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1º GRAU - AULA Nº 16
1º GRAU - AULA Nº 16

A mediunidade de fato existe? Sim! Existe e sempre existiu desde que o homem é criatura e criatura é homem ou mulher...

 

Atestam ou dão testemunho disso os mais antigos livros sagrados de todos os povos ou raças, inclusive a Bíblia com o seu Velho e Novo Testamento. Apenas, foi Allan Kardec quem popularizou esse assunto através de suas conhecidíssimas obras, ditas como codificadoras da doutrina dos espíritos, ou seja, do Espiritismo propriamente dito, como ficou denominado, posteriormente...

Tanto é que, sobre esse tema de mediunidade e suas manifestações, já se têm gasto milhares e milhares de litros de tinta, para milhões de palavras, na incessante repetição dos mesmos ensinamentos, pelos mesmos fenómenos através de uma fartíssima literatura de cunho espírita ou espirítico, espiritualista, doutrinária etc.… literatura essa – repetimos - que vem reafirmando, ensinando, os mesmos ângulos e de tanto doutrinar a coisa conseguiu estabelecer como regra "indiscutível" que: "todos nós somos médiuns, dessa ou daquela forma" etc...

 

Mas, sobre quais argumentos, sobre quais pontos ou ensinamentos fundamentais, toda essa literatura de Kardec e após Kardec se baseou para ter criado a citada regra?

 

Agora somos nós que afirmamos: indiscutivelmente, sobre os próprios ensinamentos do codificador do espiritismo... e que estão no seu Livro dos Médiuns (21. ª edição, de 1951, da F. Espírita Brasileira) à pág. 166 - Capítulo XIV - "Dos Médiuns", que diz textualmente: "Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são mais ou menos médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva".

 

Aí está a coisa - o cavalo de batalha.... Daí é que surgiu ou que arquitetaram a regra e por aí mesmo cai a dita regra.

 

Que foram esses os principais ensinamentos de Kardec que deram margem a uma dupla interpretação por parte dos interessados e dos apressados, não temos a menor dúvida, pois pesquisamos a dita coisa e chegamos a essa conclusão.

 

São palavras, são frases que foram ou que estão coordenadas, parece que a dedo, a fim de expressarem: sim, é, não é, pode ser, pode não ser, tanto é, como não etc...

 

Vejamos em ligeira análise. Diz Kardec, logo de início: "todo aquêle que sente, num grau qualquer, a influência dos espíritos é, por êsse fato, médium"... Notem: pelo simples fato de se receber, de alguma sorte, a influência dos espíritos ou dos "mortos", Kardec diz que a pessoa é um médium, isto é, um veículo dos espíritos no conceito fundamentado do termo... Será possível que Kardec tenha concebido e escrito isso mesmo?

 

E continua dizendo mais que, "essa faculdade é inerente ao homem, não é privilégio exclusivo", por isso mesmo, raras são as pessoas que dela (da faculdade) não possuam alguns rudimentos"... e por isso mesmo, pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns"...

 

De dentro dessa afirmação teórica — do "pode-se dizer", do "mais ou menos", foi que se extraiu a concepção do "todos nós somos médiuns" e firmaram a regra que vem confundindo e prejudicando mais do que qualquer outra coisa mesmo, quer ao Espiritismo propriamente dito, quer às pessoas que seguem apressadamente essa regra...

 

Porque - incrível que pareça, não cresceram a visão, não se demoraram sensatamente na interpretação correta que o mesmo Kardec deu, logo abaixo. Veja-se como a coisa está clara (ou Kardec, aí, pôs o dedo na consciência ou essa tradução do original francês está dúbia ou ajeitada) nas próprias palavras do Codificador. Diz ele: "Todavia, usualmente, assim só se qualificam (como médiuns - veículo dos espíritos, é claro) aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização (quer dizer, de um organismo especial) mais ou menos sensitivo"...

 

Para que definição mais clara, mais precisa do que essa? E por que será que quase ninguém se baseou, se fundamentou nela (nesta) para doutrinar sobre os verdadeiros aspectos da mediunidade? Conveniências doutrinárias? Interesses diversos em jogo? Não contrariar aspectos ou o tabu da regra já cimentada através de toda uma literatura de imensa influenciação? Quem sabe...

 

O fato inconteste é que a observação, a análise fria, serena, sobre as práticas mediúnicas, seja de qual corrente for, revelam precisamente isso que Kardec diz no fim e que deve ser interpretado corretamente assim, pois suas palavras são claras a esse respeito: ser médium de fato - aquele que é, de verdade, um veículo dos espíritos - não é coisa comum; é até certo ponto uma faculdade difícil de encontrar nas humanas criaturas...

 

Porque - milhares de pessoas, muita gente tem sido atuada ou sofrido a atuação dos espíritos, das almas dos "mortos", sem que, com isso, tenha ficado claro, patente, serem médiuns, veículos dos mesmos espíritos...

 

Porque - receber a influência dos espíritos, das almas dos "mortos", todo mundo pode receber e recebe desde o princípio do mundo, sem que, com esse fato, tenham revelado caracteristicamente a faculdade mediúnica ou o dom positivo de ser veículo dos citados espíritos...

 

Porque - milhares de pessoas têm desfilado, frequentado até assiduamente, as correntes mediúnicas de Tendas, Centros e "terreiros" a fim de desenvolverem e acabaram desistindo dessa finalidade, porque nada sentiram, dos espíritos, que pudessem sensatamente atribuir a fluidos medianímicos etc...

 

Pessoas autorizadas, sensatas, observadoras, que não se pautam dentro de uma certa linha de interpretação doutrinária exclusivista, já reconheceram essas verdades e, para não irmos muito longe, vamos apenas citar a palavra do Sr. Edgard Armond, considerado um luminar, uma autoridade, na corrente espiritista dita como de Kardec, sobre o assunto, pois foi um dos que reconheceu a fragilidade da tal regra do "todos nós somos médiuns" etc., segundo se infere do que está escrito em seu livro Mediunidade, à pág. 132...

 

Diz ele ao reconhecer que os médiuns de primeira categoria, isto é, os médiuns de fato são muito raros: "Hoje em dia o número de perturbados é imenso com tendência a crescer e não se erra muito ao dizer que 90% das perturbações são de fundo espiritual, 10% representando mediunidade a desenvolver" ... E acrescenta mais essas provas para robustecer o dito: "Na Federação Espírita do Estado, há muitos anos procedemos a esses exames e verificamos que é muito alto o número de perturbados em relação ao de médiuns amadurecidos. Basta citar o ano de 1949 durante o qual foram examinados 9.600 perturbados, havendo somente 288 casos em que se tratava de mediunidade a desenvolver. Convém, porém, esclarecer que na maioria das perturbações há sempre um fundo mediúnico e que, passando o período da cura espiritual a que devem ser todas elas submetidas, deve-se fazer novo exame para ver se há realmente mediunidade a desenvolver".

 

Cremos que, diante do que expusemos ligeiramente, não há dúvida mesmo quanto à existência da faculdade mediúnica, em qualquer um, seja branco, seja preto, chinês, francês, brasileiro etc., isto é, qualquer uma pessoa pode ser portadora do dom mediúnico, sem que com isso se entenda que todas as pessoas tenham a faculdade mediúnica em estado latente, é só desenvolver...

 

Não! O dom, a faculdade mediúnica é uma condição especial que é conferida, dada a muitas pessoas, mas não a todas as pessoas.

 

Expusemos esses fatores, para que o instrutor, o médium-chefe, o Dirigente de Tenda ou Terreiro, possa ficar bastante consciente dessa situação, a fim de que não contribua para o aumento progressivo do animismo, da auto-sugestão e até mesmo para a mistificação...

 

Bibliografia: MISTÉRIOS E PRÁTICAS DA LEI DE UMBANDA

2º EDIÇÃO LIVRARIA FREITAS BASTOS S.A.

W. W. da Matta e Silva