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42- O Vácuo da "Convergência": Desdobramentos
42- O Vácuo da "Convergência": Desdobramentos

             
                 O Vácuo Iniciático da "Convergência": Desdobramentos
 

Rio de Janeiro, 10 de março de 2017

 

Muitos colocam Matta e Silva como etnocentrista e adepto do evolucionismo cultural. Esta, tem sido uma crítica constantemente difundida, que comumente se faz presente no discurso de certos "inovadores" que supostamente estariam "retificando" o legado de Matta e Silva. Antes de tudo, atentemos que, há muito, que a antropologia positivista foi superada já que: considerava as chamadas “sociedades primitivas” como uma etapa atrasada da evolução da história social da humanidade.

Eis que uma luz surge em Claude Lévi-Strauss, que em seu brilhante trabalho antropológico, afirma que na verdade: as ditas “sociedades primitivas” possuíam uma determinada maneira de se organizar objetivamente em suas relações sociais, o que com efeito, constituía em consequência suas estruturas culturais próprias.

Portanto, para Strauss não se tratava de evolucionismo cultural -- com etapas culturais hierarquicamente definidas -- sendo a do europeu branco, superior aquela do africano ou do índio: ou seja, cada qual tem o seu sentido próprio de existência e organização, sendo pois, um erro hierarquizá-los -- em superior versus inferior. É patente que Matta e Silva quando buscou fundamentar as raízes esotéricas da Umbanda no plano físico, o fez em sua literatura, citando a raça ameríndia em seu apogeu na era pré-cabralina, onde descreveu essa coletividade antiquissima como, outrora, altamente situada em seus planos evolutivos perante o Astral Superior, de tal forma que a centralidade do sistema de conexão dessa raça (vermelha) com a espiritualidade, que ficou conhecido como TUYABAÉ-CUAÁ, serviu de base fundamental para todos os outros sistemas relígio-científicos, com suas estruturas cabalísticas e esotéricas coordenadas pela Lei do Verbo, através do posterior surgimento das diversas civilizações mundo a fora. Ou seja, neste continuum esotérico desenrolado na linha temporal do mundo físico, o TUYABAÉ-CUAÁ foi e, é, segundo Matta e Silva, a própria Proto-Síntese Relígio-Científica da Ancestralidade da Umbanda, ou o Conjunto das Leis de Deus.

 

Da mesma forma, Matta e Silva situou a raça negra, do ponto de vista da mesma sabedoria transcendental, encontrada na Lei de Umbanda, como uma coletividade que viveu em tempos remotos grande apogeu no que concerne à uma ligação profunda com os mistérios da natureza, pela sua exploração, por via de conhecimentos vários no terreno da magia, cuja sabedoria e experiência aquilatada por seus antigos Babalawôs era, em essência, oriunda da Tradição do dito TUYABAÉ-CUAÁ dos antiquissimos Payés da raça vermelha.

 

Por conseguinte, nesta leitura se faz necessário que fique claro que: segundo a perspectiva relígio-científica apresentada por Matta e Silva, através da Lei de Umbanda em sua Proto-Síntese, o raio de luz primevo, consubstanciado no TUYABAÉ-CUAÁ, que por sua vez atravessou o mundo e conservou-se no que existiu de mais sagrado nas antigas academias e templos iniciáticos onde a Lei foi preservada, é a mesma realidade espiritual que presentificou o plano do espírito na matéria em todos os povos de todos os tempos. 

 

A questão, portanto, discutida de forma crítica por Matta e Silva é a multiplicidade de planos e estados de consciência, que olham para este mesmo raio de luz de modos, formas e de perspectivas diferentes sendo, portanto, multifacetadas e multidimensionadas de modo incoordenado e aleatório pelas massas populares, de tal forma que, naturalmente, estas expressões humanas, quando recaem sobre as consciências imprimem concepções, comportamentos e práticas extremamente distintas umas das outras de modo que: inevitavelmente, surgem deturpações, distorções e perda de valores, mas, não do ponto de vista do paradigma patenteado por Lévi-Strauss, não à título de evolucionismo cultural segundo sua perspectiva antropológica. Pois, neste caso, segundo Matta e Silva, não se trata de uma classificação sociocultural nos moldes do positivismo europeu. No caso da Raiz de Guiné, se trata de uma leitura iniciática crítica de se avaliar claramente o que são de fato distorções no movimento umbandista e como essas distorções foram processadas, todavia, tendo como base fundamental dessa contrapartida crítica a perspectiva Relígio-Científica da Proto-Síntese da Lei de Umbanda, que apresenta, em particular, pela Lei do Verbo à forma de se conceber essa luz como sendo una, indiferenciada e uníssona em sua manifestação universal, cuja essência é a própria unidade, dita como AUM.

 

Lembremos que a velocidade com a qual certas mudanças ocorrem, em concomitância com a diversidade de entendimentos -- extremamente dinâmicos e volúveis -- que interpretam essas mudanças, podem se dar de tal modo e em tal proporção, que o tempo e as condições de elaboração necessários para que os seus elementos identitários essenciais se estabilizem na consciência, passa a ser insuficiente, já que as pessoas passam a não dispor do fundamental espaço de tempo e de condições psicológicas afins para equilibrar seus psiquismos através dos processos de reflexão, adaptação e estabilização do espiritual no campo dos seus modos de existência material. O resultado é o estabelecimento de um sistema de relações líquidas em sua existência, conforme magistralmente pode ser apreciado nas obras de Zygmunt Bauman. Esse é o ponto nevrálgico de discussão desse texto: liquidez e superficialização da relações do humano com o espiritual na Umbanda Esotérica.    

 

Pois bem, no plano antropológico descrito por Lévi-Strauss, juntamente com outras perspectivas presentes nas Ciências Humanas, como dissemos, a tal “convergência” da Raiz de Guiné parece ganhar possibilidade. Mas, aqui, discutimos essa possibilidade em outra dimensão: a possibilidade desta “convergência” na dimensão da Proto-Síntese Relígio-Científica Cabalística e Esotérica da Ancestralidade da Umbanda do Brasil, apresentada por Matta e Silva na estrutura que ficou conhecida como Raiz de Guiné.

 

Sintetizamos nossa discussão no seguinte ponto: a grande questão não é, de maneira alguma, invalidar quaisquer que sejam as expressões, práticas ou concepções de Umbanda e/ou de Religiões Afro-Brasileiras. Pois, se assim procedermos, entramos de imediato em séria contradição com a nossa própria narrativa, na medida em que passamos a adotar com isso uma postura etnocentrista e evolucionista do positivismo.

 

É justo e natural, que cada qual, siga a faixa que naturalmente e espontaneamente atenda seus anseios da alma.

 

Portanto, não é disso que se trata essa leitura. A preocupação vigente, a qual é compartilhada pelos colaboradores do site umbandadobrasil é: o encaminhamento ou atitude de promover alterações na Raiz de Guiné, em específico, mexendo em estruturas fundamentais de entendimento e prática, sem uma base e/ou critério adequado, tão somente com base em concepções contingentes, arbitrariamente estabelecidas, dentro do dito sistema de relações líquidas supracitado, onde a pressa em se firmar conceitos e retificações parece ser o combustível para este modus operandi de atitude e relações.

 

Assim, entramos nessa questão, pontuando que a conhecida pretensão de se promover à dita “convergência” da Raiz de Guiné com outros setores religiosos da forma como foi apresentada, é, a nosso ver, questionável, insuficiente e rasa.

 

Perceba que nosso foco de questionamento é a tentativa de se mexer, em específico, na concepção de Raiz de Guiné, apresentada por Matta e Silva, enquanto um dos diversos setores religiosos atuantes no Brasil, jamais como o único validado e autorizado setor religioso a dar conta dos evolutivos em seus múltiplos planos e dimensões de consciência.

 

Por que este questionamento?

 

Porque somente verificamos, até o momento, certos pressupostos que até podem ser encaminhados para essa proposta, dentro de certa leitura que se baseia nas Ciências Humanas. Todavia, a Raiz de Guiné não é uma modalidade de conhecimento científica, orientada e restrita a uma epistemologia e a uma concepção ontológica (com seus reducionismos), ainda que esta esteja em um processo sistemático de releituras.

 

A Raiz de Guiné é uma escola que fundamenta-se na chamada Proto-Síntese Relígio-Científica da Ancestralidade da Umbanda do Brasil, que se assenta no mundo físico, especialmente, pela Lei do Verbo (“expressão-tradução-transdução” signária das Vibrações ou Potências Planetárias Originais), o qual se articula com elementos da astrologia, das forças sutis da natureza, da sonometria (pelos mantras e pontos cantados de raiz) integrada, por sua vez, com os alfabetos adâmico e da escrita pré-histórica brasileira. E todos esses elementos, por seu turno, são matematicamente hierarquizados pela numerologia da Lei de Umbanda – com sua potência e cinética expressa na expansão setenária-- em seus planos de ação através de suas paralelas ativa e passiva que configuram sua totalidade -- sob a égide do Senhor Cristo Jesus.

 

Enfim, tudo isso, é um movimento sistêmico, unitário, indivisível, que ganha sua síntese funcional e operante na magia, na expressão correta da Lei de Pemba dos Sinais Riscados.

 

Assim sendo, questionamos como essa pretensão de “convergência” se dá nessa dimensão da Proto-Síntese Relígio-Científica, enquanto sistema unitário vital da Raiz de Guiné descrito por Matta e Silva?

 

Por exemplo, Matta e Silva apresentou um organograma com denominações que situam as classes de Entidades astrais que militam na Corrente Astral da Lei de Umbanda, dentro dos chamados entrecruzamentos vibratórios.

 

Logo, dentro da leitura relígio-científica, esposada por Matta e Silva, temos condição de saber:

- a sua Vibração Original Regente ou Orixá e, se esta, tem ou não entrecruzamento com outras Linhas Vibracionais;

- a partir disso, qual é o seu guardião ou serventia correspondente no plano terra-a-terra;

- se possível, sua situação na hierarquia da Lei de Umbanda;

- pela Lei do Verbo pode-se traduzir seu nome de guerra, extraindo-se aspectos de sua Raça-raiz, de suas variantes astrológicas em associação com as do seu “cavalo mediúnico”;

- esses dados supracitados, conferem substrato, dentro de certo eró, para o levantamento dos aspectos essenciais do médium em sua caminhada cármica por via da Lei de Umbanda, podendo, em parte, ser “espelhados”, traduzidos e projetados dentro de certa correspondência de sinais da Lei de Pemba, na toalha iniciática do dito médium, a fim de: servir como ponto de fixação de forças específicas para ele.

 

Então, questiona-se: observa-se, certa logística nas denominações e práticas, próprias, na Raiz de Guiné. Como então situar outras denominações ou grupos de entidades que, segundo o próprio Matta e Silva, não entram nesse sistema, mas, entrariam na dita “convergência”?

 

Por exemplo: as entidades conhecidas como Marinheiros, Encantados, Baianos, Malandros, Marias, etc. Não estamos de modo algum, invalidando a existência e o trabalho dessas Entidades, a qual, dispensamos o devido respeito....vejam, que não se trata de uma “questão ontológica” de existir ou não existir ou da natureza e presença dessas Entidades, em seus respectivos campos de trabalho. Acreditamos que sejam uma realidade, um fato, o trabalho delas.

 

A questão aqui é: se existe de fato e de direito, DO PONTO DE VISTA DA PROTO-SÍNTESE RELÍGIO-CIENTÍFICA ANCESTRAL DO BRASIL NA LEI DE UMBANDA, EXPRESSA PELA RAIZ DE PAI GUINÉ D'ANGOLA, um movimento de “convergência” da Raiz de Guiné com outras Religiões Afro-Brasileiras e outras modalidades de Umbanda, especialmente, por essa Raiz, segundo a tese de alguns, estar atrasada e obsoleta?

 

A QUESTÃO É: COMO ESSA” CONVERGÊNCIA” OCORRE, SE CONCILIA, SE INTEGRA, SE COADUNA E SE SINTETIZA NO CAMPO RELIGÍO-CIENTÍFICO VITAL DA RAIZ DE GUINÉ COM A ESTRUTURA ESOTÉRICA DESCRITA POR MATTA E SILVA?

 

Não tenho qualquer tipo de resposta até o momento a essa questão... estamos aguardando...

 

Até lá, fico com a chamada “letra morta” das obras do velho e saudoso vô Matta.

 

Santa Paz

 

Tarso Bastos