa” e SOBRETUDO, QUE TENHAS A CERTEZA DE ESTAR CAPACITADO, através de um dom real e EXISTENTE para impregná-los de vibrações corretas em vez de “sobrecarregá-los por acréscimo” com tuas próprias mazelas. Contribuis, assim, para precipitares causas e efeitos, que, INEXORAVELMENTE sentirás, cedo ou tarde, pelos diversos transtornos que irão aparecendo em tua vida, sem aparente explicação.

 

Ou então, quando sob a aparente inocência desses que vão pedir “isso ou aquilo” para suavizar suas aflições, “larvas famintas que moram em seus “auras”, oriundas desses setores da chamada Quimbanda, conhecendo que não estás “ordenado” para lidar com elas, coesas envolver-te-ão à procura de um “PONTO FRACO”...

 

Fica sabendo, então, que Umbanda é a “palavra perdida” que identifica, no Brasil, a mesma Religião primitiva firmada em RAMA, na LEI ordenada pelo SUPREMO ILUMINADO, AQUELE ZAMBI de nossos Pretos-velhos...

 

Fica sabendo ainda que ela é a Mãe Geradora de todos os conhecimentos, pois FOI, É e SERÁ a revelação original que se expandiu no “Verbo” desses Grandes Iniciados que foram Manu, Buda, Confúcio, Moisés, Sócrates, etc., que ensinaram as mesmas verdades que JESUS, nosso OXALÁ, veio confirmar e dizer aos simples e humildes, conforme nossos Guias o fazem, de acordo com o EVOLUTIVO de “cada um”...

 

E FICA SABENDO, POR FIM, que seu NOME não deve servir de “fachada a circo de cavalinhos”...

 

Toma cuidado! Guarda firme, no “Eu” pensante, essa advertência: a Lei, na Umbanda, é COORDENADA por uma “força básica” que se chama MAGIA.

 

Se não conheceres pelo menos alguns de seus MOVIMENTOS POSITIVOS, na certa CAIRÁS envolvido em seus MOVIMENTOS NEGATIVOS...

 

Assim, na inspiração de algo que está em mim e NÃO é meu, na interpretação dessa voz vibrada de YOXANAN, por Pai-preto suavizada, esse pobre “eu” externou somente aquilo que qualquer um, livre dos “duros cascões”, não deixará de reconhecer como... simples verdades, que, na confusão atual, SÃO NECESSÁRIAS QUE SE DIGAM...

 

 Texto publicado em Lições de Umbanda (e quimbanda) na palavra de um “Preto Velho” – 1ª edição,1961

 

OS VÉUS DA DOR  

Oh! Senhor dos Mundos… Onde estás? Que não te ouço mais, desde aquele instante-luz – marco na eternidade de minha percepção consciente, dito como livre-arbítrio! Instante maldito em que, usando de minha vontade, desci às terríveis regiões cósmicas da ignorância – do desconhecido…

 

Onde estás? Onde estás agora, Senhor? Quando as chagas da dor, de sofrimento mil, vêm marcando como fogo esta minha alma, através de tantas e tantas encarnações e nesta se consubstanciaram na tremenda exigência desse testemunho de fogo.

 

Oh! Senhor das Vidas! Quão rígido é sentir-se os véus da dor abrir o íntimo da consciência e revelar em quadros retrospectivos a soma das ações contundentes, com as quais feri, da esquerda para a direita, a esses e aqueles…

 

Oh! Senhor da Eternidade! Quão terrível é ver se rasgar os Véus da Dor, sentindo consciente interpenetrá-la, nas profundas razões – de causas e efeitos, geradoras dessas condições, já marcadas no ritmo da consequência…

 

Mas, oh! Senhor das Almas! Afirmo-te que conscientemente: - mais doloroso que essas dores foi a revelação que a mim veio…  Passarão as noites e os séculos, aos milhões, na repetição incessante dos Ciclos e, entretanto, a libertação final se encontra tão longe ainda, quanto a distância-luz que me falta para ascender, através das galáxias, à Linha de Evolução Original – aquela de onde vim…

 

E é por isso, Senhor, que sofro a desesperação de um saber, preso às células orgânicas que desgastei, no entrechoque das lutas e das emoções!

 

Sim, sim Senhor das Vidas! Porque estas células sensíveis conservam, no íntimo de sua natureza, a marca dos espinhos que rasgaram os véus da minha vontade, dos meus desejos, desnudando-me a alma para a vertigem das encarnações.

 

Sim! Ainda conservo a lembrança de meu primeiro pranto consciente, porque vi, impressas nas lágrimas derramadas, as sendas que havia construído no passado…  Elas, Senhor, se uniam como linhas, no final, formando um caminho e nele eu me via frente a frente com meu ponto-crucial.

 

Mas, oh! Senhor das Consciências! Quantas vezes – TU bem o sabes – consegui afastá-lo, pelas mil artimanhas de meu espírito… e, no entanto, ontem senti uma imperiosa necessidade de enfrentá-lo e hoje, ele – esse ponto-crucial, rasga mais um véu, o da grande dor, no testemunho consciente da prova que aceitei e dei nesta vida…

 

Agora, oh! Senhor da Suprema Lei, que parece tudo haver passado como um furacão, me ajuda a esquecer – porque, perdoar eu já o fiz – as dolorosas impressões ainda estão aferradas em minha alma, de tantas e tantas traições, de tantas e tantas punhaladas e de tantas e tantas incompreensões.

 

 

 Umbanda é a Luz nas Trevas

e os Caboclos e Pretos Velhos são os raios dessa Luz

que denodadamente vão lançando pouco a pouco

nos ambientes ou agrupamentos afins. 

(W.W. da Mata e Silva)

 

 

 

FONTES BIBLIOGRÁFICAS

MATTA E SILVA, W.W.  Doutrina Secreta da Umbanda: Revelações Mediúnicas X Fatores Cabalísticos – Científicos – Metafísicos. 1ª ed.Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1967.

 

_____ Lições de Umbanda (e Quimbanda) na palavra de um “Preto Velho”. 1ª ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1961.

 

_____Macumbas e Candomblés na Umbanda 2ª ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1977.

 

_____Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda 3ª ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1981.

 

_____Segredos da Magia de Umbanda e Quimbanda. 1ª ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1964.

 

_____Umbanda de Todos Nós (a lei revelada). 2ª ed. Retificada, Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1960.

 

_____Umbanda do Brasil. 1ª ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1969.

 

_____Umbanda e o Poder da Mediunidade. 2ª ed. revista e aumentada, Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1978.

 

_____Umbanda sua Eterna Doutrina. 4ª ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1985.

 

TRINDADE, Diamantino Fernandes. Umbanda Brasileira: um século de história. São Paulo: Ícone, 2009.

 

http://www.aumbhandan.org.br

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